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Plataforma Politize! oferece conteúdos educativos sobre política

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Texto: Ana Domingues (anadomingues.ufsc@gmail.com)

Em um período marcado por Lava Jato, Cunha, Impeachment, PT, Dilma, Temer, Lula, os brasileiros dividem opiniões e criam um sentimento de inconformismo em relação a política. São muitas as informações vindas de televisão, rádio, revistas, jornais e sites, no entanto, a dúvida sobre a imparcialidade dos conteúdos é uma questão recorrente às pessoas que buscam fatos sem manipulação. Por outro lado, alguns veículos de comunicação que deixam claro seu posicionamento  são preferência de quem já escolheu um dos lados e evita analisar outras realidades. Mas, muitos brasileiros defendem suas opiniões sem muitas vezes olharem para todas as perspectivas e realmente analisarem o que dizem ou acreditam.

Nesse contexto, Diego Calegari Feldhaus sentiu que faltava algo entre os brasileiros e a política, em junho de 2013. Pela primeira vez, viu uma grande quantidade de pessoas se reunir por meio das redes sociais e ir para as ruas se manifestar contra questões sobre a gestão pública. No entanto, percebeu que o descontentamento era genérico, sem cara, cor e nem forma. Foi então que teve a ideia de criar um projeto que ampliasse o entendimento das pessoas sobre política por meio de uma comunicação educativa e apartidária. Visto que as redes sociais estavam sendo fortemente acessadas e utilizadas durante as manifestações, pensou em uma plataforma online que atingisse muitos usuários e mostrasse questões políticas de forma atrativa e de fácil compreensão.

O Politize! começou a ter forma em 2014. Motivado pelo desejo educativo, Diego Calegari teve mais de 100 conversas com pessoas envolvidas com a democracia: especialistas na área, acadêmicos, lideranças sociais. O conceito do projeto foi refinado e, aos poucos, o formato de um site com uma linguagem fácil, um design diferenciado e pluripartidário estava pronto. A etapa seguinte, depois de passar pela validação do site com usuários reais foi buscar recursos para o projeto acontecer com qualidade. Uma campanha de crowdfunding, financiamento coletivo,  foi aberta no valor de R$ 64 mil e o resultado foi além do que imaginava. Foram 550 pessoas que doaram R$ 67 mil, no total. Depois de todo o esforço em fazer o projeto acontecer, Diego Calegari inscreveu o Politize no concurso Shaping a Better Future, iniciativa do Fórum Econômico Mundial com a Coca-Cola, em dezembro de 2014. Foi um dos vencedores e recebeu o prêmio de U$ 10 mil. Em janeiro de 2015, a plataforma foi lançada.

O conteúdo da plataforma Politize! geralmente acompanha o momento político que ocorre no país. Com base no que é discutido nas mídias tradicionais e redes sociais, a equipe de trabalho pensa nas pautas e transforma notícias em materiais educativos. Assim, o leitor reflete sobre as questões e tem a capacidade de ter seu próprio pensamento sem a influência de nenhum partido ou interesse político. Alguns dos conteúdos são feitos pela própria equipe. Outros, por voluntários de todo o Brasil. No total, oito pessoas dentre administradores, designers e jornalistas prestam serviços para o Politize e são remuneradas.

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Da esquerda para a direita, de cima para baixo, Michelle Rocha, Gabriel Marmentini, Isabela Souza, Arthur Fabris, Diego Calegari, Bruno Blume, Carla Mereles e Márcio Marques

Gabriel Marmentini trabalha para o Politize! desde o início de 2015. Na época graduando em administração pública, voltava de intercâmbio da Alemanha quando foi convidado a fazer parte do projeto pelo fundador Diego Calegari. Inspirado pelo propósito em impactar as pessoas positivamente, acreditou que o projeto atingiria uma grande abrangência que ainda é imensurável quanto às consequências. Recentemente, o tema sobre o impeachment fez com que os acessos na plataforma fossem de 12 mil para 20 mil acessos diários por meio do conteúdo encontrado a partir de pesquisas por palavras-chave no Google. Agora, na época das eleições, conta que o site está bem ranqueado no Google com os termos “papel do vereador”, “voto branco”, “nulo”. Além de matérias, foram feitos guia do eleitor, infográficos, podcasts.

Após as eleições, Gabriel sabe que o interesse no site será de estudantes que farão o ENEM. “Temos muitos acessos de pessoas que buscam conteúdos para fazer a prova de atualidades. Já tivemos pesquisas sobre terrorismo, cultura do estupro, objetificação da mulher. Todos assuntos que cobrimos e apresentamos conteúdos educativos muito bons”, complementa.

Atualmente, mais da metade do público que acessa a plataforma são mulheres. Dessas, 39% têm 19 a 24 anos e 31,7% de 25 a 34 anos. Na página do Facebook, a estatística acompanha o site. São 46% homens e 54% mulheres. Todos os fãs estão distribuídos no Brasil como um todo e há bastante acessos internacionais, apesar dos conteúdos serem em português.