Equipe catarinense desenvolve sistema de energia solar para barcos

Texto: Luiza Possamai Kons e Miriam Irinéia

As últimas semanas no Brasil foram marcadas por discussões a respeito do leilão do campo de Libras, a maior reserva de petróleo do país. De acordo com um estudo realizado pelo banco HSBC em março, as reservas do combustível fóssil tem aproximadamente mais 50 anos de duração. Mas, enquanto as nações de todo o mundo focam-se na exploração das petróleo, na capital catarinense um grupo de estudantes desenvolve pesquisas e projetos na área de energias limpas e renováveis.

A Equipe Vento Sul de Barcos Solares surgiu em 2009, na Universidade Federal de Santa Catarina, com o objetivo de criar alternativas aos combustíveis fósseis que movem as embarcações marítimas. Atualmente, a equipe é referência no mundo pelo uso de energia solar, possuindo quatro barcos: o Guarapuvu I e II (monocascos), o Oxum (trimarã) e o Vento Sul (catamarã). Em julho deste ano, o grupo venceu a competição nacional de barcos solares, no Rio de Janeiro, tornando-se penta campeã brasileira.

De acordo Lucas Azambuja, membro da equipe, o período de montagem dos barcos varia de acordo com as regulamentações de cada competição, mas no geral dura três meses. Durante esse tempo a embarcação passa por vários processos, desde o lixamento até os testes de motor e da telemetria, que é o sistema que envia informações do barco na água para a equipe que está acompanhando a competição.

Dentre os materiais que  constituem o barco destaca-se o uso no casco de fibra de carbono, que é um material sintético leve e resistente. Além disso, as placas que captam a luz solar são o principal elemento para geração da energia. O Guarapuvu II possui quatro placas fotovoltaicas, que geram energia suficiente para manter cerca de 20 lampâdas incandescentes acessas. Além disso, este barco pode atingir aproximadamente 18 km/h.

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Desde 2009, os alunos participam do campeonato Desafio Solar Brasil (DSB) que funciona como um rali de barcos, onde a embarcação que realizar o trajeto em menor tempo – utilizando somente energia solar – vence. Ao longo de cinco anos, a Vento Sul já conquistou sete títulos nacionais e se prepara agora para o DONG Energy Solar, a competição mundial que ocorre a cada dois anos na Holanda.

Em 2010, com apenas um ano e meio de equipe, os alunos participaram do mundial e ficaram em 17º lugar entre os 27 participantes. No ano passado, a Vento Sul ficou em 7º e em 3º na última parte do trajeto. A competição ocorre em seis dias em diferentes cidades, onde equipes de mundo todo acompanham o trajeto.

O uso energia solar vem aumentando em todo o mundo e ao contrário do petróleo, esta não polui o meio-ambiente pois não emite gases ou resíduos. Através da radiação que sensibiliza as células fotovoltaicas, é possível fornecer energia elétrica a residências, empresas ou no caso do barco, substituir a queima de combustíveis fósseis para movimentar o motor. Mas apesar dos benefícios, os investimentos na área possuem preços elevados o que dificulta as pesquisas na área e o uso doméstico.

Uma placa fotovoltaica custa em torno de R$1.800 no Brasil e sua potência pode atingir 220 walts, segundo o capitão da equipe Hugo Pigozzo.  Por se tratar de um país tropical e com alto indice de radiação solar durante todo o ano, é viável por exemplo, de acordo com o pesquisador Ricardo Rüter a construção de estádios de futebol para a copa de 2014 que utilizem energia fotovoltaica. Proposta que já foi empregada pelo Mineirão graças aos  estudos de Rüter junto com o instituto IDEAL. O estádio foi inaugurado em maio de 2013, equipado com uma usina solar com capacidade para sustentar 900 residências.

 

 

 

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