Lontras em perigo em Florianópolis

Sarah Laís (srt.sarahlais@gmail.com)

Dos 17 estados que abrigam a Mata Atlântica, Santa Catarina está entre o grupo que apresentam o maior número de desmatamento, e devido a essa grande desarborização, surgem defensores de animais como o Projeto Lontra. A fundação SOS Mata Atlântica revela que o desflorestamento tem queda de 24% em todo o país, de 17 estados que abrigam a Mata Atlântica, somente três apresentam o aumento do desmatamento: Santa Catarina, Espirito Santo e Rio de Janeiro. Este desflorestamento fez com que a família Mustelidae começasse a desaparecer no Brasil.

As lontras são pequenos animais que vivem em lagoas, rios ou mares e entraram na lista de animais em extinção no Brasil. O animal que era facilmente encontrado por moradores próximos a rios, tem desaparecido drasticamente devido a depredação de seu habitat. Outro problema, é a utilização da pele desse pequeno animal em diversos países para confecção de casacos ou enfeites de chapéus. Preocupado com a espécie, em 1986, o oceanógrafo Carvalho Junior, criou o Projeto Lontra no sul da Ilha de Florianópolis com o intuito de preservar a espécie.

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Marcelo Tossati, coordenador do projeto, deixa claro que o maior desafio da Fundação é conscientizar os pescadores, que matam as lontras afirmando que elas acabam com os peixes do  local. Além disso, o animal tem enfrentado um grande predador, os cachorros da região. Muitas lontras tem sido atacadas e encontradas quase mortas, algumas não conseguem sobreviver, principalmente os filhotes. Outro problema que causa a morte destes têm sido os atropelamentos de carros.

A lontra é um animal de hábitos noturnos e por isso raramente é encontrada em seu habitat natural, além de ser de difícil reprodução. “As lontras fêmeas que vivem em cativeiro não se sentem a vontade de procriarem aqui, por mais que tentemos, nem no cio elas entram”, apontou Marcelo.

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Santa Catarina perdeu 672 hectares de mata atlântica em um ano, de acordo com o Atlas dos Remanescentes, isso equivale a quase mil campos de futebol. O número representa o aumento de 35% com relação ao ano de 2014. O desmatamento na capital, pode ser visível e notável pelos moradores mais antigos, montanhas verdes tem sido tomadas por construções de casas. “Há anos que eu vejo que o número de casas tem crescido a cada dia, mês ou ano. E imagino que os animais que vivem nessas áreas devem estar diminuindo”, conta Carla Kristina, moradora de Florianópolis. De fato, junto com o desaparecimento das matas, estão sumindo os animais e entre eles as lontras.

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A sobrevivência da lontra esta diretamente ligada a preservação e conservação da qualidade da água e corredores ecológicos. Porém, muitos estados tem se preocupado mais com a “floresta de pedra”, construindo casas e prédios no lugar de incentivar e demonstrar cuidados com o florestamento e áreas de preservação.

 

 

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