Disseminação de covid-19 pelo interior do Brasil já era prevista, diz pesquisador

Agravamento da pandemia cresce com o relaxamento de políticas de isolamento social

Reportagem por Raisa Gosch

O Brasil vive seu período mais alarmante desde do início da pandemia de covid-19. No último mês, assumiu a liderança global do ranking de países com mais mortes diárias pelo coronavírus, de acordo com dados da plataforma “Our World in Data”, ligada à Universidade de Oxford. Nesta segunda quinzena de abril, o país já passa de 381 mil vítimas da pandemia. 

O agravamento da tragédia já era previsto, principalmente nas cidades do interior, de acordo com o pesquisador Wesley Cota, da Universidade Federal de Viçosa, Minas Gerais. Wesley pesquisa a disseminação de epidemias em Redes Complexas. Junto com Guilherme Henrique e Sílvio Costa, este último professor do Departamento de Física da UFV e membro do Programa de Pós-Graduação em Física, desenvolveram o projeto “Modelagem matemática da disseminação geográfica da COVID-19” do Programa de Combate a Epidemias, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). 

O estudo faz o monitoramento contínuo do avanço da covid-19 nas 5.570 cidades do Brasil. Através da pesquisa, foi possível observar que, em médio e longo prazo, novos surtos ocorrem após o relaxamento das restrições de isolamento social. Uma das conclusões explícitas da pesquisa é a importância do isolamento social e do respeito da população às medidas restritivas e sanitárias adotadas. Os pesquisadores simularam três cenários de confinamento no interior do Brasil: moderado, forte e sem confinamento.

Veja as diferenças na sequência de vídeos abaixo.

O trabalho foi inspirado no modelo proposto recentemente pela Espanha, onde dados demográficos, epidemiológicos, comportamentais e de mobilidade são usados para estudar o avanço da doença. Por meio do projeto desenvolvido pelos pesquisadores brasileiros, é possível estimar numa escala de país continental como o Brasil, o número de casos de covid-19 em todos os municípios brasileiros e não apenas nas grandes capitais.

Até o momento, esse é o único modelo que mostra com precisão a evolução da pandemia no país. A pesquisa desenvolvida por Wesley e Sílvio também pode ajudar órgãos sanitários a contabilizar leitos disponíveis e equipamentos essenciais para o tratamento.

Como ressaltado pelo pesquisador, o governo brasileiro demorou para dar a atenção necessária à pandemia e aos municípios do interior do país, em relação ao avanço da doença. Esse atraso se reflete agora no número cada vez maior de mortes, hospitais lotados e falta de equipamentos e insumos em quase todo o país. 

Wesley explica que não é possível estimar quantas mortes poderiam ter sido evitadas, caso o governo brasileiro tivesse assumido uma postura correta diante do avanço da pandemia. Ainda assim, a pesquisa que desenvolve pode, a partir de agora,  fornecer cada vez mais um diagnóstico preciso para os municípios, permitindo que se planejem as medidas necessárias para cada cidade. 

A pesquisa desenvolvida sobre  a “Modelagem matemática da disseminação geográfica da COVID-19” dos pesquisadores faz parte do Programa de Combate a Epidemias da Capes. Para acessar a pesquisa completa  “Modelagem matemática da disseminação geográfica da COVID-19” e a todo o levantamento de dados feito até agora no Brasil clique aqui.

Assim como esta, outras pesquisas também estão sendo feitas e aplicadas no Brasil no combate à covid-19.  Para fazer download da revista completa clique no botão abaixo

 

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