Aberta ou fechada? – UFSC debate soluções para segurança

Texto: Mariana Rosa (mari.rosa.90@gmail.com)

Cercas e portões são soluções eficazes para os problemas de segurança na UFSC? A universidade deve abrir ou fechar o seu espaço para a comunidade? Como defender o patrimônio e a vida de quem frequenta os campi? Devemos aderir ao uso da força militar?

Estas são as principais questões no debate sobre a política de segurança da UFSC, que veio a tona nos últimos meses devido ao anúncio de medidas pela administração central da universidade – entre elas, a polêmica instalação de portões para restringir o acesso de veículos durante a noite e aos finais de semana nas principais entradas do campus da Trindade, em Florianópolis.

Nesta segunda-feira, 2, o gabinete da reitoria organizou um fórum consultivo para discutir as possíveis soluções para o problema da segurança. Ao longo de cerca de quatro horas (das 19h às 23h), a reitora Roselane Neckel, o chefe do Departamento de Segurança da UFSC (Deseg), Leandro Oliveira e o tenente-coronel Araújo Gomes, do 4º batalhão da Polícia Militar, debateram o tema com alunos, professores, servidores e membros da comunidade, que lotaram o auditório da reitoria.

Veja no infográfico abaixo, alguns dados sobre o registro de ocorrências na UFSC e a atual estrutura do Deseg. O número de ocorrências diminuiu em relação aos anos anteriores, mas é a gravidade delas que tem preocupado o Deseg e a Reitoria – segundo o relato de Oliveira, o uso de armas de fogo tem se tornado frequente.

Assim como o assunto, a composição da mesa para o debate gerou polêmica entre os estudantes, que criticaram a presença da Polícia Militar. Em suas falas, muitos deles consideraram o debate “atrasado” – referindo-se às recentes recomendações de desmilitarização da polícia.

O tenente-coronel Gomes reiterou que não há um interesse específico da polícia em entrar no campus. Ele também falou sobre o conceito de polícia comunitária, uma proposta que visa aproximar a polícia da comunidade. “Ninguém mais do que a polícia quer dialogar. A desmilitarização no Brasil é uma necessidade”.

Também foi cobrada a presença de especialistas de outras áreas na mesa, como, por exemplo, urbanistas. “Hoje quem estuda segurança pública é quem reprime. Esta é uma problemática muito grave”, lembrou o estudante de pedagogia Marino Mondek.

Uma das soluções para o problema a longo prazo, proposta pelo estudante de economia Tainam Pessoto, é a criação de um instituto de pesquisa sobre segurança pública na UFSC.

A falta de especialistas sobre o tema na UFSC foi reconhecida pela Reitora, que, porém, advertiu que é necessário também “trazer à cena uma discussão sobre segurança pública com os agentes que fazem segurança pública na rua”.

Roselane também anunciou que serão investidos R$ 16 milhões no projeto de revitalização da segurança do campus e que manutenção da iluminação está sendo feita em conjunto com a Prefeitura de Florianópolis.

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