Brechós online ensinam o desapego e ajudam na economia

Texto: Beatriz Aguiar (beatriznedel@gmail.com)

“A loja era escura, atulhada das cousas velhas, tortas, rotas, enxovalhadas, enferrujadas que de ordinário se acham em tais casas, tudo naquela meia desordem própria do negócio”, é o que escreve Machado de Assis em Idéias do Canário sobre uma loja de Belchior, mascate que vendia roupas e objetos de segunda mão no Rio de Janeiro do século XIX.  Do nome do mascate, veio a corruptela “brechó”, que hoje define os estabelecimentos que vendem e compram sapatos, roupas, bijuterias, livros e qualquer outro objeto que por alguma razão tenha sido passado adiante.

Quem diria que o conceito seria adaptado pela internet? Na rede social Facebook, pode-se encontrar grupos de troca, venda e compra de roupas, sapatos e bolsas, conservados ou não, bastando para isso um clique e um comentário. O grupo “Não Uso Mais! – Coisinhas para Venda e Troca” foi criado no ano passado pela estudante de Ciências Biológicas na UFSC, Cheyenne Caruso de Oliveira, e já conta com mais de 5 mil membros. “Só convidei para entrar no grupo cerca de 20 amigas que imaginei que se interessariam pela ideia de desapegar e gostariam também das minhas peças. Aí uma foi convidando a outra, que foi convidando a outra e assim foi crescendo.”, conta ela.

A ideia é vender as peças pelo menor preço possível. Para Cheyenne, a prática ainda ajuda o meio ambiente e beneficia quem gosta, “ao invés de deixar a roupa no fundo do armário sem nunca usar”. Como a maioria das integrantes do grupo mora em Florianópolis, é comum trocar as peças pessoalmente nos arredores da UFSC ou nos Bazares do Desapego, encontros organizados esporadicamente pelas interessadas.

Já o “Brechó de Grife”, de Florianópolis, propõe quase o contrário: sem limite de valor, as participantes chegam a vender IPODs, celulares e câmeras digitais. Sapatos, vestidos e óculos de grife também fazem parte das trocas mais comuns. O grupo foi criado pela advogada Mayara Gabriela Sartori, que não gostava da ideia de valores estipulados para cada tipo de peça. “Acredito que cada um saiba o quanto vale o seu produto. Não dá pra vender uma sandália havaianas pelo mesmo valor de uma sandália de marca de festa, mesmo que usada.”, ela explica. Exclusivo para mulheres, o grupo já atingiu a marca de 11 mil membros.

Não Uso Mais: https://www.facebook.com/groups/292631710864364/

Brechó de grife: https://www.facebook.com/groups/261746503936259/

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