Amores possíveis

Texto: Marília Marasciulo (mariliamarasciulo@gmail.com)

Fotos: Arquivo pessoal, Bruno Araújo e Renata Dalmaso.

No primeiro dia dos namorados em que o casamento gay é permitido legalmente em Santa Catarina, conheça as histórias de amor de casais que agora podem oficializar a união.

Inseparáveis

Eles trabalham juntos, moram juntos, cuidam dos 16 animais de estimação juntos. Desde o dia em que se conheceram, há três anos, Bruno Araújo e Sergio Cardoso não desgrudaram mais. “Eu costumo dizer que a gente se casou logo no primeiro dia que nos conhecemos”, diz Bruno. “Casou nada, ele invadiu minha casa, minha vida, tudo”, responde Sergio, rindo.

Foi no início de julho de 2010, Bruno estava se formando no curso de Turismo e Hotelaria em Florianópolis e prestes a voltar para Minas Gerais, seu estado natal, e um amigo em comum resolveu apresentar os dois.

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O plano era que o encontro acontecesse num barzinho, mas Sergio buscou Bruno no hotel e, no caminho, a conversa fluiu de tal maneira que quando os dois chegaram ao local pareciam se conhecer há anos. “Acho que o amigo ficou até com ciúmes, ele perguntou ‘vem cá, vocês já se conheciam?’”, lembra Sergio.

Pronto. Em pouco tempo, tornaram-se muito presentes na vida um do outro – tão presentes que recentemente resolveram separar os quartos na casa que dividem no Rio Vermelho. “A gente está sempre pensando em coisas inteligentes para sair da rotina, como pegar um domingo e ir para uma praia distante só nós dois”, diz Sergio.

Eles concordam que a espontaneidade das pequenas mudanças e surpresas é que faz o relacionamento dar certo. “Se não é muito fácil cair no lugar comum”, Sergio completa. Para Bruno, funciona tão bem que, agora, até passar a noite no quarto do outro se transformou em um programa de lazer.

No meio da rotina, às vezes fica difícil comemorar datas como o dia dos namorados, especialmente quando caem no meio da semana. Bruno confessa que não pensou em nada. Sergio brinca e fala que já planejou tudo: Bruno vai cortar a grama, cuidar dos cachorros… Rindo, ele explica que não adianta forçar a barra e se obrigar a comemorar, o que pode acabar virando um problema. Bruno define: “A gente procura se agradar no dia-a-dia”.

Vida a distância

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Renata Dalmaso e Thayse Madella vivem uma situação oposta a de Bruno e Sergio. A primeira noite que ficaram juntas acabou com Thayse deixando Renata no aeroporto. “Eu costumo dizer que nossa vida começou a distância”, conta Renata.

Elas se conheceram há oito anos, quando Thayse entrou no curso de Jornalismo da UFSC e Renata estava se formando. O cupido, desta vez, acabou sendo uma amiga de Thayse que estava a fim de Renata.

Mas as duas demoraram um pouco mais que Sergio e Bruno até começarem a namorar – foi em 2012, depois de terem se tornado amigas enquanto tomavam café depois das aulas que cursavam juntas no curso de Letras/Inglês. E, desde então, o relacionamento foi marcado pela distância: Renata iria passar um ano da pós-graduação em Michigan, nos Estados Unidos, sete meses depois do início do namoro. “Era meio que um namoro com prazo de validade, porque Renata sempre dizia que não queria namorar a distância”, lembra Thayse.

No meio do prazo, outra viagem de Renata acabaria estendendo a data de validade – indefinidamente, visto que elas planejam se casar em 2015, e amiga-cupido vai ser a madrinha. Após passar um mês na Europa, Renata disse a Thayse que havia mudado de ideia.

O bom de morar fora – pelo menos para Renata, que gosta de gestos românticos e datas comemorativas – é ter dois dias dos namorados (nos Estados Unidos, o dia de São Valentin é festejado em fevereiro). Na data de lá, Renata publicou no Facebook uma declaração de amor para Thayse . E sabe o que teria feito se estivesse aqui: levaria a namorada ao Caravanas, um bar frequentado por gays que tem uma programação especial no dia dos namorados.

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O namoro das duas é cheio de símbolos. Os mais icônicos, talvez, sejam os anéis de jade que são uma espécie de aliança – e Thayse quebrou três deles. O primeiro, trazido do Taiwan. O substituto, Renata encomendou pela internet. E o terceiro, ela encontrou na Chinatown de Boston. “Agora eu já até abracei a causa, acho que minha sina é dar anéis para a Thayse”, ela diz, rindo. “Se eu soubesse antes teria comprado um saco de anéis no Taiwan.”

Thayse carrega esses símbolos aonde quer que vá: uma correntinha de trevo de quatro folhas, uma meia colorida – “adoro meias bregas, e a Renata sempre me traz uma das viagens” –, uma camiseta com uma mensagem divertida. Menos o anel, que ainda não foi substituído.

O dia dos namorados deste ano elas vão comemorar daqui a duas semanas, quando Renata voltar – definitivamente — para o Brasil. E, embora Thayse admita não ser tão criativa nos gestos românticos como Renata, ela afirma já ter preparado uma surpresa para a namorada.

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