Programas de computador possibilitam participação dos cegos nas redes sociais

fotoceldentroTexto e foto: Brenda Thomé (brendathome@gmail.com)

Maurício Padilha nasceu em Palmeira das Missões, no Rio Grande do Sul, mas sempre quis morar em Florianópolis. Tomou a decisão de se mudar depois que arrumou uma namorada que morava em Balneário Camboriú. Hoje, aos 22 anos, trabalha como auxiliar administrativo. Está na sexta fase do curso de Psicologia na Unisul, mas quer trocar  para Ciências da Computação, pois gosta mesmo é de programar. Na internet, costuma acessar Twitter, Facebook, sites de jogos. Também trabalha em conjunto com um amigo em uma empresa que hospeda sites chamada WebMega Space. Conheceu a atual namorada, Ingrid, de Brasília, pelo Facebook. Conversam há um ano e namoram há 2 meses. Ela já veio para cá uma vez para se encontrarem. Maurício tem uma vida extremamente parecida com a de qualquer jovem, com uma diferença: ele não enxerga desde os 7 anos.

Chegou a conhecer cores, rostos e formas, mas por causa de um glaucoma congênito perdeu a visão dos dois olhos. Logo depois, aprendeu braile. Estudou normalmente, na escola estadual que frequentava, uma professora  passava as provas e exercícios para o braile. Aos 16 anos começou a usar a internet sozinho, fuçando. Foi lá que teve contato com os primeiros softwares de leitores de tela, que tranformam o conteúdo dos sites em áudio, possibilitando o uso do computador para quem não enxerga e, é claro, fez vários amigos.

Ele conta que começou a viajar sozinho com 17 anos. Foi para o interior de São Paulo nas  férias para encontrar um amigo que conheceu na rede. Sua mãe ficou preocupada “vai que é algum maluco da internet”, mas não era.

O primeiro software que usou foi o DOS Vox, um projeto nacional que atualmente é coordenado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Lá havia um fórum onde era possível trocar ideias e links com outras pessoas, assim foi aprendendo e fazendo amigos. Hoje o programa leitor de tela que mais utiliza é o Jaws.

fotointernaA velocidade com que a voz lê o que está na tela é impressionante, mas Maurício entende tudo. “Eu estou muito acostumado e também é necessário ser muito rápido para conseguir acompanhar”. Ele explica que isso acontece por causa de alguns conflitos do próprio programa: “Ele foge muito do foco. Se estou lendo uma postagem no Facebook e alguém publica algo novo, o programa atualiza e foge de onde eu estava, volta para o começo. Por isso tem que ser tudo muito rápido pra não perder nada.” Existem vários outros programas que lêem a tela,como o NVDA e o Virtual Vision. Maurício garante que os computadores da Mac são melhores programados para acessibilidade, pois já têm leitor de tela no sistema, não precisa instalar. Além do computador, também existem programas desse tipo adaptados para o celular.

Os sites que têm versão para celular ou com HTML simplificado são mais facilmente reconhecidos pelos leitores de telas e garantem mais rapidez para quem usa esses programas. As postagens com imagens são um dos principais problemas, pois são percebidas apenas como um monte de códigos. Algumas páginas do Facebok já se preocupam em disponibilizar conteúdo acessível para esses internautas. É o caso da Interessante, que transcreve a imagem na legenda e criou um grupo de discussão para aprimorar a iniciativa.

Há também muitos encontros e congressos que tratam de tecnologia assistiva pelo Brasil. “Vêm pessoas do Brasil inteiro. Acaba-se conhecendo muitas pessoas, tem gente que aproveita para namorar, já saiu até casamento. Num encontro que fui no Paraná, conheci pessoas daqui de Florianópolis que eu não conhecia antes” – explica Maurício.

Maurício é apaixonado por informática. E pela namorada que conheceu nas redes sociais. Usa uma aliança de compromisso na mão direita, conversa sempre com ela pelo Facebook, Skype, Twitter. “É, a internet faz coisa” – garante.

Confira no primeiro vídeo como Maurício usa o celular e no segundo, uma explicação mais detalhada de como funcionam os programas leitores de tela no vídeo do canal Ponto de Vista:

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