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Restaurante Universitário da UFSC tem estoque para refeições só até o início de setembro

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Reportagem de Georgia Rovaris (georgiarovaris1@gmail.com), Leon Ferrari (ferrarileon3@gmail.com) e Rodrigo Barbosa (rodrigobpp@hotmail.com)

Cerca de dez mil pessoas poderão perder o acesso ao Restaurante Universitário da UFSC na segunda quinzena de setembro. Esse é o número aproximado de usuários do local que não fazem parte do grupo de alunos isentos. O secretário de Planejamento e Orçamento da UFSC, Vladimir Fey, anunciou nesta semana um conjunto de medidas para tentar amenizar o caos financeiro gerado na universidade em função dos cortes aplicados pelo Ministério da Educação (MEC).

Dentre as medidas, está a suspensão do Restaurante Universitário (RU) a partir do dia 15 de setembro. A decisão afetará os usuários que não são isentos do pagamento da taxa de R$ 1,50 cobrada por refeição. A administração do restaurante, porém, ainda não foi oficialmente informada da decisão, o que torna incerta também a compra de alimentos para o restante do mês que se inicia na próxima semana.

“É uma coisa muito incerta, tanto para o aluno, quanto para a gestão. Agora, uma coisa é certa: não tem dinheiro”, afirma a diretora do RU, Maria das Graças Martins. A direção espera ser informada até segunda-feira (2) sobre a situação oficial. Só assim seria possível realizar o pedido de alimentos a serem servidos a partir do dia 7 de setembro. Sem a realização desse novo pedido, Maria garante que, até o momento, há estoque para servir refeições somente até a primeira semana de setembro.

Cerca de 12 mil pessoas utilizam os serviços do Restaurante Universitário todos os dias, entre almoço e jantar. Desses, pouco mais de três mil são isentos de pagamento, segundo dados divulgados pela Apufsc (Associação dos Professores da UFSC). São isentos alunos que têm renda familiar bruta de até 1,5 salário mínimo per capita – ou seja, aqueles cuja renda média da família fica abaixo de R$ 1.497 por mês.

Até mesmo os próprios fornecedores do RU estão em dúvida sobre o pagamento dos serviços oferecidos. “O próprio fornecedor já nem quer entregar para a gente, porque ele está vendo como está a situação. Eles acham que a gente não vai pagar. Isso já acontecia em maio, agora fica ainda mais difícil”, explica Maria.

Com a provável suspensão do RU para os não-isentos, existem dúvidas sobre a permanência de uma parcela dos alunos na instituição. Isto porque o preço cobrado pelas refeições no restaurante é muito mais baixo que as demais opções na região do campus Trindade. É cobrado o valor de R$ 1,50 para estudantes e R$ 2,90 para docentes e servidores.

É o caso da caloura do curso de Jornalismo, Bianca Anacleto. “O preço é muito acessível. Se o RU fechar e a gente tiver que comer fora, eu vou gastar muito mais e talvez fuja do orçamento da minha família”. Segundo a estudante, sem o RU ela poderia ser forçada a voltar para casa, no interior de São Paulo.

A apreensão não é exclusiva aos alunos que pagam a taxa para comer no restaurante. “Eu vim do outro lado do Brasil, do Maranhão. Se for cortado de quem está pagando, provavelmente, em algum momento, vão cortar de quem não está pagando. Eu faço todas as minhas refeições aqui, então eu sou totalmente dependente”, diz Emerson Oliveira, estudante do curso de Design.

Funcionamento do Restaurante Universitário do campus Trindade deve ser alterado por conta dos cortes do Governo Federal

Esta é a segunda rodada de cortes que afetam o Restaurante Universitário. Antes disso, uma série de alterações nos cardápios foram feitas para baratear o custo das refeições. Segundo Maria, os parâmetros nutricionais não foram alterados, mas a diversidade de alimentos já não é a mesma. Lentilha, ervilha e carne vermelha, por exemplo, serão mais difíceis de serem vistas no buffet. As sobremesas também sofreram reduções.

Além disso, dos 106 funcionários terceirizados que trabalham no local, 14 foram demitidos. Foram revistos contratos de todas as áreas – portaria, cozinha e limpeza. Não há, até o momento, previsão de aumento no preço do passe pago pelos usuários do restaurante. 

A Reitoria da UFSC ainda aguarda que o Governo Federal libere parte da verba contingenciada para que a medida possa ser revista mas, até o momento, não há sinalização desta possibilidade. Caso a situação permaneça como está a universidade deve fechar as suas portas a partir da metade de outubro.

Também na última quinta, foi anunciado o cancelamento da Sepex (Semana de Ensino, Pesquisa e Extensão) – um dos maiores eventos de divulgação científica do Sul do país. É a primeira vez em 18 anos que o evento não vai ocorrer. No total, mais de R$ 40 milhões do orçamento da UFSC se encontram bloqueados.