Desapego de roupas usadas populariza-se na Universidade

Texto e fotos: Luiza Kons (lupkons@gmail.com)

Sentada em uma roda de amigos Flavia Pala Falavina usa um vestido vermelho estampado, comprado em uma feira artesanal. Ela sorri ao dizer que precisou fazer uns remendos na peça, mas que só de poder usar algo sustentável já valia a pena. Flávia faz mestrado em tradução na UFSC, e não é a única a adotar o consumo consciente no Campus.

Basta caminhar pelos gramados do Centro de Comunicação e Expressão (CCE), para notar panos estendidos e varais coloridos repletos de roupas e acessórios. A cena faz parte do desapego: quando estudantes (na maioria dos casos) vendem ou trocam peças que não precisam mais.

No geral, o número de vendas é maior que o de trocas, com preços bem abaixo do mercado para que nada fique mofando nas prateleiras de casa. Cintia Lima, doutoranda em história, e, Elisabeth Trindade, mestranda em educação, vendiam seus desapegos com valores entre R$ 5 e R$ 20.

De acordo, com o Ministério do Meio Ambiente para ser consumo sustentável é necessária a escolha de produtos que envolvam menos recursos naturais, e que possam ser facilmente reciclados e reaproveitados. Também é papel do consumidor comprar aquilo que realmente for usar. Isso, nem sempre ocorre no comércio informal de desapegos “sempre fui de me desfazer das coisas, mas também consumo bastante” comenta Cintia Lima.

Ainda que o foco principal dos desapegos não seja necessariamente o consumo sustentável, como no caso de Renata Rodrigues , estudante de história, que afirma estar vendendo suas roupas principalmente por estar desempregada: a própria escolha da estudante por esse tipo de prática reflete um pensamento consciente “as pessoas estão descobrindo que podem usar algo que alguém já usou sem que isso pareça velho”.

No artigo Consumo sustentável: limites e possibilidades de ambientalização e politização das práticas de consumo, Fátima Portilho esclarece que um dos fatores que levou a essa noção de consumo verde foi a preocupação, na década de 90, com o impacto ambiental provocado pelas sociedades ocidentais. A autora crítica o slogan de “poder de escolha”, por parte de movimentos de consumo sustentável, por considerar que os problemas ambientais se tornam individualizados. Quando na realidade, seria preciso uma ação conjunto da esfera pública e privada, e não somente que Flávia Falavina compre um vestido artesanal.

 Desapego na Redes Sociais

O grupo Não uso mais! – Coisinhas para venda/ troca. é uma das alternativas usadas por estudantes da UFSC para se desapegarem de roupas e acessórios que apenas ocupam espaço em seus armários. O Não uso mais! foi criado há cerca de três anos, por quatro amigas estudantes da própria Universidade que tinham várias roupas no armário em bom estado e sem uso “sabendo da dificuldade financeira que muitos estudantes da UFSC passam o desapego através de doação não seria a melhor solução, surgiu a ideia do grupo então com a intenção de haver trocas ou vendas a partir de preços bem mínimos” explica Abby Sliva, uma das fundadoras.

Hoje o grupo conta com aproximadamente 4.700 membros, e apesar de existirem algumas reclamações por parte de desencontros de pessoas que marcaram encontros para trocas ou vendas e não obtiveram retorno, o Não uso mais! continua a ser um facilitador para o comércio de desapegos.

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