Tradição natalina é alvo de críticas nos Países Baixos

Texto e arte: Natália Duane (nataliaduanedesouza@gmail.com)

[swfobj src=”http://cotidiano.sites.ufsc.br/wp-content/uploads/2013/12/info_sinterklaas2.swf” width=”270″ height=”530″ align=”left”]  Mais do que receber presentes, holandeses e belgas estão preocupados em rediscutir a tradição neste natal. Nesses países, a população vem questionando a figura do ajudante do São Nicolau – equivalente ao nosso Papai Noel -, o “Pedro Preto”. Em vez de anões, quem leva os presentes e faz o “trabalho sujo”  são negros – o que é considerado racismo segundo a opinião de parte da população e de uma comissão da ONU criada especialmente para analisar o caso.

Saiba mais sobre a tradição holandesa no gráfico ao lado

Integrantes das Nações Unidas mandaram uma carta ao governo holandês alegando que políticos falharam em atender as críticas sobre discriminação racial. Entre outras coisas, acusam que “esse tipo de retrato de minorias étnicas podem perpetuar estereótipos”. Em resposta à organização mundial, o priemiro-ministro da Holanda, Mark Rutte, afirmou que tradições não podem acabar por decreto.

A principal justificativa para a cor de pele  não está relacionada com a etnia: o ajudante é incumbido de descer pela chaminé para entregar os presentes, o que acaba lhe sujando. Essa é a história contada para as crianças. Outras versões  são que São Nicolau teria libertado os escravos, que trabalham para ele por gratidão. A última seria o motivo de críticas: os ajudantes seriam escravos do bispo e evocam discriminações.

Ana Lúcia é negra e acaba de concluir o mestrado na UFSC sobre comunidades quilombolas em Garopaba. Ela disse ainda hoje observar traços de preconceitos entres brancos e negros naquele local. No quilombo, eram feitos bailes em um salão, e uma corda separava brancos e negros. “A corda não existe mais, mas a divisão continua um pouco”. Ao ver fotos do “Pedro Preto” – uma pessoa pintada de preto, lábios aumentados e peruca – diz ter achado graça.  “Eu não consigo achar isso racismo, eu só me lembro do Natal, do espírito que  paira sobre essa data”.

IMPASSES

O debate sobre a tradição holandesa já dura 20 anos e deve durar mais ainda. Esse ano foi criada uma petição através do facebook, a Petitie – junção de Peter e petição, em holandês -, para os que acham que o personagem devem continuar. Já em 2006, houve a tentativa de pintar as pessoas de outras cores que não preto. Foram feitos ajudantes pintados de vermelho, amarelo, roxo e  outras cores em Roterdam> Mas,  no ano seguinte Pedro voltou a ser negro. O que as  Nações Unidas pedem através da carta é a ampliação do debate e  compreensão por parte das pessoas que se opõem ao fim da tradição com as que se sentem discriminadas. Eles informaram através de uma matéria no site da organização que receberam ameaças e insultos. “Estamos desapontados com a intolerância daqueles que não entendem que deve haver problemas com  jeito que o Pedro Preto é retratado”.  

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