Dieta das cavernas

Texto: Natália Pilati (natt.ufsc@gmail.com)

Uma alimentação similar a de nossos ancestrais que viveram antes da revolução agrícola, entre 2,5 e 11 milhões de anos atrás, como forma de retomar uma vida saudável e eliminar doenças. A Dieta Paleolítica já tem uma extensa lista de seguidores nos Estados Unidos e, nos últimos anos, tem conquistado adeptos no Brasil.

Seus defensores argumentam que os hábitos alimentares que criamos baseados em um consumo exagerado de carboidratos e comidas processadas são estranhos e danosos ao corpo humano e por isso temos nos tornado pessoas doentes. A solução seria aumentar o consumo de proteína animal e de gorduras saudáveis e eliminar todo o “lixo” de nossa dieta: laticínios, pães, massas, bolos, e mesmo cereais integrais e grãos.

piramide alimentar paleolítica

De acordo com o médico americano Loren Cordain, que se auto-intitula um dos maiores experts da dieta paleolítica, esses alimentos não seriam bem absorvidos por nosso organismo. Em entrevista concedida à revista Superinteressante, ele argumenta que uma das evidências dessa rejeição é o fato de 65% da população mundial ter intolerância a lactose e 10 a 15% da populacão americana ser alérgica à glúten. Portanto, fontes de carboidrato mais apropriadas ao seres humanos seriam as frutas e verduras, que além de substituí-los, seriam nutricionalmente superiores.

Como recompensa à retomada da alimentação do homem da pedra, nos livraríamos de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, câncer, doenças auto-imunes, osteoporose, acne, miopia, glaucoma, hemorróidas, varizes e refluxo gástrico.

Mas se por um lado, a dieta usa de argumentos consensualmente aceitos por profissionais da saúde, como a importância da ingestão de proteína e os malefícios dos alimentos processados, seu caráter restritivo e outras recomendações como a alternância de períodos de jejum com refeições fartas – o chamado jejum intermitente – são questionáveis. Segundo o médico do exercício, Pedro da Luz Rosa “A ideia de comer de três em três horas, recomendada por muitos profissionais, foi inventada com o intuito de manter o corpo humano sempre saciado para que ele não pense em acumular calorias na forma de gordura. Essa tática do jejum alternado com alimentações calóricas é usada no intuito de enganar o organismo. É um método usado principalmente por fisioculturistas para perda de peso. Mas não é um hábito saudável, principalmente se praticado com frequência.”

Rosa diz que “a dieta tem alguns preceitos válidos porque busca reequilibrar o consumo de proteínas e de carboidratos. Já se provou que a pirâmide tradicional a que estamos acostumados, baseada no alto consumo de pães e massas, está totalmente errada. Precisamos de proteína não só para criar massa muscular, mas para a renovação celular, constituição de cabelo, unha etc., e a substituição de cereais por frutas e verduras, inicialmente, não representa um problema. Mesmo assim, isso não significa que a dieta paleolítica seja a mais fácil nem a melhor. A melhor dieta continua sendo a do bom-senso.”

 

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