Grupo de Estudos promoveu seminário sobre o cômico e o riso

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Texto: Natália Huf (natalia.huf@gmail.com)

“Gerico”, do latim gericus, asno, jumento. Essa expressão, que já é quase um arcaísmo na língua portuguesa, quer dizer “coisa estapafúrdia”, bizarra, esquisita. Uma ideia de gerico, popularmente, é uma ideia claramente ruim, que não poderia ser verdade.

O Grupo de Estudos sobre o Riso e o Cômico atende por uma sigla que muito combina com o tema de pesquisa: Gerico. Os professores Elisana De Carli e Fabio Salvatti, do Departamento de Artes e Libras, formaram o grupo em 2015 e, por coincidência, encontraram esse nome peculiar, que as pessoas reconhecem como algo cômico.

Nos dias 13, 14 e 15 de setembro, o Gerico realizou o I Seminário Nacional de Ideias de Gerico. Os três dias de evento foram preenchidos com palestras, debates e mesas-redondas com a participação dos professores e pesquisadores integrantes do Grupo, além de pesquisadores de outras universidades. Para Elisana De Carli, o seminário “deu fôlego”, e foi um incentivo para continuar trabalhando as temáticas do riso e da comicidade.

Com o objetivo de estabelecer um espaço de discussão sobre a comédia, o seminário também propôs a discussão sobre o riso, o humor e o “politicamente correto”. “Quando não se ri de algo, é devido à identificação”, explica Elisana. Para ela, a comédia está muito próxima do cotidiano — nas charges, nas imitações, nas referências que se tem no dia-a-dia. “Por exemplo, a figura do careca já foi alvo de piadas e de humoristas. Hoje, se tornou comum”, explica.

O riso nem sempre é fácil: o humor depende muito do contexto em que está inserido, seja ele  geográfico ou  político. O que suscita o riso no homem? Essa é uma questão discutida na psicologia, na filosofia, na antropologia. Para a professora é uma manifestação humana: a ideia do riso é uma forma de análise crítica da sociedade, e a comédia é a exigência de flexibilidade, para que se possa rir de si mesmo. Na comédia, essa manifestação se torna uma forma de ler o mundo, e é colocar um “holofote na humanidade”, acentuando características, tipos, defeitos. Quanto mais humano, mais real — e mais risível.

Historicamente, este foi o “papel” da comédia. Enquanto as tragédias causam uma identificação e aproximação com os conflitos dramáticos, a comédia se distancia deles. “A comédia ajuda a lidar com os erros e com as falhas humanas”, diz Elisana, que estuda o dramaturgo grego Aristófanes. Na comédia da antiguidade, os conflitos da narrativa eram perigos leves, que não apresentavam grandes riscos às personagens, ao contrário das tragédias. Porém, “em questões estruturais, os dois gêneros não são tão diferentes. Há conflito em ambos, o que muda é a intensidade”, explica a professora.

Os tipos de comédia mudaram através dos tempos — surgem as farsas, sátiras, entre outros —, mas sua necessidade se manteve. Tão importante é a comédia que o mercado artístico nacional está cheio delas: stand-ups, talk-shows, youtubers. É um gênero no qual as pessoas tem interesse, e houve um fortalecimento nas últimas duas décadas. Os artistas migram de uma mídia para outra — TV, internet, publicações impressas — e, hoje, é o gênero que está mais “em alta” no Brasil, avalia Elisana.