Alunos do curso de cinema da UFSC entram em greve estudantil

Texto: Bruna Ritscher (brunaritscher@gmail.com)

O receio de ter o curso suspenso pelo MEC e para reivindicar as melhorias que há muito já poderiam ter sido realizadas, os estudantes do curso de cinema da UFSC começaram, nessa segunda-feira, uma greve estudantil. Os alunos pararam de ir às aulas e estão pedindo reformas na estrutura física do curso, reestruturação curricular e servidores técnico administrativos especializados. Entre as alegações para a paralização está, entre outras coisas, que quando calculado, o espaço físico disponível do curso dividido entre o número de alunos matriculados, obtêm-se o resultado de que cada um tem disponível para si um espaço menor do que a área de uma folha de papel A4.

Durante a tarde de segunda-feira, dia 5, os estudantes ocuparam a sala da direção do Centro de Comunicação e Expressão e exigiram a garantia de que o diretor, Felício Margotti, iria cumprir os pedidos feitos à direção: solicitação de compra de mobília e equipamentos para a sala do Cineclube (onde os alunos se reúnem para assistir e debater filmes semanalmente); agendamento de um horário semanal fixo para as exibições do Cineclube no auditório Henrique Fontes a partir do segundo semestre de 2014. Além disso, foi pedido que o diretor marcasse quatro reuniões no período de 05/05 à 16/05 para que os alunos possam acompanhar o cumprimento das exigências e também que seja cedido um horário semanal em uma sala do CCE para as reuniões do Cineclube enquanto as reformas acontecem. Felício redigiu e assinou um documento que garante a execução do que foi reivindicado.

Os critérios mínimos instituídos pelo MEC com relação a equipamentos, professores e servidores, tanto em quantidade quanto em qualidade, não são contemplados no curso de cinema da UFSC, principalmente a questão do espaço físico. Segundo a aluna Helena Decker Sardinha: “os anos foram passando e nada foi feito, tudo o que os alunos pediam era prometido e não era cumprido, por isso fizemos essa greve”.

Além das reformas estruturais, os grevistas também exigem um servidor técnico especializado na área fotográfica ou audiovisual para o LEC (Laboratório de Estudos de Cinema). Helena alega que “o servidor atual que lida com as câmeras, na verdade é alguém formado em filosofia”. A reitoria já enviou um e-mail para os alunos prometendo que um servidor será destinado ao laboratório do curso, mas outro aluno, Matias Eastman afirma: “não confiamos em mais ninguém, queremos nome, de onde ele veio e uma data para que ele assuma”.

Para o colegiado do curso foi pedida uma reestruturação curricular imediata. “Há uma grande defasagem nos professores do curso e, por isso, eles alegam que dão muitas aulas e não têm tempo de estudar o currículo, com a nossa greve eles terão bastante tempo livre para fazer a reforma” diz Helena.

Os estudantes farão uma assembleia para votar se só sairão da greve quando tudo for cumprido ou se sairão antes do final das reformas estruturais. Matias afirma que “antes nos prometiam as coisas e, no minuto que afrouxávamos a pressão eles voltavam atrás. Dessa vez está tudo sendo atendido absurdamente rápido e isso só comprova que era falta de vontade política, um pouco de pressão e tudo já se resolve.”

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