Cotidiano entrevista a nova gestão do DCE

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Foto: Eduarda Pereira
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Reportagem: Daniel Silva Santos e Rafael Moreira

A chapa do Diretório Central dos Estudantes (DCE) “Ainda há tempo” assumiu a gestão no dia 19 de outubro, em um cenário politicamente instável na universidade. Nesta entrevista, a comissão de comunicação da nova gestão fala sobre a visão do atual DCE para o futuro da universidade e do movimento estudantil. As respostas foram editadas para resumir o conteúdo, que pode ser acessado de forma integral clicando-se aqui.

Cotidiano.ufsc: Considerando que as eleições contaram com votos dos 5 campi da UFSC, de que maneira a nova gestão pretende representar todos eles?

DCE: Discutimos a necessidade de descentralizar algumas instâncias, como a realização de CEBs em outros campi; a importância de garantir o transporte inter-campi para atividades da UFSC, garantir a transmissão dos eventos online. E para além disso, é crucial que o DCE acompanhe as pautas dos estudantes nos 5 lugares diferentes, que consiga aglutinar pessoas para que possamos cobrir todos os espaços, para entender as demandas específicas de cada região.

 

Cotidiano.ufsc: Quais são as iniciativas das gestões passadas que vocês consideram positivas e pretendem manter?

DCE: Continuaremos com a confecção das carteirinhas estudantis.

 

Cotidiano.ufsc: O nome desta nova gestão é “Ainda Há Tempo”. Na opinião de vocês, o que fez com que o DCE perdesse a sua credibilidade?

DCE: Para nós, o DCE foi perdendo a credibilidade pouco a pouco, muito por ter se ausentado das lutas da universidade. As gestões passadas estiveram presentes e posicionadas contra as pautas estudantis e da comunidade, votando, inclusive, a favor da EBSERH, quando 80% da comunidade acadêmica disse não em um plebiscito. Não se preocupou com pautas de permanência, acessibilidade, combate às opressões e conjuntura nacional, tornando-se assim, apenas uma fábrica de carteirinhas. É impossível que uma entidade seja respaldada pelo conjunto dos estudantes se não acompanha, ombro a ombro, as reivindicações deles.

 

Cotidiano.ufsc: Luís Travassos, quem dá nome ao DCE, foi um militante ativo contra o conservadorismo no Brasil. A nova gestão irá se preocupar com as questões de âmbito nacional?

DCE: Sim. Somos um Diretório Central dos Estudantes, entidade que deve servir para a garantia e manutenção dos direitos estudantis. Estamos em uma universidade federal, em um difícil tempo, mas acreditamos que jamais devemos nos eximir desses debates. Contudo, é fundamental que façamos um link direto entre o que acontece nacionalmente e as precarizações na nossa universidade. Entendemos que se faltam bolsas, comida no RU, laboratórios, não é só por uma má distribuição de verbas, mas que em um contexto de golpe em que vivemos, essas precariedades têm origem em um plano de desmonte da saúde e da educação pública.

 

Cotidiano.ufsc:  Como o DCE se posiciona em relação ao governo Temer?

DCE: Fora temer e aos seus retrocessos!

 

Cotidiano.ufsc:  Durante as ocupações no ano passado o DCE se posicionou em cima do muro e fez uma petição online sobre o apoio a elas, que obteve feedbacks muito destoantes. Como a gestão “Ainda Há Tempo” agiria nessa mesma situação?

DCE: Um dos nossos princípios é a defesa da universidade pública e gratuita. Nesse sentido, somos veementemente contra qualquer ação que limite o investimento do Estado em educação, como é o caso da PEC 55, cuja aprovação estudantes buscaram barrar,  no ano passado, por meio das Ocupações.

Visto que as decisões de ocupar os prédios foram democráticas e tomadas através de Assembleias Estudantis legítimas dos Centros de Ensino, a postura do DCE seria de total apoio a esse movimento político que ocorreu em diversas cidades e Instituições de Educação brasileiras.

 

Cotidiano.ufsc:  O que está sendo pensado para unir a classe estudantil novamente na UFSC?

DCE: Primeiramente, manter o DCE aberto e acessível aos estudantes. Isso vai além do literal de ter a sede de portas abertas. Queremos estar em contato próximo com os centros acadêmicos e os movimentos sociais garantindo a centralização das informações no DCE e assim podendo unificar o movimento estudantil.

 

Cotidiano.ufsc: A primeira reunião foi aberta, esse formato vai continuar até o fim da gestão?

DCE: Sim, não só as gerais como também as reuniões das comissões. Com exceção das comissões de coordenação geral, finanças e do comitê de ética.

 

Cotidiano.ufsc: Sobre permanência estudantil, quais são as críticas à forma com que a administração vem tratando esse ponto?

DCE: A UFSC é uma das instituições de ensino federal que mais recebe verba no país, cerca de 1,5 bilhões por ano para poder gerir seus gastos. Porém, cerca de 1,9% dessa verba é destinada à permanência estudantil, abrangendo Restaurante Universitário (RU), bolsas permanência, auxílio moradia, isenções de atividades extracurriculares, ajuda de custos a eventos, moradia estudantil, auxílio creche etc. 1,9% simboliza pouco mais de 27 milhões de reais, para uma demanda imensa de estudantes que necessitam permanecer na graduação e assim concluírem seus cursos de maneira qualificada.

Foram disponibilizadas apenas 20 vagas para auxílio creche, sem nem ao menos a universidade ter noção de quantas mães e pais temos em nossa universidade. Foram disponibilizados 800 auxílios moradia num valor de R$250,00. Esse valor não aumenta há no mínimo mais de meia década Foram disponibilizadas 350 bolsas no valor de R$ 653,60, que não abarcam a realidade do custo de vida da cidade, e mal garante uma sobrevivência estudantil. Segundo o Dieese, Florianópolis possui a cesta básica mais cara do país, custando R$453,80.

Não é de hoje, e nem desta gestão da Reitoria, que a questão de permanência vem sendo tratada, aparentemente, com descaso. A UFSC precisa se manifestar em relação a tudo isso, de forma ampla e transparente, revendo suas prioridades de financiamento e abrindo a administração para que esta possa ser construída de forma participativa, em diálogo com as reais demandas estudantis. “Ninguém precisa viver o que é ruim para poder saber o que é melhor pra si”

 

Cotidiano.ufsc: Festas na UFSC, por que esta é uma pauta prioritária da nova gestão?

DCE: A questão das festas não é, necessariamente, uma questão que se sobrepõe a outras tão importantes quanto, mas é sem dúvida uma das lutas que o DCE pretende encabeçar.

Entendemos a importância de reivindicar o direito de fazer festas por diversos motivos, e entre eles está o fato de que a promoção de eventos é a principal, e uma das únicas, fonte de financiamento do Movimento Estudantil. Proibir a organização desses eventos é, antes de mais nada, contribuir para a desarticulação e enfraquecimento das e dos estudantes.

Também entra uma questão ideológica de ocupação do espaço público e de acesso ao lazer e à integração. Sem a possibilidade de fazer festas de acesso gratuito num local aberto, os momentos de descontração ficam praticamente restritos àqueles que podem pagar pelas entradas e pelos altos valores dos estabelecimentos privados.

 

Cotidiano.ufsc: Um dos principais pontos de discussão no campus é a segurança. O que a gestão

está planejando para esta pauta?

DCE: Segurança no Campus é uma discussão muito mais ampla do que se imagina, ela passa por muitos âmbitos. Primeiramente, necessitamos de profissionais capacitados para que possam fazer rondas na universidade, e para isso, precisamos de uma “Guarda do Campus”, com uma realização de concurso público para os profissionais; é necessário iniciar um diálogo com a comunidade sobre essa questão. Entendemos também que é uma questão de permanência, e para isso, lutaremos pela implementação do projeto do LABProj, de moradia dentro do Campus Trindade, que oferece, para além de mais vagas de moradia, uma maior ocupação e circulação de pessoas nos espaços, e uma melhor iluminação no campus.

 

Cotidiano.ufsc: O DCE possui muita história e conquistas da classe estudantil. Há uma preocupação

de se resgatar essas memórias?

DCE: Com certeza, possuímos uma comissão de acervo e documentos que ficará responsável por resgatar, digitalizar e catalogar os documentos históricos do DCE. Temos planos também para divulgar certas descobertas históricas que possivelmente virão a tona ao longo da gestão.