Festas na UFSC – Barulho incomoda vizinhos

Texto: Mariana Rosa (mari.rosa.90@gmail.com)

Dar boas vindas aos calouros ou comemorar o final de semestre, conhecer novas pessoas e rever amigos, curtir uma banda alternativa. As festas na UFSC costumam garantir a diversão do público. Mas, para quem mora no entorno do campus da Trindade, em Florianópolis, o efeito pode ser exatamente o contrário devido ao som alto das bandas ou mesmo dos frequentadores, que continuam a balada madrugada adentro.

Segundo a Ouvidoria da UFSC, as reclamações aumentaram nos últimos meses. Já foram registradas 32 em 2013, contra 24 em todo o ano passado. Aparentemente, isso se deve a uma situação específica: o Encontro Nacional de Estudantes de Economia (ENECO), que ocorreu de 4 a 11 de agosto. As festas realizadas nas sete noites do evento, todas autorizadas pela PRAE- Pró-reitoria de Assuntos Estudantis, e pela Fundação Municipal do Meio Ambiente (Floram) deixaram um saldo de pelo menos 11 queixas formais.

Foi durante a realização do ENECO que Marcela Lin, moradora da Carvoeira há três anos, se sentiu incomodada com o som alto. “Já fui estudante da UFSC, participei das festas. O problema não é ter festa, mas não cumprir a regra”, desabafa Marcela que registrou a primeira reclamação na noite de domingo (4), passou a semana toda sem conseguir dormir.

Marcela registrou o barulho de uma das festas em um vídeo gravado no seu apartamento, próximo à rótula da Carvoeira. Confira abaixo:

Segundo a Resolução de Festas, os eventos precisam de autorização da Floram para o uso de fonte sonora e o volume máximo permitido é de 55 decibéis durante o dia e 50 decibéis no período noturno.

Para que este último aspecto seja cumprido, a PRAE dispõe de um aparelho medidor de volume. Segundo o diretor do DESEG, Leandro Oliveira, ao receber reclamações de barulho, a segurança orienta os organizadores do evento a medir o volume no local e nos arredores da festa.

No entanto, Oliveira admite que o procedimento não garante que o problema seja resolvido, devido à diferença na propagação do som. Segundo ele, frequentemente se observa que o barulho está mais alto na proximidade das casas do Pantanal, por exemplo, do que nos arredores das festas, geralmente realizadas na Praça da Reitoria ou na Concha Acústica.

A gerente de Poluição Sonora da Floram, Adriana Teixeira, reforça que nestes casos o ideal é que a medição de volume seja feita diretamente da casa do reclamante – procedimento que o órgão municipal faz quando há registro de reclamação de um evento autorizado pelo mesmo, como no caso das festas na UFSC. “A reclamação pode ser feita em qualquer Pró-cidadão ou diretamente na Floram”, lembra Adriana.

Outra solução, a longo prazo, para o problema seria a destinação de um local fechado para as festas. Segundo o presidente da Comissão de Festas,  Sergio Luis Schlatter, a questão já foi discutida, mas ainda não há consenso sobre uma proposta específica. Schlatter lembra que, por hora, segue em vigor a política transitória de autorizar somente uma festa por semana, sempre às sextas-feiras.

Um comentário em “Festas na UFSC – Barulho incomoda vizinhos

  • 2 de setembro de 2013 em 15:49
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    Se todos os incomodados pelas festas na UFSC reclamassem, provavelmente chegaríamos facilmente a uns 15.000.
    Seria fácil se a Polícia fizesse um levantamento de ligações…
    Quem vai se dar ao trabalho de ir até o pró-cidadão reclamar algo que não vai ter qualquer tipo de resultado prático?
    A verdade é uma, a UFSC está zombando de todos os moradores do entorno e prova maior e este plesbicito para os alunos…
    Se qualquer estabelecimento comercial precisa fazer tratamento acústico para funcionar dentro da legalidade, e qualquer cidadão que incomodar os vizinhos após às 22:00 horas está sujeito a visita da polícia, por que a UFSC pode literalmente jogar merda nos nosso ouvidos sem ser incomodada?

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