As mãos que reciclam Floripa

Ana Luisa Nascentes e Fernanda dos Santos

Depois de dez anos como sonho da comunidade da Serrinha, Recicla Floripa foi criada em 2013, com a cessão de um terreno e um prédio por parte da prefeitura. A iniciativa pagava, no início, 100 reais por mês a cada funcionário, e hoje é a grande responsável pela renda de oito famílias. Garrafas de vidro vazias em engradados, apostilas universitárias, marmitas de isopor usadas, embalagens de refrigerantes compactadas, latas de cerveja amontoadas e pilhas de caixas de papelão. No meio de tudo, oito pessoas. Oito pessoas responsáveis por um dos três barracões de reciclagem de lixo em Florianópolis.

Marisa da Silva, 28, não é só mãe de seus dois filhos que estão em casa, mas também “mãe” dos outros sete colegas de trabalho. Hábil com as palavras, espírito de liderança visível. Marisa trabalha ali desde o início, há três anos. Cuida da burocracia da associação, faz os pagamentos e organiza as reuniões. É a voz do grupo e a representante em eventos de catadores de lixo. Leva a vida sorrindo, leve. “A gente tem que trabalhar em união, se não nós não produzimos, e se não produzir a renda de todo mundo cai”, conta rindo.

O lixo é fornecido pela Companhia de Melhoramentos da Capital (Comcap) e chega duas vezes por dia. Muito do que recebem não é reciclável e acaba sendo descartado. A parte que não é aproveitada vai para o aterro sanitário. Assim que passa pela triagem, o lixo é separado dentro das bags, grandes sacolas de plástico. E segue para a prensa, onde são montados os pacotes que mais tarde são vendidos para as empresas de reciclagem. O vidro é o único material que não é prensado, as garrafas e potes são vendidos inteiros por unidade.
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A UFSC e a educação ambiental

É fato que “ser sustentável” virou tendência no mundo, é considerado chique e inovador, mas longe do glamour do capitalismo, barracões como esse contribuem com o meio ambiente.

Para que a sustentabilidade fosse aplicada da melhor maneira possível, a associação conta hoje com a ajuda do Núcleo de Educação Ambiental (Neamb) da UFSC. Um grupo de quatro estudantes compõe um projeto de extensão que visa melhorar o rendimento do barracão, sempre pensando no meio ambiente. Muitas vezes passam pelas mãos materiais que colocam os trabalhadores em risco. Por isso um dos avanços após a vinda do projeto da UFSC para a associação foi a aquisição de equipamentos de proteção individual adequados. Como luvas e sapatos de borracha fechados.

Alexandre dos Santos, estudante de Engenharia Sanitária e Ambiental, lembra rindo do dia em que passaram no barracão aprendendo o ofício “a gente achou que estava fazendo tudo direitinho, mas aí aprendemos como realmente devíamos trabalhar. Foi importante pra gente poder ‘colocar a mão na massa’ junto com o pessoal”. Alexandre e seus colegas não deixam de frisar a importância do trabalho de reciclagem e contam que infelizmente só 15% do lixo, que poderia ser reciclado, passa de fato por esse processo na ilha de Florianópolis.

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