Livros criativos ganham espaço nas prateleiras e chamam atenção no mercado editorial

Texto: Marina Gonçalves (marinajulianag@gmail.com)
Vídeo: Marina Gonçalves e Beatriz Santini (beatrizfsantini@gmail.com)

Livros cheios de páginas para desenhar, se expressar artisticamente e desenvolver a criatividade: a descrição pode lembrar os livros que usamos na infância, mas hoje eles fazem parte de uma nova linha editorial que surge no mercado e que tem adultos como alvo principal.

O primeiro livro a chamar a atenção nessa categoria foi o Wreck This Journal – Destrua Este Diário, em português. O livro é da canadense Keri Smith e foi lançado em 2013 pela Intrínseca aqui no Brasil. Keri é uma artista conceitual e já tem uma lista de livros criativos como Termine Este Livro, How to be an Explorer of the World, This is Not a Book, Mess: A Manual of Accident and Mistakes – estes ainda sem tradução no Brasil.

Destrua Este Diário apresenta uma série de propostas criativas – ou até mesmo destruidoras – para serem desenvolvidas. Com essa ideia, a equipe do Cotidiano levou o livro e um kit de arte pro campus da UFSC num dia bonito de sol e deixou as pessoas à vontade para interagir com o livro da maneira que quisessem. Confira o resultado no vídeo abaixo:

(Nós recomendamos deixar as anotações ativadas pois há partes com legendas)

Outro lançamento que reafirma o sucesso desse tipo de obra é Uma Página de Cada Vez – Um Diário Diferente, do Adam Kurtz. Ele é um artista gráfico americano e este é o seu primeiro livro, lançado em agosto deste ano no Brasil pela editora Paralela. Adam contou que a ideia para este livro veio de um projeto pessoal e que despertou o interesse da editora americana Penguin.

“Todo ano eu faço uma agenda para mim. Eu imprimo e vendo no Kickstarter. Em 2013, uma editora da Penguin me enviou um email. Nos encontramos e ela perguntou se eu já tinha pensado em fazer um livro. Eu disse ‘eu não sei como fazer um livro’ e ela respondeu ‘você já tem um!”


Adam afirmou que o processo foi um pouco diferente dos trabalhos gráficos que ele estava acostumado. Toda  tipografia foi feita por ele e um amigo, garantido um produto final bem pessoal. Para a versão em português ele também foi o responsável pela parte gráfica e brincou sobre a experiência com a nova língua. “Foi um aprendizado para mim. Eu não sabia nenhuma palavra em português antes disso! Agora se eu for para o Brasil eu posso dizer… Página”.

Para ele, a proposta do livro era ser acessível para pessoas se expressarem, sem necessariamente precisar ser um artista “Às vezes o livro é obscuro e emocional. Fala sobre morte, coisas assustadoras, mas é feito de uma maneira para não deixar ninguém muito desconfortável. Foi um grande trabalho para encontrar o equilíbrio”.

Sobre o conceito de criatividade, Adam Kurtz acredita que pode ser aprendida e inspirada, por qualquer um, em qualquer lugar. “Criatividade é diferente para cada um. Normalmente nós pensamos em desenho e arte tradicional como criatividade. Eu acredito que criatividade é qualquer tipo de pensamento não-tradicional”.

MERCADO NACIONAL

No Brasil ainda não há um movimento tão forte, mas o mercado abre espaço para publicações que fogem do tradicional. A Lote 42 é uma delas: João Varella, um dos três responsáveis pela editora, contou que optou por essa linha editorial porque “já tem muita gente fazendo o feijão com arroz” e “era hora de oferecer uns pratos mais elaborados para o pessoal”.

Apesar de ainda não haver uma procura massiva por esses livros, João acredita que pode ser uma nova tendência no mercado. “O livro tem extrapolado cada vez mais suas possibilidades de leitura. Sinto que estamos no começo de uma nova onda de publicações extremamente criativas. No nosso caso, essa demanda está no nosso DNA. As outras editoras que estão acostumadas a fazer livros comuns, de projeto gráfico padronizado, terão de se adaptar para embarcar nesse trem.”

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