Saúde ou beleza? A moda dos produtos naturais

Texto: Natália Duane (nataliaduanedesouza@gmail.com)
Arte: Luiza Giombelli (luizamgiombelli@gmail.com)

Com uma rápida pesquisa na internet, é possível encontrar em Florianópolis mais de 50 lojas especializadas em produtos naturais – sem contar as que não possuem um website. Quando Fabrício Curi e Edelfonso Farías decidiram abrir um estabelecimento do segmento em 2000, eram os únicos na região do Estreito. Hoje, já há quatro lojas semelhantes nas proximidades da Beira-mar Continental.

São várias as razões que levam as pessoas a buscarem alimentos naturais: emagrecimento, cabelos mais fortes, uma vida mais saudável, regular o intestino e prevenir doenças. Rosangela Monguilhott, moradora do centro, frequenta esses estabelecimentos há três anos, e a principal motivação foi perder alguns quilos. Depois de atingir o objetivo – com mudança de hábitos alimentares, mas também com exercícios físicos-, ela continou a consumir sementes e grãos. Os alimentos entraram na dieta de toda a família, que já tinha por hábito comer frutas e legumes. “Eu me acostumei tanto com esse tipo de alimentação natural que fica até difícil comer fora”, diz.

Edelfonso Farías, proprietário de uma loja de produtos naturais, diz, no entanto, que são poucas as pessoas que tomam como hábito a ingestão desses alimentos. Normalmente, começam a comprar porque ouviram falar na televisão ou por recomendação de amigos e conhecidos. “Em geral, é a TV quem divulga; se eu menciono um produto que é bom para o emagrecimento, a pessoa não dá bola, mas se vê na televisão, vem no outro dia comprar”. Ração humana – mistura de vários tipos de grãos-, linhaça, quinoa, chia e óleo de coco são alguns exemplos de produtos que tiveram um aumento nos preços devido à grande procura no último ano. Um pote de 200 ml de óleo de coco custava em média R$35, e chegou a passar dos R$60 quando foi divulgado como um grande auxílio no emagrecimento.

Para a pesquisadora do Laboratório de Comportamento Alimentar da UFSC, Elaine da Silva, o fator determinante para a busca de grãos e outros produtos naturais ainda é a perda de peso. Outro motivo é a facilidade de consumo: sementes e grãos podem ser carregados na bolsa e não ocupam muito espaço, além de não estragarem. Para a nutricionista, ao ingerir esses alimentos as pessoas deixam de comer produtos industrializados, como biscoitos e bolachas, que possuem gorduras saturadas, prejudiciais à saúde. Mas ela adverte: quem come grãos e alimentos integrais também deve tomar cuidado com as porções. O consumo excessivo de fibras pode desregular o intestino, em vez de regular, caso não se tome água suficiente ao longo do dia. Também chama atenção para a quantidade de gordura e calorias que castanhas possuem. “Não adianta comer 100g de castanhas por dia achando que vai emagrecer, é preciso buscar sempre um equilíbrio”.

[swfobj src=”http://cotidiano.sites.ufsc.br/wp-content/uploads/2013/09/InfoCERTO1.swf” width=”700″ height=”465″ align=”center”]

A nutricionista aconselha: às vezes, a composição dos alimentos é tão parecida, que não compensa pagar caro por um nutriente que pode ser encontrado em alimentos mais comuns. Exemplos? A única diferença entre uvas passas e uvas normais é a quantidade de água – os nutrientes são os mesmos, mas o preço é bem diferente; o óleo de soja e o óleo de canola têm as mesmas propriedades. “Vai do bolso – e do gosto – de cada um”.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.