Jornalismo UFSC recebe a jornalista Daniela Arbex

 

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Daniela Arbex durante palestra no curso de Jornalismo da UFSC. Foto: Júlia Mallmann.

A Aula Magna de abertura do semestre 2018.1,  do curso de Jornalismo da UFSC, foi realizada nesta segunda (26) e recebeu a jornalista Daniela Arbex que, além de palestra, fez a divulgação de seu livro-reportagem Todo dia a mesma noite, que trata do incêndio da boate Kiss, em Santa Maria, Rio grande do Sul e que matou 242 pessoas.

Com o auditório Henrique da Silva Fontes (Bloco B do Centro de Comunicação e Expressão da UFSC) lotado, a jornalista e escritora Daniela Arbex começou sua palestra falando sobre as reportagens que marcaram o início da sua trajetória jornalística. Formada em Comunicação Social desde 1991, a jornalista de 44 anos comenta o papel do jornalismo investigativo na construção da história de um país. “Somos essencialmente contadores de histórias”, pontua a jornalista.

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Daniela Arbex durante palestra na Aula Magna do curso de Jornalismo da UFSC. Foto: Júlia Mallmann.

Durante sua fala, Daniela resgatou as reportagens, realizadas no jornal Tribuna de Minas (Juiz de Fora, Minas Gerais), que proporcionaram a ela a experiência para então escrever as grandes reportagens que se tornaram livros. O livro Holocausto brasileiro (2013) conta a história de um hospício localizado na cidade de Barbacena, Minas Gerais, onde milhares de pessoas foram internadas, torturadas, violentadas e mortas – muitas vezes sem o diagnostico de uma doença mental. A produção, com mais de 300 mil cópias vendidas, rendeu o título de Melhor Livro-Reportagem do Ano pela Associação Paulista de Críticos de Arte (2013) e segundo melhor Livro-Reportagem no prêmio Jabuti (2014). Também, em 2016, virou documentário com a direção de Daniela e produção exclusiva da HBO com exibição para 40 países.

Seu mais recente trabalho, Todo dia a mesma noite, narra a história do incêndio que matou 242 jovens na Boate Kiss, em Santa Maria, Rio grande do Sul, no dia 27 de janeiro de 2013. Daniela contou que o trabalho de apuração dos fatos abordados no livro durou 2 anos e 5 viagens até a cidade, quando ficava, em média, 20 dias entrevistando e ouvindo as fontes. Para ela, a construção da memória coletiva é uma forma de buscar justiça. Questionada sobre a sensação de gratificação de escrever o livro, a jornalista respondeu que o que mais a marcou foi quando a mãe de uma das jovens mortas no incêndio lhe disse: “receber seu livro é como receber minha filha de volta”.

Para Daniela a sorte não existe.  “Investigação é suor”. Complementou dizendo que jornalistas escrevem para o outro e que a boa apuração é base para a produção de seus livros: “às vezes você usa 10% do que apurou, mas aquelas informações lhe dão segurança pra seguir”. Enfatizou que a a boa apuração sempre foi pré-requisito para suas reportagens já que vem de um jornal pequeno que não suportaria os gastos com a defesa de um processo, por exemplo. Depois do encerramento, Daniela Arbex realizou a divulgação e uma sessão de autógrafos do livro Todo dia a mesma noite. 

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Aula Magna do curso de Jornalismo da UFSC. Foto: Júlia Mallmann.

Na abertura da sessão, às 8h30, os presentes realizaram um minuto de silêncio pelo assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL/RJ). A  Aula Magna foi  organizada pelo Departamento de Jornalismo e teve como coordenador o professor Samuel Lima.

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