Comissão da Verdade lança luz sobre a realidade na UFSC durante a ditadura

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Foto: Henrique Almeida/Agecom UFSC

Reportagem: Pedro Bermond Valls (pedrobermondv@gmail.com)

 

O evento

 

A Comissão da Verdade da UFSC, formada em 2014, abriu para comunidade universitária, no dia 14 de maio, o resultado documentado de seu trabalho nos últimos quatro anos, revelando detalhes sobre os conluios políticos e a vigilância autoritária que sofriam alunos, docentes e servidores, entre os anos de 1964 e 1988.

 

A investigação, além de analisar os anais documentais da universidade, recolheu 21 depoimentos individuais e realizou três audiências públicas. Foram consultados arquivos do gabinete central, da Hemeroteca universitária e documentos sigilosos do SNI, Serviço Nacional de Informações.

 

A cerimônia de publicização do relatório final encheu os mais de 200 assentos do auditório da Reitoria da UFSC, contou com a presença do reitor Ubaldo César Balthazar, que realizou um discurso de abertura do evento, a presença de especialistas do Direito, que em seguida fizeram suas exposições sobre a importância do Estado de Direito e dos direitos humanos, e claro, dos 20 membros da Comissão, os quais apenas alguns se pronunciaram, tratando das descobertas e informações adquiridas nos últimos quatro anos de investigação.

 

A Comissão declarou que considera “cumprida sua função”. Todo o trabalho está disposto no Acervo Memória e Direitos Humanos da Universidade Federal de Santa Catarina.

 

O relatório

 

Os documentos revelam a relação próxima da reitoria (nomeada indiretamente na época) com orgãos burocráticos de vigilância e controle, como a AESI (Assessoria Especial de Segurança e Informação), diretamente vinculada ao Ministério da Educação. Entre os documentos expostos, alguns confirmavam a presença de informantes do governo infiltrados como alunos no campus universitário. Haviam também denúncias individuais de alunos e professores envolvidos em partidos comunistas, confisco de materiais e trabalhos utilizados em aula e abaixos assinados de civis acusando terceiros.

 

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Fonte: Comissão Memória e Verdade UFSC – Coleção “Repressão”

 

O material narra detalhadamente as trajetórias de professores e alunos envolvidos com a resistência e oposição ao regime militar na época, as sanções e perseguições que sofreram, que por vezes resultaram em exílios políticos. A concretização do domínio militar ao longo das duas décadas de regime ditatorial também está fartamente documentada, com provas do alinhamento da mídia local, inclusive convocando comemoração pelo aniversário do que chamou de “revolução” de 64, e também a partir da infame Operação Barriga Verde”, onde 42 militantes do PCB (Partido Comunista do Brasil) foram vítimas de uma onda de prisões e por vezes torturas, nas mãos dos militares.

 

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Fonte: Relatório Final da Comissão Memória e Verdade UFSC