Cicloturismo em Floripa

Texto: Daiane Nora (kizi_201@msn.com) e Andressa Santa Cruz (santacruzandressa@gmail.com)

Sentir o vento batendo no rosto, escutar os sons dos pássaros e animais típicos da região, perceber o cheiro das árvores e flores são experiências únicas que o Cicloturismo proporciona aos seus participantes. O Cicloturismo é uma modalidade de ciclismo que não busca competir, e sim conhecer novos lugares, pessoas e culturas. O cicloturista é aquele que realiza desde uma viagem, até um passeio de algumas horas de bicicleta, com o objetivo de visitar lugares por lazer. Florianópolis, polo turístico catarinense, tem atraído os cicloturistas com sua magia, com os barcos de pesca, o folclore, as rendeiras, a cultura açoriana. Além disso, suas mais de 100 praias enfeitiçam aqueles que procuram pelas belezas naturais.

Segundo Eduardo Green, um dos fundadores da operadora especializada em cicloturismo Caminhos do Sertão, os ciclistas preferem lugares bonitos e naturais ao invés da parte histórica e arquitetônica da região; o contato com a natureza e com os moradores locais são seus principais interesses. Apesar disso, o serviço conta com a presença de guias turísticos e roteiros que cercam áreas históricas da cidade. Só em 2015, o negócio atraiu cerca de 300 ciclistas. “Nosso serviço se consolidou nos últimos dois anos e estamos atraindo cada vez mais pessoas”. Além do crescimento da empresa, também houve um aumento mundial na procura pela prática, que fomentou o mercado na Ilha e incentivou mais pessoas a investir no ramo, como o jornalista Fábio Almeida.

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Aos 15 anos, Fábio juntou os amigos da rua e fez seu primeiro longo passeio de bicicleta, pedalando em chão batido por mais de 100 km pelo interior do estado de São Paulo. Desde então, viajar sobre duas rodas se tornou um hobby que o acompanha a mais de duas décadas. “Em 2009, eu criei o blog Pedal Nativo para registrar as minhas aventuras, mas foi só depois de 17 anos de vida corporativa que eu decidi abandonar meu emprego e abrir meu próprio negócio na área”, explica Almeida, se referindo a sua nova atividade profissional: o Cicloturismo. Para estar preparado a todos os tipos de situação, Fábio está fazendo um curso de primeiros socorros, mas ressalta que nunca viu acontecer nenhum acidente grave. Ele também atenta para o uso de equipamentos de segurança, luva, capacete, sinalização noturna, além das noções de comportamento no trânsito.

Aline Maria Mafra é outro exemplo de pessoa que adaptou a vida em função da paixão pela bicicleta. Ao contrário de Fábio, o ciclismo veio depois do turismo. “Eu e meu marido queríamos fazer o Caminho de Santiago sem ser de carro e escolhemos a bicicleta como alternativa”. Para realizar isso, o casal decidiu comprar duas Mountain Bikes e começar a treinar. Aline ressalta a importância de se habituar a andar de bike antes de se aventurar em longas viagens: “Em Florianópolis há muitos grupos de pedal noturno que ajudam os ciclistas a desenvolverem condicionamento físico”. Depois de pedalar milhares de quilômetros pela Europa e a América Latina, Aline se inspirou na ideia de Fábio e criou um blog, o Bela na Bike. “Lá eu divido com o público, desde dicas de roteiros de viagem, até como passar maquiagem quando for pedalar” destaca Aline, comprovando que é possível ser vaidosa mesmo sobre duas rodas. “Hoje em dia eu tento fazer tudo de bicicleta. Vou para o trabalho pedalando e as vezes até vou de salto alto ou de saia mesmo. Toda vez que compro uma roupa nova, confiro se ela é confortável para pedalar”. Apesar de continuar atenta ao visual, ela aprendeu com a bicicleta a se desprender dos padrões sociais: “Em todas as fotos que eu tirei no Caminho de Santiago eu estou com o mesmo casaco laranja. Não da para levar muita bagagem, então a gente acaba praticando o desapego e aprendendo a aproveitar a viagem sem se preocupar se está ou não usando a mesma roupa todos os dias”.

A bicicleta tem sido cada vez mais escolhida como veículo de turismo. Ela é uma maneira ecológica, econômica e saudável de se transportar. Independente do destino do cicloturista, ele costuma ser recepcionado mais calorosamente que um viajante comum. Seja para ir ao centro da cidade ou cruzar um continente, a bike pode se tornar um fiel escudeiro para vivenciar toda sua trajetória. E, no fim, levar consigo uma bagagem de histórias que jamais caberão em um porta-malas.

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