Conheça a polêmica envolvendo a reforma da Rua Deputado Antônio Edu Vieira

Texto: Guilherme Longo (guilherme.longo93@gmail.com)

Todos os dias a imagem vista é a mesma: centenas de carros enfileirados parados a caminho de casa ou do trabalho. Para percorrer cerca de 1 km, podem-se levar cinco minutos ou uma hora. Disputando espaço com os carros, estão ônibus, ciclistas e pedestres. Essa é a situação da Rua Deputado Antônio Edu Vieira, localizada no bairro Pantanal, próximo à Universidade Federal de Santa Catarina.

O grande fluxo diário de trânsito na rua e suas péssimas condições de conservação (considerando que é uma das principais vias de acesso para o sul da ilha) colocam o local em debate nos últimos 15 anos. A principal discussão é sobre a possível duplicação da via, para que seja possível uma diminuição no engarrafamento.

Atualmente, existe todo um planejamento elaborado pela prefeitura de Florianópolis. Ela consiste em uma ampliação da rua em 30 metros. Nessa reforma, as pistas simples dariam lugar para quatro pistas para os veículos comerciais, duas vias exclusivas para o transporte público, além de ciclofaixas, calçada e um canteiro dividindo a rua ao meio. Essa proposta atual, que até o momento é a definitiva, passou por diversas modificações ao longo dos anos, passando a incluir as ciclovias e os corredores exclusivos de ônibus.

Um dos problemas enfrentados pela prefeitura está em obter o terreno referente à ampliação. Os 30 metros necessários para as obras deverão ser obtidos de ambos os lados da via. No total, do lado da UFSC e da Eletrosul, o plano é de se obter aproximadamente 17 metros de largura de área, enquanto do lado da TV Barriga Verde, afiliada da Rede Bandeirantes no estado, serão obtidos os 13 metros restantes. Para entender melhor, veja a imagem abaixo:

Edu Vieira

A proposta atual foi apresentada pela primeira vez em 2013. Logo em seguida, a prefeitura fez o pedido oficial para a Universidade para que realizasse a cessão do terreno. Até a aprovação da cedência pelo Conselho Universitário, em abril de 2014, a petição foi alvo de polêmicas, que envolveram até a imprensa local.

Nesse período entre a apresentação e a aprovação, foi formada pelo Conselho Universitário uma comissão para analisar a proposta submetida para a prefeitura e verificar o impacto da cedência do terreno da UFSC. No relatório final, entregue ao CUn no início do ano, os membros apontaram divergências em sua decisão final sobre o espaço a ser doado. Com a aprovação pelo CUn, ficou determinado que a área seria entregue à cidade, mas caso algum ponto do documento entregue não fosse cumprido, a doação seria cancelada pela Universidade.

O processo de cedência do terreno da Universidade ainda não foi concluído. De acordo com o chefe de gabinete da Reitoria, professor Carlos Vieira, a transferência ainda não havia sido concluída por 2014 ser ano eleitoral, fato que impede a realização de diversos serviços no âmbito do governo federal. No terreno, que possui área total de 20 mil metros quadrados, estão localizados somente dois galpões do Centro de Desportos (CDS). Segundo Carlos, eles serão reconstruídos em outro local do campus ainda não determinado.

Um processo já concluído foi o da cedência do terreno da Eletrosul. Mas ainda resta para o governo iniciar a desapropriação dos terrenos de moradores da rua. Até o momento, segundo o Centro Comunitário do Pantanal, a prefeitura não entrou em contato com os moradores para tratar sobre a venda do terreno, por mais que já tenha sido liberada no Diário Oficial da Cidade a transformação do espaço em local público.

Além disso, outras questões emperram o início da reforma da Edu Vieira, como a liberação ambiental. Por isso, a reforma, que estava marcada para começar no início do próximo ano, deve ficar somente para o segundo semestre de 2015 ou início de 2016.

Outras propostas

O projeto divulgado à comunidade, porém, não agrada a todos os setores. Professores da Universidade ligados ao Gemurb (Grupo de Estudos de Mobilidade Urbana), defendem algumas mudanças no documento. Entre elas está o fato da rua se tornar uma nova via de acesso ao Norte e Sul da ilha, fazendo o elo Ponte – Avenida Beira-Mar Norte – Via Expressa Sul.

Para resolver o problema do congestionamento, o grupo tem como sugestão a criação de um “túnel de mergulho”, passando por baixo pela Rua Deputado Antônio Edu Vieira, separando o trânsito de moradores das proximidades dos que utilizam o local como via de acesso para o norte ou o sul.

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