A capoeira na UFSC é muito mais do que se vê no varandão

Produção e texto: Bruna Ritscher (brunaritscher@gmail.com)

Imagens: Ayla Nardelli (aylaap@gmail.com) e Luíza Giombelli (luizamgiombelli@gmail.com)

Edição de vídeo: Ayla Nardelli (aylaap@gmail.com)

A vida de Edson, mais conhecido pelos alunos como “Mestre Polegar”, esteve desde o princípio entrelaçada com o projeto de capoeira da Universidade Federal de Santa Catarina, que mostra sua cara toda quinta-feira ao meio dia no varandão do CCE (Centro de Comunicação e Expressão). Já são 27 anos de capoeira na vida do Mestre Polegar, quase o mesmo tempo que o projeto existe. Ele é professor voluntário e membro do grupo Capoeira Angola Palmares e deu ao Cotidiano uma entrevista sobre o projeto da universidade.

De onde veio esse apelido de “polegar”?

Na capoeira me chamam de Polegar porque eu era muito pequeno quando comecei, eu ainda sou pequeno, mas eu era ainda menor. Eu era o Polegar e meu irmão era o Indicador, ele parou e eu dei continuidade a Capoeira.

Como a capoeira entrou na sua vida?

Eu comecei criança aqui na Universidade em 1986. Um dia eu vim jogar futebol aqui nas quadras da UFSC, passei, vi a roda, gostei e comecei a praticar a capoeira. O tempo foi passando e eu me tornei um mestre.

O que um aluno precisa fazer pra se tornar um mestre?

Pra virar um mestre o mais importante é ser reconhecido pela comunidade capoeirista. Os anos vão passando, você vai treinando e vai se tornando um mestre de capoeira. Não fui eu que me intitulei “mestre”, a comunidade capoeirista começou a me chamar assim. O mestre geral do nosso grupo é da Bahia e veio até aqui e me trouxe a minha graduação, eu peguei a mestria há quatro anos.

Como começaram as aulas aqui na UFSC?

As aulas de capoeira aqui na UFSC começaram com o Mestre Alemão, ele era um estudante de educação física que estava se formando e lançou o projeto de extensão da roda de capoeira que existe até hoje.  Eu dou aulas às segundas, quartas e sextas, das 12h às 13h30 e das 16h30 às 21h30, sempre aqui no CDS (Centro de Desportos).

As aulas são abertas a quem quiser participar?

As aulas de capoeira na UFSC são abertas a todo mundo, universitários e comunidade. Eu dou aula pra crianças só a partir dos seis anos porque na verdade não existe um horário específico pra crianças e um horário para os adultos, todo mundo joga junto. Fica meio difícil então se tiver crianças muito pequenas, mas acima de seis anos já pode jogar capoeira com a roda. E não tem idade pra parar.

Como surgiu e como funciona a roda que acontece toda quinta-feira no CCE?

Aquela roda foi fundada em 1987. É uma roda de rua e qualquer um que quiser pode chegar. Lá é onde a gente mostra o nosso grupo e o que a gente vem desenvolvendo durante os anos aqui nas nossas aulas da UFSC e onde a gente expressa nossa capoeira. O nosso interesse maior é chamar alunos para o projeto e para as aulas e nada melhor pra isso do que mostrar o nosso trabalho onde os universitários se encontram, que é ali na frente do CCE.

Existe alguma espécie de apoio financeiro da Universidade?

A Universidade não dá e nunca deu nenhum apoio financeiro pra gente, somos todos voluntários do projeto. Mas nós estamos tentando conseguir com a UFSC algum tipo de autorização ou algo parecido pra que a gente possa manter aquele espaço ali pra gente toda quinta feira. Às vezes nós chegamos e já tem alguém ali fazendo teatro ou musica. Não que a gente não queira que ninguém use o espaço, a universidade é pra todo mundo, mas a gente já vem há muitos anos fazendo aquela roda no horário do almoço ali e a gente quer tentar manter ela toda quinta feira. Eu também desenvolvo desde 2006 um trabalho social de capoeira na África. Já fundamos grupos de capoeira com alunos da UFSC na Angola, na África do Sul e em Moçambique, agora estamos tentando levar também para Cabo Verde. Eu vou todos os anos para a África e estou tentando conseguir um apoio financeiro da UFSC para levar uma turma de alguns alunos daqui para lá, mas não estamos conseguindo, é muito difícil.

 

O Mestre Polegar aceitou o nosso convide e participou da roda com uma câmera GoPro na cabeça para nos mostrar a capoeira do ponto de vista do capoeirista, assista abaixo.

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