Quando experimentar é preciso

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Carta aos críticos do relato “A experiência de ser voluntário na Semana Guga Kuerten”

Quem escolhe o Jornalismo como profissão sabe que tem o leitor como um eterno vigilante de seus passos. É para o leitor, esse companheiro de todas as horas, que o jornalista, afinal, escreve, traduz, explica, mostra, retrata… reporta.

E é por causa dessa relação visceral – por que não? -, que todo jornalista desde cedo precisa aprender a conviver com a crítica. Aprender a aprender com a crítica. Que, ressalte-se, é sempre bem-vinda quando praticada com o intuito do aprimoramento. Mas jamais quando a crítica possa ser movida pela vã vaidade de se acreditar melhor ou senhor ou senhora das regras.

Quando um leitor questiona um texto, há de se dar ouvidos a ele. Quando seguidores do Cotidiano.ufsc criticam uma publicação, é preciso ler o que dizem, o que argumentam, onde está a falha apontada.

Na matéria “A experiência de ser voluntário na Semana Guga Kuerten” talvez muitos desses leitores não tenham entendido a proposta do texto. Porque mais do que uma notícia, onde certas informações e padrões seriam mesmo necessários, trata-se aqui de um relato escrito em primeira pessoa. Uma crônica.

E foi nos moldes da crônica, o gênero mais flexível que se tem notícia, justamente pela falta de regras com que se contrói – e de onde vem sua diversidade e riqueza -, que os editores entenderam que sua publicação seria, sim, pertinente. Primeiro, porque não deixa de ser um registro do tempo presente e fazer jornalismo também é dar voz a diversos personagens desse tempo, não importando sua origem, de onde vêm ou são.

Quando um projeto de extensão que se pauta pela “experimentação de novos formatos em jornalismo online” recebe a sugestão de um estudante de Jornalismo que se propõe a escrever um relato pessoal de uma experiência sua como voluntário – o que não demandou tempo nem investimento público do projeto, a não ser disposição do próprio estudante – há de se dar crédito a sua iniciativa.

É verdade que os resultados às vezes podem não ser tão bons quanto gostaríamos ou esperávamos – mas para isso serve a boa e pertinente crítica. Também a boa e pertinente autocrítica.

O Cotidiano.ufsc ouve seus seguidores, procura estudar falhas, mas também aceita cumprimentos e elogios quando acerta – quase sempre na maioria das vezes.

Continuar como um canal aberto de experimentação é o que move quem dele participa. Ter a liberdade de buscar novos formatos jornalísticos é uma experiência da universidade, que deve ser vivida plenamente na universidade. Para isso o Cotidiano.ufsc trabalha. E insiste: a experimentação que dá voz e vez à pluralidade social é sempre o caminho mais interessante de se reportar o tempo presente. E, claro, como pede o bom Jornalismo, de retratar o nosso múltiplo cotidiano compartilhado.