Meio ambiente foi a pauta central do terceiro dia do Acampamento Terra Livre (ATL) 2023. Durante uma marcha no fim da tarde, lideranças indígenas decretaram emergência climática.
A manifestação foi acompanhada por um trator, que estampava nomes de projetos de lei que ameaçam o meio ambiente e empresas acusadas de explorar recursos naturais em territórios indígenas. Um enorme globo terrestre foi carregado por indígenas do povo Guarani durante todo o trajeto.
Foto: Rodrigo Barbosa
Foto: Fernando Xokleng
Foto: Jucelino Filho
Foto: Rodrigo Barbosa
Foto: Jucelino Filho
Foto: Rodrigo Barbosa
A marcha terminou já no começo da noite, com uma vigília em frente à Praça dos Três Poderes. O objetivo da vigília era denunciar a tese do Marco Temporal, tida pelo movimento indígena como a maior das ameaças aos direitos dos povos originários. Neste momento, enquanto diversas delegações faziam seus cantos tradicionais, eram projetadas no Congresso Nacional frases como “Nunca Mais um Brasil Sem Nós” e “Antes do Brasil da Coroa, existe o Brasil do Cocar”.
Fotos: Rodrigo Barbosa
Mais cedo, uma plenária no palco do evento teve como tema a PNGATI (Política Nacional de Gestão Territorial em Terras Indígenas). As lideranças que participaram desse debate pontuaram que, embora criada há mais de uma década, a política ainda não funciona de maneira efetiva na prática.
“A PNGATI precisa sair do papel e chegar até as comunidades indígenas”, afirmou Paulo Tupiniquim, coordenador geral da APOINME (Articulação dos Povos Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo). Segundo ele, as poucas ações de fato realizadas através da PNGATI se restringiram à região Amazônica. Ele destacou especial negligência com os biomas Cerrado e marinho.
Foto: Fernando Xokleng
Ainda na pauta do meio ambiente e emergências climáticas, foi apresentado o grupo de lideranças que serão responsáveis por mobilizar suas bases acerca do recém-reformulado Comitê Indígena de Mudanças Climáticas. Dentre estas pessoas está Vanessa Fe Hã, jovem liderança do povo Kaingang. Caloura de Jornalismo na UFSC, ela é uma das comunicadoras que faz parte de nossa cobertura colaborativa.
Foto: Fernando Xokleng
Saúde e educação também em pauta
Mais cedo, a Saúde Indígena foi o tema do debate. Lideranças indígenas e não-indígenas (neste caso, ligadas ao Instituto Fiocruz) celebraram a nova composição da SESAI (Secretaria Especial de Saúde Indígena). O órgão é agora gerido pelo indígena Weibe Tapeba: “O Zé Gotinha voltou. E voltou de cocar”.
Foi pontuada a necessidade de mais recursos para esta área. Além disso, as lideranças destacaram a importância da manutenção e preservação de saberes tradicionais e a criação de mais DSEIs (Distritos Especiais de Saúde Indígena) e presença de mais mulheres na pasta.
Fotos: Allana Souza
Por fim, ressaltaram a importância de integrar as áreas de Saúde e Educação Indígena. Uma plenária anterior debateu educação básica e universitária, com presença de estudantes da UFSC.
Foto: Ariclenes Patté
O Cotidiano UFSC, em parceria com o Portal de Saberes Laklãnõ/Xokleng, irá acompanhar de perto todos esses eventos. Siga pelo nosso site e pelas redes sociais.