Descontração de Tom Zé conquista público

Texto: Natália Duane (nataliaduane@hotmail.com)

Fotos: Ayla Passadori (aylaanp@gmail.com)

O  show de Tom Zé, no Parque de Coqueiros, estava programado para as 19h, depois da apresentação de François Muleka. Mas o próprio cantor se adiantou: “Acho uma sacanagem vocês ficarem esperando, entre uma banda e outra”. Enquanto os músicos da banda preparavam os equipamentos e faziam o teste de som, ele sentou no palco, vestindo camisa e calça de moletom preta, e conversou com o público. “Vamos fazer uma coisa informal, como se vocês estivessem no sofá da casa de vocês”.

 Quem estava presente antes da hora marcada, pôde ouvir o compositor falar de alguns dos pensamentos que atravessaram a sua cabeça durante uma viagem de avião. No percurso, criou uma canção para os jovens, recheada de “facebook”, “ipad” e “i pode”. Segundo o cantor, ele escreveu a letra para o público que reina nos shows, a geração Y. “Se houver meia dúzia de pessoas que nasceram antes de 1980 é muito”. Ele se engana. Quem se afastasse do palco veria que, nos fundos, os fãs que o acompanharam nos anos 70, a década da Tropicália, estavam mais uma vez curtindo um show de Tom Zé.

Quando os preparativos estavam todos prontos, o baiano olhou para o público e ordenou: “agora, vocês façam uma cara bem surpresa, como se nunca tivessem me visto, ok?”. O cantor retornou, agora com a roupa oficial: camisa branca, calça e saia – que mais tarde ganharia um “apetrecho”: uma calcinha rosa-choque. A lingerie representa toda a feminilidade da mulher, figura a quem Tom Zé dedica muitas canções. O repertório de músicas revisitou seus sucessos antigos, como Augusta, Angélica e Consolação, do disco Todos os Olhos (1973), e também composições mais contemporâneas, como Papa Francisco Perdoa Tom Zé, do último álbum, Tribunal do Feicibuque (2013).

O show teve direito a bis, mas com o pedido de clemência do cantor. Afinal, esse era o terceiro evento do dia, e o avião partia às 5h da madrugada para a gravação do programa televisivo Esquenta, da Globo. Para quem diz ter nascido na Idade Média, o ritmo de vida continua bastante agitado. Ele se despediu da cidade com uma marchinha: “Floripa, Floripa, queria ter uma dúzia de filhos para casar com essas meninas ricas”.

 

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