Projeto Favela Contra o Vírus (Foto: Divulgação)

Coronavírus: como ajudar projetos que atendem pessoas em situação de vulnerabilidade

Reportagem de Rodrigo Barbosa e Fernanda Biasoli

O avanço da disseminação do novo coronavírus paralisou boa parte da economia brasileira. Com negócios fechados e autônomos impossibilitados de trabalhar devido ao distanciamento social imposto para diminuir os efeitos da pandemia, cresce a necessidade de criar iniciativas que têm como objetivo amparar pessoas e comunidades em situação de vulnerabilidade.

Embora aprovado pelo Legislativo no mês passado e sancionado pelo Governo Federal no dia 2 de abril, o auxílio emergencial de R$ 600 para pessoas de baixa renda ainda não começou a ser pago e existem dúvidas quanto à sua operacionalização. Isso coloca entidades da sociedade civil como os principais meios de ajuda neste primeiro mês de crise. O Cotidiano UFSC reuniu algumas destas iniciativas que têm atuado na Grande Florianópolis. Confira e colabore!


FESA (Frente Estudantil de Segurança Alimentícia)

Na UFSC, mais de 10 mil alunos que se alimentam diariamente no Restaurante Universitário (RU) ficaram sem esta opção com seu fechamento ainda no mês de março. Por conta disso, através de iniciativa do CAFIL (Centro Acadêmico de Filosofia) foi criada a FESA (Frente Estudantil de Segurança Alimentícia). Trata-se de uma rede de solidariedade que tem como objetivo auxiliar estudantes em situação de insegurança alimentar durante a crise causada pela pandemia de Covid-19. 

A Frente conta atualmente com o auxílio de pelo menos 20 entidades da UFSC, incluindo a APG (Associação de Pós-Graduandos) e o SINTUFSC (Sindicato dos Trabalhadores da UFSC), além de mais de uma dezena de Centro Acadêmicos. O DCE (Diretório Central dos Estudantes) inicialmente havia se recusado a participar da iniciativa, mas se uniu à Frente na última semana e conseguiu, junto à administração do RU, a doação de seis toneladas de alimentos, que serão posteriormente distribuídos pela FESA. A Frente ainda tem recebido doações de professores, estudantes e familiares de alunos da instituição. Já foram realizadas três partilhas de alimentos entre os dias 28 de março e 7 de abril. Ao todo, mais de 170 cestas básicas já foram distribuídas. 

Uma das três partilhas já realizadas pela FESA (Foto: Divulgação)

Membro do CAFIL, o estudante Henrique Bortoli destacou que, para eles, o pagamento da cota única de R$ 200 oferecida pela Reitoria não atende às necessidades dos estudantes que perderam o acesso ao RU, o que levou à criação da rede: “não é um valor que consiga, realmente, auxiliar os estudantes a manterem uma permanência decente, muita vezes longe de suas famílias e em uma capital onde as coisas são muito caras”. 

As inscrições para receber o auxílio da FESA podem ser feitas por um formulário disponível nas páginas da Frente no facebook e instagram. Para quem quiser ajudar, há uma conta bancária para receber doações em dinheiro, também disponibilizada nas redes sociais da FESA. 


Associação Força de Marias

Localizada nos arredores da UFSC, a comunidade dos Lageanos, na Serrinha, também se organizou para enfrentar a crise. A Associação Força de Marias, que representa os moradores da região, está arrecadando doações de cestas básicas e produtos de higiene para serem distribuídos na comunidade, que é formada por cerca de 100 famílias.

Além de moradores, a associação também conta com a participação de professores e alunos da UFSC. Parte dos moradores dos Lageanos trabalha nas empresas que prestam serviços terceirizados na universidade. Outros tantos são autônomos e encontram dificuldades sem a renda de seus trabalhos.

“A gente está fazendo uma coisa organizada, porque tem gente que está precisando bastante. Têm pessoas novas na comunidade que a gente sabe que estão desempregadas. Aí a gente vai distribuindo as coisas”, afirmou Maria Lucelma de Lima, líder comunitária local. Lucelma ainda lamentou o cancelamento, devido à epidemia, de uma rifa que acontecia para a realização de uma festa de Páscoa para as crianças da comunidade: “Essa Páscoa vai ser muito triste. As crianças esperam receber algo e não vai ter”. 

As doações podem ser entregues no número 70 da Servidão dos Lageanos. As entregas podem ser combinadas através do número (48) 8489 – 3165 (Terezinha). A clínica de estética Priorité, localizada na região continental da cidade, também está recebendo, das 9 às 14h, donativos para a Servidão dos Lageanos. A clínica ainda disponibilizou uma conta bancária para auxiliar a comunidade:
Banco Unicred
Conta: 103.344-1
Ag: 1108
CNPJ 07.900.842/0001-49


Favela Contra o Vírus

Os projetos comunitários voltados a amparar famílias em situação de vulnerabilidade não se restringem apenas à Serrinha. No Morro do Mocotó, região central de Florianópolis, nasceu a campanha “Favela Contra o Vírus”. Com mais de 40 pessoas envolvidas diariamente e contando com a participação de diversos projetos sociais, a campanha já distribuiu cestas básicas em ao menos 30 comunidades nas cidades de Florianópolis, Palhoça e Biguaçu. Ao todo, 450 famílias já foram beneficiadas. A projeção é de que, até o fim da próxima semana, esse número chegue a 700.

“Favela Contra o Vírus” já doou cestas básicas para mais de 450 famílias em comunidades da Grande Florianópolis (Foto: Divulgação)

As famílias são selecionadas através de uma triagem realizada pelos integrantes do projeto. “A gente vai até a comunidade, de família em família, ver qual a necessidade, procura entender o caso de cada família e a prioridade naquele momento. A gente dá prioridade para aqueles que estão realmente necessitados, famílias que têm bastante filhos, idosos ou desempregados”, relata Ederson de Souza, liderança comunitária do Mocotó.

Para contribuir com o Favela Contra o Vírus, o telefone para contato é o (48) 98484-9927. Há ainda o perfil do Projeto “Eu Faço a Minha Parte”, que apoia a campanha e têm sido utilizado como canal de comunicação e divulgação de atividades realizadas. Há ainda uma conta bancária para receber doações em dinheiro:
Banco Itaú
Conta: 09037-2
Ag: 6305
CPF 751761307-34
Bernardo Travassos de Lucena


Sociedade beneficente de amparo aos idosos Lar do seu Doca

O lar dos idosos do Seu Doca é uma instituição sem fins lucrativos, localizada no município de Biguaçu, que acolhe idosos em situações de vulnerabilidade. Por conta da pandemia do novo Coronavírus, as visitas foram suspensas e, com isso, as doações caíram cerca de 70%. Os itens mais necessários são: café, leite, fraldas geriátricas GG ou XG, mingau, luvas cirúrgicas e máscaras. As doações podem ser feitas diretamente na recepção da instituição ou por meio de transferência e depósito bancário. 

O Lar do Seu Doca atende, hoje, 37 idosos que fazem parte do grupo de risco do Covid-19. O diretor presidente, Anísio Junior, conta que cuidados especiais estão sendo tomados desde o início da pandemia. Além das visitas, estão suspensas também todas as atividades recreativas realizadas por voluntários. Somente funcionários estão frequentando a instituição e com os devidos cuidados (troca de roupa e sapatos antes de entrar, uso de máscaras e higienização das mãos). Nenhum dos idosos apresentou sintomas do novo Coronavírus até o momento. 

Dados para depósito/transferência:


Instituto Comunitário Grande Florianópolis (ICOM)

O Instituto Comunitário Grande Florianópolis (ICOM) fez um mapeamento de ações que arrecadam alimentos e produtos de higiene destinados para famílias em situação de vulnerabilidade durante o período de isolamento.

No site do instituto, é possível acessar o mapa de todas as iniciativas e as formas de ajudar cada uma. Além disso, o Instituto também dispõe de uma Linha de Apoio Emergencial dentro do Fundo de Impacto para Justiça Social para apoiar financeiramente diversas iniciativas que trabalham com o apoio à comunidade carente. É possível doar por depósito bancário ou pela plataforma Doare.


Projeto DesPoluindo

O projeto, iniciativa da psicóloga Luana Cavalari, tem como objetivo produzir e distribuir fraldas e absorventes ecológicos e reutilizáveis (feitos de pano) para pessoas que se encontram em grupos vulneráveis. A ideia é propor uma solução que, além de sustentável, funciona a médio e longo-prazo para mães e mulheres que necessitam desses itens neste período de quarentena. 

A produção é realizada toda a mão por costureiras parceiras da iniciativa e é possível contribuir com doações de tecidos, linhas e também valores em dinheiro. O DesPoluindo já possui 400 fraldas ecológicas parcialmente finalizadas que serão entregues nas residências das pessoas atendidas pelo projeto.

Para contribuir:
Telefone: (17) 99113-1633
E-mail: luacavalari@hotmail.com


Grupo no Facebook ‘’Todos contra o Corona – Grande Floripa’’

O grupo ‘’Todos contra o Corona – Grande Floripa’’, criado por Amanda Araújo e Marcos Dutra, funciona como uma plataforma de classificados de doações. Qualquer pessoa pode oferecer ou buscar ajuda, itens de higiene, cestas básicas e outros produtos e serviços. Nele também são postadas e compartilhadas informações sobre como e onde conseguir auxílios oferecidos pelo governo.

‘’Todos contra o Corona – Grande Floripa’’ foi criado há pouco mais de duas semanas e hoje possui mais de três mil membros. A organização é feita toda por voluntários: desde o recolhimento e entrega dos itens doados até a criação de formulários e  o controle e prestação de contas das doações recebidas em dinheiro. Segundo Amanda, já foram entregues 600 cestas básicas desde o início do projeto.


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