Acadêmicos da UDESC ocupam Restaurante Universitário

 

Texto: Matheus Alves (matheusalvesdealmeida@gmail.com)

Fotos: Priscila dos Anjos (priscila.anjos88@gmail.com)

Depois de uma reunião com o reitor Heronaldo de Souza no final da tarde de ontem (18/03), estudantes da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) continuam a ocupação do prédio do Restaurante Universitário (RU) no Campus de Florianópolis pelo terceiro dia consecutivo. Os estudantes reuniram-se em Assembleias Estudantis durante a noite e pela manhã, e decidiram que permanecerão instalados no RU até surgirem propostas concretas da reitoria. Durante a reunião de quarta-feira, o reitor alegou impossibilidade de atender as demandas.

Na reunião que aconteceu ontem, as 18h, Heronaldo de Souza estava acompanhado de seus pró-reitores quando apresentou-se para a Assembleia com cerca de 100 estudantes. No discurso, esquivou-se de todas as pautas exigidas pelo movimento.

Sobre a não criminalização do movimento, o reitor alegou que prejuízos necessitarão de responsáveis. Foram listados como dificuldades criadas pela manifestação: uma viagem para Brasília desmarcada por ele de última hora, possíveis danos ao prédio e a paralisação no avanço da obra. Na manhã de hoje, funcionários da empresa responsável por instalar coifas no prédio iniciaram seu trabalho normalmente, mas foram impedidos de continuar após receber comunicado da reitoria.

A instauração imediata de gratuidade das refeições para estudantes cadastrados no Programa de Auxílio a Permanência Estudantil (PRAPE) foi considerada impossível, pois a decisão deve partir do Conselho Universitário. O acesso ao RU por professores, técnicos e profissionais está impossibilitado por bloqueios legais.

O atual preço do RU, a R$ 5,93, não possui perspectiva de alteração, pois segundo o reitor há inviabilidade financeira. “Existe um custeio para os Restaurantes Universitários das universidades federais do qual nós estamos de fora”, afirmou. O reitor comprometeu-se porém a unir-se com os estudantes na pauta em uma briga maior.

Em relação as alterações no contrato com a atual administradora do restaurante (para servir café-da-manhã, almoço e jantar), a não-renovação do contrato no futuro e a garantia de uma gestão pública para 2016, Heronaldo de Souza disse não poder fazer nada devido a inviabilidade. “Mudar o contrato exige uma análise contratual e orçamentária maior”. Dificuldades relacionadas com o serviço público (como criação de concursos e alterações no plano de carreira) também foram apontadas.

O prazo definitivo para a abertura do RU continua incerto. “Comprometo-me, mas correndo o risco de falhar, a conseguir a abertura do RU até o final do próximo mês”. O reitor aproveitou para explicar as dificuldades: “nós na UDESC ainda não temos experiência em construir RUs”.

Em seguida a fala do reitor, cinco estudantes discursaram por dois minutos sem serem identificados. A assembleia aplaudiu a todos e cantou junto hinos como “arroz, feijão, batata e macarrão” e “Mãos ao alto, esse RU é um assalto”. Em suas falas, foi criticada a falta de soluções concretas da reitoria.

O reitor deixou a ocupação sem avanços significativos nas negociações. Logo em seguida, uma nova Assembleia Estudantil decidiu continuar com a ocupação.

50 anos de fome

De acordo com o histórico do movimento estudantil, há 50 anos, os estudantes se mobilizam a fim de conquistar o acesso ao Restaurante Universitário. A partir de 2008, foram organizados piqueniques quinzenais, em forma de protestos contra a então proposta, da reitoria, de construção de um restaurante privado. Em 2011,  as obras iniciaram após uma manifestação onde os acadêmicos simularam o início da obra.

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