Professor lança livro sobre bíblia e meio ambiente

A bíblia é conhecida em todo o planeta como referência de obra normatizadora de valores e princípios para católicos e judeus. Mas,  o professor Marcos Antônio de Souza, da Universidade Municipal de Palhoça, resolveu ler o livro a partir de um viés diferente, o ambiental. No livro “ O Código ambiental da bíblia” o professor reúne passagens da bíblia ligadas ao assunto.

Estudioso de religião desde jovem, o professor começou a notar referências ao tema quando cursava pós-graduação em Sociedade e Meio ambiente em Joinville.  As passagens remetem a períodos remotos, mas que ainda servem de lição para a sociedade atual. “Em um capítulo da bíblia de 4 mil a.C. se fala de saneamento básico, problema que até hoje é causa de mortes em todo o mundo”.  Numa passagem no  Deuteronômio 23:12-13, está:  “… também terás um lugar fora do arraial, para onde sairás…  Entre os teus utensílios terás uma pá; e quando te assentares lá fora, então com ela cavarás e, virando-te, cobrirás o teu excremento.”

[swfobj src=”http://cotidiano.sites.ufsc.br/wp-content/uploads/2013/11/infográfico-bíblia.swf” width=”309″ height=”465″ align=”left”]

Alguns dos trechos são explícitos  acerca da questão do meio ambiente.Outros precisam de interpretação. Em um dos livros da Bíblia, o autor encontrou referência à exploração madeireira. “O assunto é tratado de forma subjetiva, como se as árvores parassem de falar”. Contextualizando com a história brasileira, o autor remete a Guerra do Contestado, onde houve extração do recurso natural. Souza afirma que, embora a biblia não seja um tratado científico,  ela é fundamentada na experiência das pessoas.

 

OUTRAS RELIGIÕES

No “Livro dos espíritos”, obra de Allan Kardec, base do espiritismo, há trechos sobre desastres naturais. A destruição é uma forma de de renascer segundo essa crença: progressos que levariam anos para acontecer se realizam em pouco tempo nessas situações. Essas fatalidades acometem pessoas boas ou ruins, pois “Deus emprega outros meios para chegar ao progresso, porém o homem não aproveita esses meios” (p.338). Por outro lado, condena a destruição causada pelo ser humano que ultrapasse os limites da necessidade. O aproveitamento de recursos naturais deve somente manter o equilíbrio da reprodução. “O horror à destruição cresce com o desenvolvimento intelectual e mental”.

Já para o hinduísmo, as montanhas, os rios, as árvores e animais são sagrados. Segundo o “Livro das Religiões”, de Jonstein Gaarder, depois da morte a alma renasce numa nova criatura – e, por isso a necessidade de respeito aos animais e a natureza. Outra religião oriental, o budismo, propõe a elevação espiritual através da prática de bons atos às pessoas, mas também à natureza – não há uma distinção entre ambos.

REDE DE RELIGIÃO E CONSERVAÇÃO

Oito em cada dez pessoas se identificam com alguma crença segundo dados da pesquisa do Cenário Mundial da Religião do Pew Institute. Em 1986, consciente da influência da religião no mundo, o presidente da WWF (World Wide Fund for Nature) convidou os principais líderes religiosos  para discutir como a fé poderia ajudar na preservação da natureza.  O resultado perdura até hoje: a Rede de Religião e Conservação  foi criada com objetivo ligar instituições religiosas e organizações não-governamentais para implantar programas de desenvolvimento sustentável. São mais de 150 projetos em todos os continentes que contam com a ajuda de 11 cultos diferentes.

 

 

 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.