Deixa tocar

Texto: Marília Quezado (mariliaquezado@gmail.com)
Foto e vídeo: Divulgação

Quem nunca atendeu o telefone enquanto estava dirigindo? Em São Paulo, foram cerca de 1.014 motoristas notificados por uso do aparelho no trânsito, por dia, somente neste ano. Isso resulta em mais de 40 casos por hora, e esse são apenas os ocorridos em flagrante. Apesar de não existirem dados brasileiros sobre os acidentes causados exclusivamente pelo uso de celular, uma pesquisa da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego mostra que essa, entre outras distrações, é responsável por 30% dos acidentes de trânsito.

celular

Nos Estados Unidos, a National Safety Council (NSC) revelou que um em cada quatro acidentes de trânsito naquele país é causado por uso indevido de telefones ao volante. A perda de atenção dos motoristas pode chegar a 50%. O hábito de trocar mensagens enquanto dirige, que cresceu de 0,9% (2012) para 1% (2011) e depois para 5% (2012), também é considerado extremamente perigoso, já que exige que o motorista desvie os olhos constantemente para a tela do aparelho.

Como resultado do crescimento no número de acidentes em todo o mundo, a Organização das Nações Unidas (ONU), por meio da Organização Mundial de Saúde, lançou o plano Década de Ação pelo Trânsito Seguro 2011-2020, na qual os países se comprometem a desenvolver ações para reduzir, em 50%, o número de acidentes de trânsito, que mata cerca de 1,3 milhões de pessoas por ano, sendo 42 mil brasileiros, além de deixar de 20 a 50 milhões de pessoas feridas. No Brasil, o plano se traduziu na campanha PARADA – Pacto Nacional pela Redução de Acidentes.

Nesse ano, o governo começou a focar nos acidentes causados pelo uso de celular. A campanha já chegou a Florianópolis, em outdoors e com o aumento da fiscalização do trânsito, principalmente na rodovia SC 401 e com blitz durante a noite. Quem for pego conversando ao celular (mesmo pelo fone ou viva-voz) pode ser multado em R$ 85,13 e somar 4 pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Os acidentes que resultarem em morte, segundo o Tribunal Federal Regional da 1ª Região (TRF-1), em Brasília, serão julgados como crime doloso, quando há a intenção de matar ou se assume o risco, e pode resultar em uma pena se 20 anos de prisão.

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