Quase 15% dos estudantes de graduação da UFSC pararam o curso durante a pandemia

Segundo dados do coletivo jornalístico ‘UFSC à Esquerda‘, 1 em cada 7 estudantes evadiram, trancando o curso ou se matriculando apenas na chamada ‘’disciplina fantasma’’, criada pela universidade para manter vínculo com os alunos que não desejam cursar o ensino remoto e não querem se desligar do curso. São aproximadamente 4.457 alunos evadindo, entre os 30.814 matriculados em cursos de graduação na Universidade Federal de Santa Catarina no início de 2020, quase 15% do total de estudantes. Desde março de 2020, as atividades presenciais estão suspensas na UFSC, sem previsão de volta devido à crise sanitária provocada pela Covid-19.

Ato contra o ensino remoto em frente à reitoria da Universidade Federal de Santa Catarina Foto: Divulgação UFSC à Esquerda

Rebecca, de 20 anos, faz parte dessa estatística. Após cursar dois semestres do curso de Biologia, ela teve que trancar a matrícula e aceitar um emprego em tempo integral como auxiliar de escritório. Com isso, não teve mais tempo para acompanhar o ritmo intenso de leituras e atividades acadêmicas. ‘’No momento, minha prioridade é financeira, ganhar dinheiro para ajudar meus pais a pagarem as contas. Eles também gostariam que eu voltasse a estudar, mas no momento não vemos muita opção”, relata a jovem. 

‘’No momento, minha prioridade é financeira, ganhar dinheiro para ajudar meus pais a pagarem as contas. Eles também gostariam que eu voltasse a estudar, mas no momento não vemos muita opção”, relata a jovem. 

Com as dificuldades impostas pela pandemia ficou mais difícil ter disponibilidade de tempo e recursos para se dedicar a um curso superior. Segundo dados do Poder Data, 61% dos brasileiros tiveram sua fonte de renda principal prejudicada pela pandemia. A prioridade principal passou a ser a sobrevivência, colocando em segundo plano a educação universitária.

Mesmo a UFSC oferecendo auxílios, o valor não é suficiente para atender às necessidades de permanência dos estudantes, considerando o agravamento de indicadores econômicos. São dificuldades anteriores à pandemia, resultado de sucessivos cortes nas verbas da educação superior pública, já que os programas de assistência estudantil dependem dos recursos destinados à universidade. A proposta orçamentária da UFSC para 2021 ainda está sendo avaliada pelo Governo Federal,  e já prevê um corte de 19% em relação ao ano anterior, que já teve um orçamento reduzido. 

 Na tentativa de viabilizar a permanência, a Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis, (PRAE) criou o Cadastro Emergencial, que beneficiou cerca de 4.240 estudantes, com uma quantia de R$ 200. O objetivo é atender estudantes em situação de vulnerabilidade social, com renda per capita de até 1,5 salários mínimos. Esse recurso permitiu que estudantes que não recebiam benefícios da PRAE antes da pandemia se cadastrassem, tendo em vista novas situações de vulnerabilidade causadas pela pandemia. 

Além do Cadastro Emergencial, existem recursos específicos direcionados a alunos indígenas e quilombolas, e auxílios de inclusão digital, como chips de internet e apoio financeiro de R$ 100 mensais. A universidade também disponibilizou equipamentos aos estudantes. Ao todo, foram emprestados 1.440 equipamentos, entre computadores e tablets, para que os alunos pudessem acessar às aulas remotas. 

Evasão e Desigualdade Social

A evasão universitária está ligada a uma série de fatores, e um dos principais é a desigualdade social. A doutoranda em Administração Fernanda Souza conduziu uma pesquisa sobre a evasão entre os estudantes da UFSC no segundo semestre de 2020, analisando os motivos que levam uma pessoa a abandonar um curso. A partir dos dados foi possível identificar que “a permanência no curso depende principalmente da estrutura familiar do graduando, que foi mais abalada durante a pandemia. De forma geral, quanto menor a renda média da família, maiores as chances de o aluno evadir”. 

As taxas de evasão não cresceram apenas na UFSC, trata-se de uma tendência nacional. Dados da Semesp (Associação Profissional das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo) apontam que 608 mil alunos desistiram ou trancaram matrícula no Ensino Superior durante o 1º semestre 2020, o que representa uma taxa de evasão de 10,1%. 

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