Tá na hora de reinventar o jornalismo? Conheça alguns projetos

Texto: Mariana Rosa (mari.rosa.90@gmail.com)

Infográfico: Marília Quezado (maríliaquezado@gmail.com)

Em meio a tantas reivindicações, uma das bandeiras levantadas pelas manifestações de julho deste ano, foi a atuação dos meios de comunicação no Brasil. A credibilidade das empresas de comunicação foi questionada devido a  coberturas ambíguas sobre os acontecimentos  e a reposta para esta e outras questões foi expressa nas ruas com cartazes e atos de repúdio, hostilização aos repórteres, depredação de carros com as logomarcas dos grupos de midia e protestos em frente aos prédios das emissoras.

A crise de credibilidade da imprensa brasileira foi um dos temas abordados pelos convidados do debate sobre mídia independente na 12ª Semana Acadêmica de Jornalismo da UFSC, que começou nesta segunda-feira, 9, e vai até sexta-feira, 13. Neste cenário de crise, que se caracteriza também pelas demissões em massa e pelas condições precárias de trabalho nas redações, esses profissionais encontraram espaço para fazer um trabalho independente e ousado.

“A mídia que tem chefes, sub-chefes e focas [gíria para jornalistas recém-formados] vende uma versão que ninguém mais compra”, sentencia o jornalista Bruno Torturra, fundador da Pós-TV e da Narrativas Independentes Jornalismo e Ação (Mídia Ninja), projetos ligados a rede de coletivos  de cultura Fora do Eixo.

Na palestra sobre a Mídia Ninja na terça-feira, 10, Torturra diz ter encontrado um nicho ignorado pela grande mídia na cobertura dos protestos com o uso de smartphones e um sistema de transmissão por streaming. “Não sei como é que os jornalistas em crise não olharam para o smartphone como uma forma de se reinventar”.

O poder das novas tecnologias, no entanto, foi questionado pelo jornalista Raul Fitipaldi, fundador do portal Desacato e presidente da Cooperativa de Produção em Comunicação e Cultura de Brasil (CPCC), que participou da mesa de discussão “Jornalismo ou jornalista independente: como é o trabalho fora da grande mídia”, na noite de quarta-feira, 11. Fitipaldi alertou para o perigo de se cair em um deslumbramento: “o smartphone não faz o jornalista. Jornalismo é pesquisa, investigação. Não podemos confundir ferramenta com profissão”.

Também participaram da mesa de discussão a jornalista do projeto Afreaka Flora Pereira e o jornalista freelancer Yan Boechat – que na ocasião brincou: “não sei se sou um jornalista independente. Acho que sou mais um jornalista desempregado”. A piada traz a tona a principal dificuldade da mídia independente que é o financiamento dos projetos.

Uma das possibilidades para vencer a barreira financeira é o crowdfounding, sistema de financiamento coletivo com doações on-line. Foi desta forma que Flora Pereira conseguiu arrecadar os R$ 30 mil que viabilizaram o projeto Afreaka. “A questão da grana sempre pesa. É preciso ter muita paixão e estar muito disposto”, diz Flora que também usou durante a viagem alternativas como o couchsurfing, rede internacional de pessoas que disponibilizam suas casas para hospedar viajantes.

Saiba mais sobre os projetos Afreaka, Descato e Mídia Ninja no infográfico:

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