Em quase 30 anos, parteira ajudou no nascimento de mais de 1300 bebês

Texto e foto: Bruna Andrade

Vídeo: cedido por Naolí Vinaver

Na semana passada, o Cotidiano apresentou uma matéria sobre parto humanizado. Agora você pode conhecer o perfil de uma parteira contemporânea. 

Naolí Vinaver cresceu em um sítio, rodeada de bichos. Mais de uma vez acordou toda molhada de líquido amniótico, com vários filhotes de gato ao seu redor e a gata olhando para ela. Era comum os animais virem parir perto dela. A mexicana conta que se sentia honrada com isso, como se a escolhessem para compartilhar este momento. Começou a acreditar que talvez fosse um dom.

Ela começou a carreira no país natal, acompanhando parteiras tradicionais, auxiliando nos trabalhos. Depois foi para os Estados Unidos onde aprimorou as técnicas do parto e graduou-se como parteira profissional. Já fez mais de 1.300 partos. Ela conta que ainda estuda, em especial anatomia e fisiologia, e procura estar atenta ao vocabulário dos médicos, para poder realizar um bom trabalho em equipe.interna

Naolí explica que quem acompanha um parto humanizado reconhece os diferentes níveis do processo, tanto em relação ao fisiológico quanto ao emocional da mulher. O resultado é um nascimento mais bem sucedido, com menores probabilidades de acontecer algum problema que leve a uma intervenção médica. “O bebê vai poder nascer com mais vitalidade, bem-estar, sem trauma, sem ter que percorrer um caminho de violência”, afirma. Para realizar os partos domiciliares, a parteira destaca que é importante existir um vínculo entre o profissional e família, de preferência que venha acompanhando todo o pré-natal. Não precisa ter muito espaço, desde que seja tudo limpo. Os casos em que não é aconselhável fazer são raros, apenas quando os problemas de saúde mais graves não puderam ser contornados ao longo da gravidez. Uma das maiores críticas da mexicana é ao tratamento que a mulher recebe nos hospitais.

Para Naolí, os médicos em geral querem comandar este momento que deveria ser da mulher. “Pessoas que a gestante não conhece entram para fazer o toque vaginal várias vezes, os médicos gritam, mandam a mãe fazer força para o bebê sair; admiro quem consegue parir nestas circunstâncias”. A parteira ainda afirma que o corte na vagina realizado em quase todos os partos naturais, denominado episiotomia, é desnecessário na grande maioria dos casos. “É uma violência contra a mulher, contra a sexualidade dela”, alega a profissional, que só precisou fazer o corte para facilitar a retirada do bebê três vezes durante a carreira.

Ela acredita que o alto número de cesarianas atualmente se deve a sociedade patriarcal e inexperiência dos profissionais da saúde com o parto natural. Segundo Naolí, quando o médico faz uma cesárea é uma forma de afirmar que ele que está no comando, sendo a mulher dependente dele no processo do parto. “Existem médicos que fazem isso achando que estão apoiando o parto, mas se voltarmos um pouco no tempo vamos perceber que tudo começou com uma questão de poder.” Ainda há o fato que os médicos mais novos estão se formando sem ter uma experiência com partos naturais. “Eles não fazem ideia do que uma mulher e um bebê são capazes de fazer para nascer.”

Além de acompanhar partos, Naolí faz palestras e wokshops pelo mundo. Veja o vídeo com um dos cursos que ela ministrou no México:

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