Comida árabe na Feirinha da UFSC

Natália Huf (natalia.huf@gmail.com)

“Se não gostar, não paga.” O desafio que Yahya Zakaria Alnablsi faz aos que experimentam o falafel, quibe e o “quibe de batata” na Barraca do Sírio nunca falhou. O refugiado, que chegou ao Brasil em 2014, hoje trabalha como feirante, vendendo comidas típicas árabes em feiras da cidade. “Eu nunca tinha cozinhado na vida antes de vir pra cá. Minha mãe me ensinou tudo por Skype. Faço tudo sozinho, saem 30 quibes por hora.”

Yahya — nome árabe para o profeta João — saiu da cidade de Damasco, capital da Síria, em 2013. Fez a travessia para a Jordânia, onde ficou por dez meses, antes de decidir vir à Florianópolis. A decisão veio com o acordo entre a Organização das Nações Unidas (ONU)  e o Ministério de Relações Exteriores brasileiro, para conceder vistos de turista aos refugiados da guerra que apresentassem o pedido de entrada nas embaixadas da Turquia, Líbano e Jordânia (a embaixada em Damasco foi destruída no conflito). O visto de turista pedidos nestes países passaram a ter o custo de 20 dólares, e permitiriam que os refugiados passassem três meses no Brasil.

“Entrar num avião e vir para o Brasil era uma ideia melhor do que pagar dois mil dólares pela travessia de barco até a Grécia, e não ter certeza de que não ia morrer no mar.” Pesquisando sobre o Brasil, Yahya encontrou a capital catarinense, e achou que seria uma boa opção. Seu irmão, que o acompanhou na viagem, decidiu morar em São Paulo. “A gente vê que São Paulo, Rio de Janeiro… Essas cidades tem tanto crime e tantas mortes quanto tinha lá na Síria. Aí vim pra cá. É mais seguro.”

Chegando em Florianópolis, recebeu uma cesta básica e conseguiu uma bolsa para o primeiro semestre do curso de Português para Estrangeiros na UFSC. Não tinha trabalho nem lugar para morar, não conhecia a cultura e a língua da cidade. Trabalhou por quatro meses na lanchonete do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFH) da UFSC, recebendo um salário de 1.020 reais — esse dinheiro, guardou todo. Durante esse tempo, morou na casa de amigos, que o ajudavam com comida e roupas.

Quando a lanchonete do CFH fechou, Yahya ficou sem trabalho. Mesmo registrado desde 2014 no Instituto de Geração de Oportunidades de Florianópolis (IGEOF), não havia vagas. Na Síria, era gerente de vendas da LG na região de Damasco, e também tinha sua própria empresa de assistência de celulares. Formado, Yahya tem diploma em Gestão e estudava Administração, até precisar sair de seu país. Esse ano, conseguiu ser registrado na Feira da Maricota, no Centro de Florianópolis. Agora, começou a vender comida típica síria na feirinha da UFSC, que acontece toda quarta-feira em frente à Reitoria, no campus Trindade.

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