Alunos da UFSC organizam curso pré-vestibular gratuito

Texto: Matheus Alves de Almeida (matheusalvesdealmeida@gmail.com) e Poliana Dallabrida (poliana.dallabrida@gmail.com)

Universitários conhecem as dificuldades de passar no vestibular: são horas de estudos e concentração, finais de semana com testes e simulados e listas com livros complicados para leitura. A dedicação não é a única necessidade: para se adaptar as complicadas provas cheias de pegadinhas e conseguir um bom desempenho, muitos alunos precisam também de cursos pré-vestibular.

Para ajudar alunos com vulnerabilidade econômica a entrarem na universidade, o Programa de Educação Tutorial de Matemática da UFSC (PET Matemática) oferece há 3 anos um curso gratuito para 40 estudantes. Os bolsistas do programa são responsáveis pela organização do Gauss Pré-Vestibular.

O público alvo do curso são estudantes de escolas públicas, selecionados através das notas da Prova Brasil – avaliação dos conhecimentos do ensino fundamental promovida pelo Instituto Nacional de Educação e Pesquisa Anísio Teixeira (Inep)  – e por uma redação sobre porque desejam fazer o curso pré-vestibular. Para participar da seleção, é necessário estar previamente inscrito. Os bolsistas do PET Matemática divulgam as inscrições através do Facebook e de visitas a escolas nos arredores da UFSC.

O curso tem aulas sobre vários conteúdos abordados nos vestibulares: biologia, redação, física, espanhol etc. Os professores do projeto são voluntários que fazem graduação ou mestrado em diferentes cursos da UFSC.  A parceria com o curso pago Pró-Universidade garante o material de apoio: todo começo de ano, o Gauss recebe 50 apostilas remanescentes do ano anterior.

Estudantes de matemática e os coordenadores do Gauss afirmam que o objetivo que reúne todos os voluntários do projeto é colocar os estudantes dentro das universidades, valorizando o esforço e entendendo as dificuldades. “Perder a vida social é um baque”, comenta o coordenador de professores Luis Fritsch, “mas quem vai até o final e estuda consegue. Se não conseguir, a gente dá apoio e chama de volta.”

Na sala de aula, o clima é descontraído. Os adolescentes interagem facilmente com os professores, apenas alguns anos mais velhos do que eles. Os elogios são vários. “Como eles são voluntários, parece que eles tem mais vontade de dar aula do que em outros cursos”, conta  a aluna Fernanda Ribeiro. “Nos outros cursinhos, os professores nem sabem quem você é, às vezes fico com vergonha de tirar dúvidas. Aqui, até se você quer desistir, pedem pra você conversar com eles antes”, comenta outra aluna, Ana Paula Magalhães.

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