Teatro em Florianópolis cresce como espaço de expressão, mas encontra obstáculos para acessar editais de fomento à cultura
Grupos teatrais da cidade promovem inclusão, formação artística e fortalecimento dos laços comunitários desde o começo do século XX
Reportagem por Júlia Graboski

Durante muito tempo, dizer “não” parecia impossível para Karen Oliveira. A timidez, a insegurança e o medo de se posicionar faziam parte da rotina até que ela entrou para uma oficina de teatro. Entre exercícios de improvisação e a convivência com outros participantes, descobriu que interpretar personagens também significava conhecer a si mesma. “O teatro me ensinou a dizer não. Me ensinou o quanto eu era boa”, conta. Hoje, afirma que a prática lhe deu coragem para estabelecer limites, confiar na própria voz e ocupar espaços que antes pareciam inalcançáveis.
A transformação vivida por Karen não é um caso isolado. Em Florianópolis, grupos independentes têm investido em oficinas, cursos e apresentações próprias que ultrapassam a formação de atores e utilizam o teatro como espaço de expressão, convivência e fortalecimento de vínculos. Um exemplo é a República da Arte, que, neste ano, já realizou duas edições do intensivo Destravando o Ator em uma sala alugada no edifício Marco Polo, no centro da cidade. Voltada para iniciantes na prática teatral, a atividade foi conduzida por Lauchi Gamarra, diretora e fundadora da companhia. Em poucos minutos, o círculo de desconhecidos deu lugar a uma roda de histórias. A cada exercício, lembranças pessoais eram compartilhadas, reinterpretadas e transformadas em cenas, em um processo que convidava os participantes a construir narrativas coletivas a partir das próprias experiências.
Iniciativas como a da República da Arte indicam que o teatro tem sido utilizado na capital catarinense também como ferramenta de expressão e reconhecimento. Segundo Lauchi, ao participar ou assistir a encenações, indivíduos entram em contato com situações que dialogam com suas próprias vivências, o que pode gerar reflexões e, em alguns casos, mudanças de comportamento.
Ela destaca ainda o impacto da prática teatral na construção da identidade e no sentimento de pertencimento. “É sobre fazer parte. É sobre saber que você pertence por quem você é”, afirma. A diretora explica que o teatro também está associado ao desenvolvimento da empatia e do pensamento crítico. Ao interpretar diferentes papéis e situações, os participantes entram em contato com múltiplas realidades, ampliando a compreensão sobre diferentes contextos sociais.
A relação entre teatro e formação social, porém, não é recente em Florianópolis. A professora, pesquisadora e diretora teatral Vera Collaço aponta que a atividade teatral na cidade sempre esteve ligada a processos educativos, comunitários e de organização coletiva. Segundo ela, grupos teatrais já exerciam esse papel desde o início do século XX.
Em suas pesquisas sobre o Teatro da União Operária, Vera identificou que o espaço, criado nas décadas de 1920 e 1930 por trabalhadores da cidade, utilizava o teatro para formação social e apoio comunitário. “Considerava-se o teatro como um espaço de formação por excelência”, reforça. De acordo com a pesquisadora, os espetáculos promovidos pela associação também tinham função solidária. Muitas apresentações arrecadavam recursos para famílias de trabalhadores doentes ou incapacitados para o trabalho.
Para Vera, o teatro permanece relevante justamente pela experiência presencial que proporciona. “Essa coisa do cara a cara, de sentir a respiração do ator, o suor do ator, só o teatro tem”, comenta. Ela avalia que, mesmo diante do avanço das mídias digitais e das transformações tecnológicas, o teatro continua ocupando um espaço importante de encontro e troca coletiva.
Além do campo artístico, o teatro também tem sido incorporado ao ambiente escolar. Em escolas e projetos sociais, a prática é utilizada como recurso pedagógico para estimular a participação dos estudantes e desenvolver habilidades como comunicação, escuta e trabalho em grupo.
Para a professora de drama da escola Dual, Arlette Souza, utilizar o teatro na educação significa compreender o aprendizado como uma prática social, conectada à realidade dos alunos e voltada para a autonomia e engajamento. Segundo ela, as atividades incentivam a expressão, o questionamento e a construção coletiva. “As crianças chegam e ficam sem o celular. As aulas ajudam muito com essa ansiedade da nossa sociedade”, relata.
A professora destaca ainda a importância da prática em uma realidade marcada pelo uso intenso de tecnologias e pelas interações mediadas por telas. Para ela, o principal papel social do teatro está na possibilidade de promover encontros e fortalecer vínculos. “Talvez o maior papel social do teatro seja o encontro. A gente poder se encontrar, trabalhar junto, se fortalecer.”
Arlette explica que a sala de aula se transforma em um espaço de criação, onde o erro faz parte do processo, a escuta é valorizada e todos têm oportunidade de se expressar. Nesse contexto, o teatro contribui não apenas para a aprendizagem de conteúdos, mas também para o desenvolvimento de habilidades críticas e sociais.



Segunda edição do intensivo Destravando o Ator / Fotos: Júlia Graboski
Produção teatral local
Em meio às dificuldades para financiar espetáculos e conquistar espaço nos palcos da cidade, grupos de teatro independentes de Florianópolis seguem movimentando a cena cultural local. Mais do que produzir apresentações, esses coletivos também atuam na formação de artistas e na criação de espaços de encontro, convivência e fortalecimento comunitário.
Fundada a partir da percepção de que muitos artistas abandonavam a prática teatral após concluírem cursos de formação, a República da Arte surgiu com a proposta de criar espaços de continuidade para atores e aproximar o teatro de novos públicos. A idealizadora da companhia conta que observava uma carência de iniciativas voltadas ao aprofundamento da formação artística e à prática contínua dos profissionais da área. “Eu percebia que muitas pessoas terminavam as aulas e abandonavam a profissão porque não tinham onde continuar”, relata.
A companhia chegou a manter um espaço próprio que reunia aulas, apresentações e um projeto de microteatro-bar. A pandemia de Covid-19 interrompeu as atividades presenciais, mas o grupo retomou seus projetos nos anos seguintes, ampliando a oferta de cursos e atividades voltadas tanto à formação artística quanto ao desenvolvimento pessoal.
Uma das principais iniciativas desenvolvidas pela República da Arte é o Teatro de Bolso, formato de espetáculos curtos que busca levar o teatro para espaços alternativos, como cafés, bares e centros culturais. A proposta surgiu como forma de democratizar o acesso às apresentações e ampliar as oportunidades de atuação para artistas locais. “Muitas vezes ensaiamos durante dez meses para apresentar apenas dois dias”, afirma Lauchi ao comentar as dificuldades enfrentadas pelos grupos independentes da cidade.
A busca por alternativas para circulação dos espetáculos reflete uma realidade compartilhada por outros grupos da capital catarinense. É o caso da Cia GRITO de teatro musical, fundada em 2005 pelo ator e diretor Rodrigo Marques. Criada como um projeto coletivo de criação artística, a companhia nasceu com o objetivo de ampliar a circulação cultural e fortalecer a produção teatral em Florianópolis.
Segundo Anael Kruscinsck, integrante da direção geral da companhia, os custos para montar um espetáculo envolvem despesas com figurino, cenário, iluminação, transporte e aluguel dos espaços de apresentação. No Centro Integrado de Cultura (CIC), por exemplo, o aluguel do teatro pode chegar a R$ 1,5 mil por dia, valor que impacta diretamente o preço dos ingressos.
Além das despesas de produção, os grupos locais também enfrentam dificuldades para ocupar os principais equipamentos culturais da cidade. De acordo com Anael, os finais de semana, considerados os períodos de maior circulação de público, costumam ser destinados a grupos de fora de Florianópolis ou a produções contempladas por editais de incentivo, reduzindo as oportunidades para artistas locais.
Nesse contexto, iniciativas como as apresentações em cafés e bares desenvolvidas pela República da Arte surgem como estratégias para driblar as limitações de acesso aos teatros convencionais e aproximar novos públicos da produção cultural da cidade. Para Laura a ocupação desses espaços permite ampliar a circulação das obras e criar experiências mais próximas do cotidiano dos espectadores.
Apesar dos desafios, a Cia GRITO mantém uma estrutura coletiva de organização. O grupo funciona como uma associação, com presidente, vice-presidente e decisões tomadas por votação entre os integrantes selecionados por meio de audições. Para Isabelly Ferreira, presidente da companhia, a motivação do grupo está no amor pela arte e na crença no potencial transformador do teatro.
Segundo ela, a prática teatral contribui para o desenvolvimento de habilidades como comunicação, escuta e expressão pessoal, competências que ultrapassam o ambiente artístico e impactam diferentes áreas da vida social e profissional. Isabelly também destaca a importância do contato com o teatro desde a infância, mas ressalta que o acesso à cultura e o hábito de frequentar espetáculos continuam sendo fundamentais ao longo da vida adulta.
A dimensão comunitária do teatro também aparece em grupos que atuam fora dos circuitos tradicionais de produção cultural. No Canto da Lagoa, o Teatro do Canto surgiu em 1994 a partir de um projeto desenvolvido em uma escola pública da região.O que começou como uma atividade pedagógica para trabalhar a história da comunidade transformou-se em um coletivo que, há mais de três décadas, reúne moradores em processos de criação colaborativa.
Diferente de companhias que trabalham a partir de textos já consolidados, o grupo desenvolve seus espetáculos com base em histórias, memórias e questões vividas pela própria comunidade. Temas como identidade cultural, preservação ambiental e transformações urbanas da cidade servem de ponto de partida para as montagens, construídas coletivamente por moradores, artistas e estudantes.
Para Marilde Fonseca, coordenadora do grupo, o teatro comunitário funciona como uma forma de resistência em um contexto marcado pelo individualismo e pela redução dos espaços de convivência. “Eu acho que teve uma mudança social no mundo, e o teatro comunitário vem como resistência nisso, ele continua propondo que a gente venha, que a gente discuta, que a gente pense nos problemas da comunidade, que a gente brinque e que a gente crie coletivamente”, avalia.
Além da criação artística, os encontros envolvem oficinas, construção de cenários, apresentações em escolas e atividades coletivas que fortalecem vínculos entre os participantes. Segundo ela, muitos integrantes relatam que o grupo se tornou uma rede de apoio e pertencimento, capaz de aproximar pessoas de diferentes idades, trajetórias e condições sociais.
A persistência dessas dificuldades também aparece na trajetória do Grupo Armação, uma das companhias mais tradicionais do teatro catarinense. Fundado em 1972, o coletivo mantém uma sede própria, concedida pelo governo estadual, no centro da cidade, e figura entre os grupos mais antigos em atividade no país. Ao longo de mais de cinco décadas, a companhia acumulou dezenas de montagens e consolidou um espaço que recebe apresentações de diferentes artistas e grupos da região.
Segundo o diretor do grupo, Luiz Nass, a sobrevivência da companhia esteve historicamente ligada à construção de parcerias e ao envolvimento com a comunidade. Apesar da longa trajetória, os desafios enfrentados atualmente não são muito diferentes daqueles vividos por outros coletivos da cidade. A principal dificuldade continua sendo a captação de recursos para viabilizar montagens e garantir a continuidade dos projetos. Em alguns casos, os próprios integrantes recorrem a recursos pessoais para colocar espetáculos em cartaz.
Embora reconheça avanços nas políticas de incentivo à cultura, o grupo avalia que ainda existem obstáculos para o acesso aos recursos disponíveis e para a valorização da produção local. Luiz afirma que a busca por patrocínios privados também permanece limitada, especialmente para companhias independentes que atuam fora dos grandes circuitos comerciais.
Outro desafio apontado pelo Armação é a necessidade constante de formar público. A companhia aposta em temporadas prolongadas e na ocupação contínua de sua sede para aproximar espectadores do teatro. Segundo o ator, existe uma diferença entre o público que busca um artista específico e aquele que frequenta o teatro como prática cultural. “A gente forma muito público”, afirma.
A trajetória dos grupos entrevistados evidencia desafios recorrentes da produção teatral em Florianópolis, como a captação de recursos, a circulação de espetáculos e a formação de público. Ao mesmo tempo, as iniciativas desenvolvidas por coletivos como República da Arte, Cia GRITO, Teatro do Canto e Grupo Armação mostram diferentes estratégias para manter a atividade artística na cidade. Seja por meio da ocupação de espaços alternativos, da atuação comunitária ou da manutenção de sedes próprias, esses grupos seguem contribuindo para a oferta cultural da capital e para a preservação de práticas coletivas ligadas à arte e à cultura. Luiz destaca ainda o papel do teatro na construção de vínculos sociais e na reflexão sobre questões presentes no cotidiano das comunidades. “Um povo sem cultura é um povo seco”, reforça.




Ensaio realizado pela Cia Grito para novo espetáculo / Foto: Júlia Graboski
Editais ampliam investimentos, mas acesso segue desigual
O aumento dos investimentos públicos destinados ao teatro em Santa Catarina nos últimos anos não foi suficiente para eliminar os principais desafios enfrentados pelos grupos teatrais. Entre 2020 e 2025, os recursos destinados ao setor somaram, em média, R$ 11,59 milhões por ano, distribuídos entre 525 projetos contemplados por editais estaduais, segundo dados fornecidos pela Fundação Catarinense de Cultura (FCC). Apesar da ampliação dos investimentos, artistas afirmam que persistem obstáculos históricos, como a dificuldade de acesso aos editais, a escassez de patrocínio privado e a necessidade de políticas públicas mais estruturadas.
A resposta da Fundação Catarinense de Cultura mostra que, entre os editais voltados especificamente ao teatro, os maiores investimentos ocorreram por meio de programas federais operacionalizados pelo Estado. Em 2024, a Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) destinou R$ 4,42 milhões para 144 projetos teatrais. Já em 2023, a Lei Paulo Gustavo contemplou 82 iniciativas, totalizando R$ 2,14 milhões.
O Prêmio Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura também apresentou crescimento no período analisado. Em 2020, o edital destinou R$ 450 mil ao teatro. Em 2025, esse valor chegou a R$ 820 mil, contemplando 15 projetos.
Também integram os dados o edital SC Cultura em Sua Casa, criado durante a pandemia de Covid-19, que destinou pouco mais de R$ 170 mil para 138 projetos teatrais em 2020, além do Prêmio Mérito Cultural, responsável por R$ 345 mil distribuídos entre 31 iniciativas em 2023.
Considerando todas as áreas culturais, o volume de recursos destinados pelo Estado também cresceu ao longo do período. Em 2020, foram investidos R$ 1,68 milhão em 330 projetos. Em 2025, os repasses chegaram a R$ 28,4 milhões, distribuídos entre 451 iniciativas, refletindo a ampliação dos recursos destinados ao setor cultural nos últimos anos.

Na prática, a realidade enfrentada pelos grupos de teatro vai além dos números apresentados pelos editais. Para Luiz Nass, ator do Grupo Armação, a continuidade das produções depende, muitas vezes, do esforço dos próprios artistas quando os projetos não são contemplados pelos programas de fomento. Segundo ele, espetáculos como A Casa de Bernarda Alba, A Cantora Careca e A Cigarra e a Formiga foram produzidos pela companhia sem financiamento público. “Quando a gente não tem o edital, a gente vai na raça mesmo. É da raça, é do amor, não tem outro jeito”, afirma. O diretor explica que a companhia precisou recorrer a recursos próprios para viabilizar as montagens, já que, para ele, “a arte não pode parar”.
Além dos investimentos feitos pelos próprios integrantes, o grupo enfrenta dificuldades para conseguir apoio da iniciativa privada. De acordo com o ator, quando não há um edital específico, as empresas demonstram pouca disposição em patrocinar grupos locais. “Existe uma barreira. O artista local ainda não é tão prestigiado”, lamenta. Apesar das dificuldades, ele reconhece que as políticas de fomento avançaram nos últimos anos e que os editais têm contribuído para a manutenção das atividades culturais. No entanto, acredita que esses mecanismos ainda precisam ser aperfeiçoados. “Claro que precisa de mais, mas já existe um caminho bastante aberto. Os editais precisam ser melhor elaborados, porque, às vezes, deixam a gente um pouco sem ação.” O diretor também ressalta que espaços culturais de pequeno porte dependem diretamente da presença do público para sobreviver e, por isso, necessitam de maior apoio institucional.
As dificuldades de acesso aos recursos públicos também são compartilhadas por outras companhias. Marilde Fonseca, do Teatro do Canto, afirma que o principal desafio da companhia atualmente é conseguir aprovação nos editais. Segundo ela, além da concorrência, muitos grupos encontram obstáculos na elaboração técnica dos projetos exigidos pelos programas de financiamento. “Esse é um desafio agora para nós, fazer com que o nosso grupo consiga passar nos editais. Não é fácil, porque tem algumas coisas que a gente acaba não sabendo fazer.” Atualmente, o grupo aguarda o resultado de um projeto inscrito na Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), por meio da Fundação Catarinense de Cultura, enquanto busca alternativas para manter suas atividades.
Monica Duarte, presidente da Fundação Cultural Franklin Cascaes, afirma que ampliar o acesso aos editais também é uma prioridade da administração municipal. Segundo ela, a fundação tem trabalhado, em parceria com a Secretaria de Licitações e Contratos e outros órgãos da Prefeitura de Florianópolis, para simplificar os processos de inscrição. Entre as medidas adotadas estão a elaboração de manuais para orientar os proponentes, a disponibilização de servidores para auxiliar na inscrição dos projetos e a revisão do marco regulatório da cultura. A proposta, explica, é reduzir a burocracia dos editais e adequar os procedimentos às especificidades da área cultural. “Estamos trabalhando nesse marco regulatório da cultura, que desburocratiza essa questão cultural, entendendo que a cultura não precisa necessariamente passar por um processo burocrático de licitação, como há previsão em outros tipos de contratos”, afirma.
Para Vera Colaço, a discussão sobre o financiamento das artes cênicas deve ser compreendida a partir da trajetória das políticas culturais no estado. Ela relembra que, entre as décadas de 1970 e 1980, festivais realizados em diferentes regiões catarinenses reuniam grupos de teatro, promoviam cursos, oficinas e intercâmbios entre artistas. “Era um período muito rico. Os festivais reuniam grupos de diferentes regiões do estado, promoviam cursos e intercâmbios. Era um momento de encontro entre as pessoas do teatro”, recorda.
Segundo ela, a criação da Fundação Catarinense de Cultura representou um marco para a consolidação do setor ao promover concursos de dramaturgia, festivais e editais de incentivo. Para Vera, estruturas dessa dimensão dependem necessariamente da atuação do poder público. “Uma infraestrutura como essa precisa partir dos governos. Os grupos de teatro, sozinhos, não têm condições de organizar uma estrutura dessa dimensão sem recursos públicos”, afirma.
Vera também destaca a importância do Centro de Artes da UDESC para a formação de profissionais que hoje atuam em praticamente todas as regiões do estado. Segundo ela, a instituição contribuiu para a construção de uma ampla rede de artistas, professores e pesquisadores, fortalecendo a produção teatral catarinense. Ao mesmo tempo, avalia que Santa Catarina enfrenta um momento delicado na área cultural, o que impacta diretamente o trabalho desenvolvido pelos grupos e instituições. “Hoje Santa Catarina vive um problema muito grande na área cultural, e isso interfere diretamente no nosso trabalho”, afirma. Na avaliação da professora, embora exista uma base sólida construída ao longo das últimas décadas, ainda são necessárias políticas públicas permanentes e mais efetivas para garantir o fortalecimento do setor. “Agora o que nós precisamos são mais políticas públicas concretas para que toda essa estrutura construída ao longo dos anos consiga, de fato, se consolidar.”








