UFSC implanta sistema de coleta seletiva

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Reportagem e Fotografia: Joelson Cardoso (joelsonc.cardoso@gmail.com)

Buscando se adequar às leis, universidade quer resolver problemas com o lixo que produz

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) lançou recentemente a Coleta Seletiva Solidária (CSS), uma iniciativa que busca separar o lixo produzido pela comunidade universitária e dar a ele um destino ambientalmente correto. Os resíduos recicláveis descartados serão encaminhados para associações e cooperativas de catadores. Até hoje, todo o lixo produzido na UFSC era recolhido pela Companhia Melhoramentos da Capital (Comcap) e levado para o aterro sanitário de Biguaçu. A Universidade produz em média 140 toneladas de lixo por mês. Cerca de 40% desse total é de lixo reciclável que poderia ser reaproveitado.

Nesta primeira etapa do projeto, foram instaladas lixeiras coletoras com três compartimentos onde as pessoas depositaram os resíduos conforme o tipo (reciclável, rejeito e papel). São 20 coletores colocados em ambientes internos, distribuídos no campus Trindade e no Centro de Ciências Agrárias (CCA), no Itacorubi. Esses locais funcionarão como Pontos de Entrega Voluntária (PEVs), onde a comunidade universitária bota seu lixo (confira o mapa com os locais aqui). “A ideia é que todos se sintam responsáveis, como eles são, pelos resíduos. E eles farão a escolha certa com o que fazer com o seu reciclável  no momento de entregar”, explica a coordenadora do projeto e engenheira sanitarista da UFSC Sara Meireles. Depois os funcionários da limpeza devem levar os recicláveis para um container de armazenamento temporário localizado próximo a entrada do Centro Tecnológico (CTC) ao lado da Rua Delfino Conti. Do container, duas associações de catadores ligadas a Federação Catarinense de Catadoras e Catadores de Materiais Recicláveis (FECCAT), a Aresp do bairro Monte Cristo e a Recicla Floripa da Serrinha, serão responsáveis pela coleta e destinação do material para reciclagem. Os rejeitos serão encaminhados para a coleta convencional e levados pela Comcap para o aterro sanitário.

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Outra forma de colaborar com a iniciativa é fazer a separação dentro de cada setor. No site da campanha estão disponíveis artes de plaquinhas que podem ser impressas para sinalizar as lixeiras que cada um possui e fazer o descarte adequado. “A nossa ideia não era sair comprando um monte de coisa para gerar mais resíduo, mas sim aproveitar o que a gente já tem. Então para essas áreas internas eles podem escolher duas lixeiras e colocarem em um ponto”, conta Sara. Nesses casos, os servidores da limpeza podem levar até os pontos de entrega ou direto para o container.

A ideia é que o número de coletores seja ampliado no próximo ano e que também possam ser colocados nas áreas externas. Para isso, nas ruas, serão utilizadas lixeiras binárias, com separação entre reciclável e não reciclável. Ela está sendo desenvolvida em um projeto conjunto entre uma equipe do Design e do Departamento de Engenharia. “A ideia é que a gente crie um coletor para as áreas externas modelo UFSC. As lixeiras que temos hoje são super despadronizadas. Elas vão ser substituídas por essas lixeiras que serão colocadas em pontos estratégicos”, adianta a engenheira sanitarista da Universidade. Futuramente, o objetivo da equipe da Coleta Seletiva Solidária é levar o sistema para os demais campi da UFSC e trabalhar ainda na reciclagem dos lixos orgânicos.

A implantação da Coleta Seletiva Solidária atende Decreto Federal nº 5.940, de 25 de outubro de 2006, assinado pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A lei prevê a “separação dos resíduos recicláveis descartados pelos órgãos e entidades da administração pública federal direta e indireta, na fonte geradora, e a sua destinação às associações e cooperativas dos catadores de materiais recicláveis”. Em março de 2016 foi criada uma comissão na UFSC para tratar do tema e discutir a implantação do projeto na Universidade. Após uma série de reuniões, o grupo, formado por onze membros de diversos setores da UFSC, desenvolveu um Plano de Coleta Seletiva Solidária (PCSS), que agora passa a ser implementado. “Ela [a coleta] é importante do ponto de vista econômico, ambiental, e principalmente, é importante do ponto de vista da conscientização. Fazer com que toda a nossa comunidade se engaje na nossa coleta seletiva para que a gente possa ter efetivamente uma universidade saudável”, destaca o reitor da UFSC Luiz Carlos Cancellier.

A iniciativa representa um marco na UFSC, uma vez que, a universidade não possuía um trabalho efetivo de separação de seus resíduos. O que havia até então eram algumas iniciativas pontuais, mas que descontinuaram por falta de apoio, como o Projeto CCB Recicla e 3Rs. Alguns funcionários terceirizados da limpeza também fazem a separação de alguns resíduos e os vendem, mas a atividade, além de localizada é considerada ilegal porque a lei prevê que o lixo reciclável das instituições públicas seja destinado aos catadores.

Outro ponto de destaque desenvolvido na UFSC é a remuneração dos catadores. Durante as visitas aos locais de trabalho verificou-se uma deficiência na estrutura e falta de incentivos que pudessem melhorar as condições, a qualidade e a continuidade de trabalho. Assim, a UFSC buscando valorizar o trabalho de coleta e triagem de resíduos vai remunerar o serviço, de acordo com a Lei nº 12.305/2010, que dispõe sobre a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) e regulamenta a gestão de resíduos no país. A contratação também prevê dispensa de licitação, o que facilita a implantação dessa iniciativa. “A única forma de melhorar a condição dessas pessoas é assim. Hoje o Brasil tem um milhão de catadores. A gente tem uma classe de trabalhadores que é reconhecida pela Classificação Brasileira de Ocupações desde 2002. Isso é um trabalho, é um trabalhador. Porque que essa gente não está sendo remunerada? Então precisa [remunerar], isso é inevitável. Quem não fizer isso vai estar no contra fluxo e a coleta seletiva nunca vai ter sucesso”, defende Sara Meirelles. O contrato com a UFSC será direto com a FECCAT, que ficará responsável de repassar para as associações.

O plano e a estrutura de coleta seletiva estão montada. Agora, o desafio é fazer a comunidade universitária se conscientizar e colaborar para a redução da produção de lixo e de fazer o destino correto do que é descartado.

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