Instituto Chico Mendes: preservar para proteger

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Reportagem: Pablo Mingoti (pablomingoti@gmail.com)

Fotografia: Pablo Mingoti e Rico Bach (ICMBio)

ICMBio protege a biodiversidade de SC em 16 unidades de conservação. A Estação Ecológica de Carijós e a Reserva Biológica Marinha do Arvoredo estão entre elas.

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Foto: Rico Bach

Quando a reportagem do Cotidiano UFSC chegou ao escritório do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), encontrou a equipe da Reserva Biológica Marinha do Arvoredo (REBIO Arvoredo) se preparando para uma saída de campo na Unidade de Conservação. A área da REBIO é praticamente toda marinha e os analistas ambientais que trabalham nela realizam atividades de monitoramento, acompanhamento de pesquisadores, proteção, entre outras. A gestão das Unidades de Conservação Federais é a principal função do ICMBio, um órgão ambiental do governo brasileiro criado em 2007, com a missão de administrar áreas legalmente protegidas devido à importância da biodiversidade.

Em Santa Catarina, há 16 unidades de conservação espalhadas pela mata atlântica e zona costeira e marinha administradas pelo ICMBio. Em Florianópolis, estão sediadas quatro unidades de conservação (Reserva Biológica Marinha do Arvoredo, Estação Ecológica de Carijós, Área de Proteção Ambiental do Anhatomirim e Reserva Extrativista do Pirajubaé), dois centros de pesquisa (Centro nacional de pesquisa e conservação de aves – CEMAVE e o Centro TAMAR) e a Coordenação Regional 9, responsável pelas unidades de Conservação da região Sul. As equipes dessas Unidades de Conservação são compostas por especialistas como biólogos, veterinários, oceanógrafos e engenheiros florestais, entre outras formações, que compartilham de um mesmo pensamento: preservar para proteger.

Na unidade localizada no norte da ilha funciona, entre outras unidades do ICMBio, a sede da Estação Ecológica de Carijós (ESEC de Carijós) e da Reserva Biológica Marinha do Arvoredo (REBIO Arvoredo). Suas equipes nos receberam para uma entrevista.

A ESEC Carijós foi criada, em 1987, para conservar manguezais, áreas de restinga, rios e banhados dos bairros Ratones e Saco Grande. Essa área de preservação possui 720 hectares com mais de 500 espécies de animais e dezenas da flora de manguezais e restingas. Já foram catalogadas 110 espécies de aves, o que significa 25% da avifauna do Estado. Grande parte dos manguezais da cidade foi alterada, mas a equipe da Estação Ecológica de Carijós realiza um trabalho diário para manter o que ainda resta desse importante ecossistema.

A equipe da Estação Ecológica de Carijós se esforça diariamente para manter 38% do que restou da área original do manguezal de Ratones e 68% do manguezal do Saco Grande.

 

Foto: Acervo da ESEC

Foto: Acervo da ESEC

No laboratório, construído em 2005, é feita a análise da qualidade das águas dos rios que contornam a Estação Ecológica de Carijós. Claudinei Rodrigues é o responsável por essa parte e explica que, além de coletar amostras e apontar pontos de poluição, o laboratório conta ainda com infraestrutura e equipamentos adequados às análises hematológicas e microbiológicas em aves coordenadas pelo CEMAVE.

A Reserva Biológica Marinha do Arvoredo foi criada em 1990 com o objetivo de proteger um pequeno espaço da costa brasileira que apresenta grande importância biológica. Possui 17. 600 hectares e abriga em seu interior as ilhas do Arvoredo, Galé, Deserta, Calhau de São Pedro e uma grande área marinha que circunda esse arquipélago.

Ilha deserta. Foto: Acervo da REBIO Arvoredo.

Ilha deserta. Foto: Acervo da REBIO Arvoredo.

Essas unidades de conservação são restritivas, ou seja, não é possível retirar ou modificar nenhum rio, planta ou animal e não é aberta visitação ao público. Caso haja alguma infração, como, por exemplo, pesca irregular, o autor sofrerá algumas punições, tais como apreensão de equipamentos e pescado, aplicação de multas e comunicação ao Ministério Público que interpretará se a ação apurada pelos analistas ambientais é ou não crime ambiental.

Entre as atividades que os técnicos do ICMBio desenvolvem está a educação ambiental que busca conscientizar a população da importância da conservação dessas áreas protegidas. Essa missão é uma tarefa árdua. “Sabemos que é nosso dever fazer com que a sociedade entenda a importância das Unidades de Conservação para as gerações futuras, pois a natureza é um bem de todos”, reconhece Elda Oliveira, analista ambiental que trabalha na REBIO Arvoredo.

No âmbito das principais atividades desenvolvidas no interior da REBIO Arvoredo estão a pesquisa científica, o monitoramento e a proteção da área da Unidade de Conservação. Para a realização de pesquisas é necessária uma autorização do ICMBio, de acordo com a analista ambiental Adriana Carvalhal.

A reportagem do Cotidiano UFSC chegou no meio da preparação de uma saída de campo para a Reserva Biológica Marinha do Arvoredo que precisa de equipamentos como roupas de mergulho, para observar a fauna aquática, e de perneiras, uma peça que protege as pernas, entre o joelho e o pé, contra animais peçonhentos.

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Container de mergulho apresentado pela analista Adriana Foto: Pablo Mingoti.

Elda Oliveira e Diana Floriani, analistas ambientais da REBIO, são as responsáveis pela educação ambiental. Dentre as ações que vem sendo executadas, estão oficinas com professores das redes públicas municipais e estaduais dos municípios do entorno da REBIO. Essas oficinas são realizadas em parcerias com as prefeituras municipais, ONGs, Universidades e visam a conscientização e sensibilização das comunidades que vivenciam a Unidade de Conservação.

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Planejamento das atividades de Educação Ambiental no escritório  Foto: Pablo Mingoti.

Saiba mais

Outra Unidade de Conservação Federal administrada pelo ICMBio está localizada no sul da ilha – a Reserva Extrativista Marinha do Pirajubaé, que abrange os bancos de areia e o manguezal do Rio Tavares. Tem como principal objetivo a proteção dos recursos naturais necessários à subsistência de extrativistas. O uso sustentável é permitido dentro desta reserva, ou seja, é possível realizar a extração de moluscos, por exemplo, mas é preciso seguir um conjunto de regras para não danificar o meio ambiente.

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Foto: Pablo Mingoti.

 

 

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