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A velha e nova Floripa

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Texto e fotos: Sarah Laís (srt.sarahlais@gmail.com)
Arte: Vinícius Vigânigo

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Sobre as ruas de lajotas saltadas, artistas com partituras ou pincéis e pombos pelas marquises de antigos prédios, é impossível não reparar a antiga cidade que existiu fora do nosso conhecimento. No fim da Revolução Federalista em 1894, a cidade mudou de nome, de Desterro para Florianópolis, em homenagem ao presidente Floriano Peixoto.

O centro da cidade se tornou uma das maiores atrações turísticas do país em poucos anos. Em meio aos velhos prédios construídos, a cidade foi tomando forma, apontando para o marco da civilização moderna europeia.

Mesmo com construções tão antigas, não há como negar que a cidade continua viva com com um ar charmoso das novas pinturas. Atualmente, os prédios mais frequentados do centro da Ilha de Santa Catarina são as obras mais belas, porém com frequentadores de uma nova geração.

Catedral Metropolitana 1753

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Em 1679, Francisco Dias Velho mandou erguer uma igreja no local em que atualmente encontra-se a Praça XV de Novembro, tendo por padroeira Nossa Senhora do Desterro, onde padres jesuítas, franciscanos e carmelitas podiam então atender os moradores da ilha. A paróquia é criada apenas em 5 de março de 1712, enquanto a povoação só se torna município em 23 de março de 1726.

Em 1748, o brigadeiro José da Silva Paes recebe ordens para erguer outro edifício, que viria a ser a Igreja Matriz da paróquia. Lançada a pedra fundamental em 1753, a inauguração ocorre em 1773.

Em 25 de novembro de 1922, festa de Santa Catarina, a catedral foi presenteada com cinco sinos vindos da Alemanha, encomendados por Dom Joaquim Domingues de Oliveira. Ao todo, são sete sinos: os dois mais antigos (de 1872 e 1896) foram presentes do Imperador Dom Pedro II. Quando instalados, formavam o maior conjunto de sinos da América Latina, pesando mais de  cinco toneladas. Os vitrais foram confeccionados em São Paulo e inaugurados em 1949.

Palácio Rosado 1785 – Atual Museu Histórico de Santa Catarina

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O poeta catarinense Cruz e Sousa dá nome a um dos prédios mais bonitos do centro histórico de Florianópolis: o prédio do Museu Histórico. Ali, na diagonal da Catedral Metropolitana e paralelo à Praça XV, fica o sobrado colonial cor de rosa, construído pelo brigadeiro José da Silva Paes, primeiro governador da capitania da Ilha de Santa Catarina.

Não há uma data exata da construção do prédio — os primeiros registros mostrando o prédio são de 1785. Ele serviu de sede do governo da antiga Província. Cerca de 50 anos mais tarde, em 1839, foram feitas as primeiras reformas no prédio, como serviços de pintura e carpintarias nas aberturas e acortinamento e aquisições de tapetes.

Confeitaria Chiquinho 1904 – Atual Livraria Catarinense

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A livraria mais frequentada no centro da cidade era uma antiga confeitaria construída por Francisco Künzerem em 1904. Em 1924, Theodoro investiu os 200 contos na confeitaria mandou demolir o prédio e construiu outro de três pisos. Após dois anos de construção era o edifício mais alto de Estado. A nova Confeitaria Chiquinho foi inaugurada com todas as pompas, um acontecimento que borbulhou os meios sociais da cidade, mais ou menos na época em que era inaugurada a Ponte Hercílio Luz.

No prédio da Confeitaria Chiquinho também funcionou o cinema Cine Ponto Chic. Neste cinema, os filmes mudos ainda eram acompanhados por uma orquestra ao vivo, estando acomodado no segundo andar do prédio era pequeno e tinha plateia plana, sendo frequentado pelo melhor da sociedade da capital.

A tradicional Confeitaria Chiquinho funcionou ali por 63 anos e era mais que um ponto de encontro: era a principal a referência da cidade, frequentada por famílias abastadas, e considerada a confeitaria “da moda”.

Os funcionários da atual livraria contam que o local onde ficava o forno é “assombrado pela Catarina”, e que quem se aproxima durante a noite é capaz de encontrá-la chorando pelo fechamento da confeitaria.

Sobrado de 1918 – Atual loja Marisa

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O prédio que hoje é todo cor-de-rosa foi inaugurado em 1918, sendo um dos mais belos edifícios da Praça XV de Novembro. Representa o esforço da elite local na região, mostrando os traços da arquitetura europeia.

Atualmente, o prédio de três andares está em ótimo estado de conservação, e abriga uma loja de roupas. Não há muitas informações do que era antes, mas pessoas mais antigas afirmam que o prédio já foi uma padaria, um hotel e até mesmo um banco.

Os atuais funcionários da loja contam que o prédio é assombrado por uma noiva que, ao ficar abandonada no altar, correu a procura de seu noivo, e o encontrou com uma “rameira” em seu colo. Atormentada com a cena, lançou-se da escadaria do prédio e morreu vestida de noiva. Desde então, sua alma ficou presa ao prédio.

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Antigo Hotel Majestic 1920 – Atual loja Tudo Dez

O registro da prefeitura assinala o ano de 1920 como o da efetiva construção. O empreendedor foi o imigrante libanês José Daux, que chegou ao Brasil em 1896. Daux administrou o hotel, junto com seus filhos, até o fim da década de 40. Com sua morte em 1951, a gestão passou para o hoteleiro Hugo Pessi, que também era arrendatário dos hotéis Metropol.

De Hugo Pessi, em 1959 o Majestic passou para as mãos de outro hoteleiro, Gentil Cordioli, que começou sua carreira como porteiro do Lux Hotel. Cordioli foi responsável pela única reforma de que se tem notícia, nas escadas e nas instalações elétricas e hidráulicas.

image014Pelo que se pode apurar, o último hoteleiro foi quem desativou o Majestic em 1988, quando o estabelecimento já não tinha mais condições de competir com os novos e bem equipados hotéis surgidos na Capital. Desde então, o prédio passou a ter utilização comercial. Primeiro andar é a loja, e os andares de cima se tornaram o depósito.

Embora desativado, o edifício na Rua Trajano sempre conservou a placa indicativa. Em homenagem ao seu avô, o empresário Ronaldo Couto Daux tomou emprestado o nome para batizar o suntuoso Majestic Palace Hotel, na Avenida Beira-mar Norte.

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Ponto Chic 1948 – Atual Senadinho

Em 1948, uma cafeteria se transformou em um tradicional ponto de encontro e sociabilidade da cidade de Florianópolis: o Café Ponto Chic, que acabou ficando conhecido por Senadinho. Era o ponto de encontro de juízes, senadores e ademais políticos. Esta cafeteria acompanhou, entre um cafezinho e outro, as profundas modificações urbanas que a cidade passara ao longo da segunda metade do século XX.

image018O Senadinho também ficou conhecido pela Novembrada, grande manifestação contra o regime militar. O presidente João Figueiredo saboreava o café no interior do Ponto Chic mas, tão logo deixou o bar, deparou-se com os manifestantes que o cercaram.  Antigos frequentadores do local dizem que o viram apanhar, e há quem diga que ele apenas tropeçou num jarro de flores.Na placa, juntamente com o nome, está escrito “Café Amélia”, que era a marca do café usado durante os quinze anos de gestão de Hercílio Luz, juntamente com a novidade do serviço de fotocópias e plastificação.