LIBRAS – muito além do Português

Texto e Arte: Natália Duane de Souza (nataliaduanedesouza@gmail.com)

Os servidores da Assembléia Legislativa do Estado (ALESC) participam de um curso de introdução à Linguagem Brasileira de Sinais (LIBRAS) até o final de novembro. A iniciativa provém da necessidade de capacitar os funcionários para se comunicarem com um  dos dez estagiários com algum tipo de deficiencia física que começou a trabalhar no local no último mês. A contratação se deve ao Programa ALESC Inclusiva, projeto que tem como objetivo a inclusão de alunos do ensino fundamental, médio e superior com algum tipo de deficiência. Outros dez estudantes devem começar a estagiar na ALESC para preencher as vagas remanescentes.

João Gabriel Ferreira, aluno da 5ª fase de LIBRAS da UFSC, foi convidado para ministrar as aulas e explicar a importância da linguagem de sinais. Surdo total, João sabe bem das dificuldades que os estagiários podem passar. “É como um estrangeiro que fala alemão vir para o Brasil sem saber português, ele não entende nada”. Desde pequeno, ele foi incentivado pela família a falar; ia à escola sem ter auxilio de intérpretes durante as aulas, mas tinha que estudar muito mais, depender de livros e aulas particulares para garantir boas notas. “Passei quinze anos aprendendo a falar, mas em um ano consegui aprender a linguagem de sinais”.

Assim como aprendemos português ou outra língua falada de forma natural, os surdos aprendem a linguagem de sinais. O reconhecimento no Brasil como  idioma, com estruturas gramaticais e léxicas próprias, ocorreu somente em 2002, embora seja praticado desde o começo do século XX, graças ao francês Eduard Huet. Em 2005, o ensino de LIBRAS se tornou obrigatório através do decreto nº5.626 em instituições públicas, medida que tem como objetivo difundir o seu uso. O artigo 22 do mesmo decreto garante aos alunos surdos interpretes nas salas de aula, acabando com a imposição da fala.

Confira mais informações sobre a linguagem de sinais abaixo:

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INTÉRPRETES NA UFSC

Nesta semana, um novo intérprete começou a trabalhar no campus da UFSC e outro inicia na próxima semana. Para a coordenadora dos Intérpretes, Daniela Bieleski, esse número não é suficiente mesmo contanto com novos funcionários. Os nove membros da equipe , além de auxiliar quase 200 pessoas, incluindo alunos de graduação, de pós-graduação e professores, precisa traduzir eventos e reuniões. Segundo a intérprete, turmas inteiras já foram prejudicadas, pois o professor era surdo e havia alunos que não o entendiam.

Em setembro, os alunos do curso de LIBRAS fizeram protestos reivindicando não somente mais interpretes, mas também a obrigatoriedade do ensino superior, garantida por decreto – docentes de ensino médio e ensino superior devem ser formação em curso de graduação LIBRAS. “Queremos a língua de sinais com o mesmo status de outras línguas”, disse João Gabriel.

Um comentário em “LIBRAS – muito além do Português

  • 25 de outubro de 2013 em 14:49
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    É muito importante a capacitação de funcionários para que se possa estabelecer a comunicação com usuários da Libras. Porém, ela precisa ser contínua (não se aprende uma língua em dois meses).
    A Libras, como foi citado acima, é uma língua oficial reconhecida pela lei 10.436/2002. Portanto o termo “linguagem” não está sendo utilizado corretamente neste caso: “A linguagem é a capacidade que os seres humanos têm para produzir, desenvolver e compreender a língua e outras manifestações, como a pintura, a música e a dança. Já a língua é um conjunto organizado de elementos (sons e gestos) que possibilitam a comunicação. Ela surge em sociedade, e todos os grupos humanos desenvolvem sistemas com esse fim. As línguas podem se manifestar de forma oral ou gestual, como a Língua Brasileira de Sinais (Libras).” http://revistaescola.abril.com.br/fundamental-2/qual-diferenca-lingua-linguagem-687749.shtml

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