Segunda edição do Beer Week Grande Floripa

Texto e fotos: Daiane Nora

A primeira cerveja era de cor escura, um vermelho rubi. No gole, um sabor de chocolate e um leve amargor tomou conta da boca. Depois, pela descrição do rótulo, revelaram-se notas de caramelo: era uma Abadia Dubbel, que a cervejaria Faixa Preta chamava de Lord Dan. Essa era uma das sessenta cervejas que estavam sendo apreciadas naquela noite. Um ambiente familiar havia se instaurado no lugar: crianças brincavam e comiam, enquanto os pais conversavam e apreciavam bebidas artesanais. No mesmo local estavam reunidas nove cervejarias, seis estandes gastronômicos e sete bandas que tocaram naqueles três dias do Festival Beer Week Grande Floripa. Fiquei feliz porque tocava um jazz e por ter escolhido, logo de primeira, uma cerveja tão boa.

Encontrei Bruno e Fernando lavando os copos numa espécie de lavadouro que haviam instalado ali no Festival. Conheci os dois no ônibus, quando Bruno perguntava ao cobrador se o ônibus passava no Centro Multiuso de São José. Eu não segurei a risada e disse que também estava indo pra lá. Perguntei se entendiam de cerveja, dos tipos e classificações, confessei que estava lendo o guia de estilos do cervejeiro da BJCP para escrever uma reportagem. Eles falaram da Pale Ale, Lager, Strong, Pilsner, Stout, contaram até que já haviam produzido cerveja. Um cara que estava sentado atrás da gente se meteu na conversa, já se desculpando, para contar que estava fazendo cerveja desde cedo e apontou para as sacolas com equipamentos de cervejeiro. Perguntamos se ele estava indo para o festival e ele disse que não. O cobrador nos interrompeu para avisar que aquele era nosso ponto e saltamos.

Lavamos os copos do evento e decidimos pegar a próxima na cervejaria Liffey. Queriamos mesmo era experimentar a maior diversidade possível e lá serviam um especial de três copos de 300 ml por 15 reais. A maioria das cervejarias servia 400 e 500ml. Fernando escolheu uma Dry Stout chamada Black Jack, Bruno pediu pela Devil, uma Irish Red Ale, eu escolhi uma Tripel chamada Julien. Em uníssono, falamos “Prosit!” e brindamos. O sabor da Tripel era muito suave, tinha raspas de laranja e gengibre. Mas eu havia gostado mesmo da Dry Stout do Fernando, negra com notas de café. O brinde alemão me lembrou como o país é famoso pela cerveja. Fernando falou que a Alemanha é o segundo maior consumidor de cerveja do mundo e que possuem mais de 1.200 cervejarias, metade na Bavária – onde o presidente Obama bebeu um copo durante a reunião do G-7 ano passado, e lamentou ainda não ter visitado a Oktoberfest.

Fomos até a cervejaria Jester, pois Fernando era amigo de um dos cervejeiros. Lá eu pedi por uma Stout, que havia sido premiada com bronze no Concurso Brasileiro de Cervejas de Blumenau/2015. Deliciosa. Ao lado do destaque do prêmio, na parede, havia um cartaz que dizia “500 anos da lei da pureza”. Perguntei do que se tratava, já que nunca tinha ouvido falar. Eles disseram que agora em 2016 fazem 500 anos que a Alemanha proibiu a fabricação de cerveja com qualquer coisa que não seja malte, levedura, lúpulo e água. O que, para mim, limita a imaginação do mestre cervejeiro, tão bem representada no Beer Week Grande Floripa. Foram tantos sabores, aromas e sensações experimentados no evento, que um ímpeto nacionalista me surgiu, como uma gratidão pela criatividade do Brasil.

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