Pandemia e descaso do governo acentuam desemprego e fome no país; saiba como ajudar em Florianópolis

Reportagem por Fernanda Biasoli

O Brasil voltou ao mapa da fome. De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Mensal (PNAD Contínua), realizada pelo IBGE, o país fechou 2020 com a pior média móvel de desemprego dos últimos nove anos. Esses números tiveram um forte reflexo na mesa dos brasileiros: 19 milhões de pessoas passaram fome no final do ano passado. A informação é do Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar, realizado pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan). Mas os números não param por aí. Um estudo da FGV Social revelou que a pandemia fez com que 27 milhões de brasileiros se encontrassem em situação de vulnerabilidade. O término do auxílio emergencial, ainda no final de 2020, jogou para a linha da pobreza 12,8% da população nacional.

Em entrevista à Agência Brasil, Renato Maluf, presidente da Rede Penssam, afirmou que os dados divulgados ‘’dão rosto à fome’’. Segundo o professor e economista, os domicílios em que a pessoa responsável é uma mulher se encontram em situação de insegurança alimentar grave muito superior à média nacional. Maluf reforçou que se essa mulher for preta ou parda e com baixa escolaridade, a insegurança é ainda maior. Em números absolutos, a fome atinge de maneira igual todo o país. Não há região que escape.

Fonte: . Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar – Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan)/Dezembro 2020

O presidente Jair Bolsonaro responsabiliza gestores das esferas municipais e estaduais pelos tristes números, utilizando a ‘’justificativa’’ de que o governo federal não forçou o isolamento social, logo, é isento de culpa. Em janeiro, outra desculpa: o presidente afirmou que a razão pela qual o desemprego aumentou no país, é porque ‘’uma parte considerável (dos brasileiros) não está preparada para fazer quase nada’’. Enquanto isso, milhões de pessoas dormem com fome todos os dias, tendo que lidar com as consequências do descaso do governo e da maior crise sanitária da história recente nacional. 

Se por um lado, parte dos gestores “brincam de ’batata quente’’ para ver quem vai assumir as rédeas da triste situação do país, por outro, pessoas e organizações da sociedade civil se articulam para reduzir os danos causados pela segunda fase da pandemia e pela falta de gerenciamento do Estado. Conheça abaixo algumas iniciativas em Florianópolis e arredores que ajudam pessoas em situações de vulnerabilidade e saiba como contribuir.


DÉBORA MACHADO (Sul, Norte, Centro e Continente)

Débora trabalha há mais de vinte anos com as comunidades do Norte e Sul da Ilha. Atua também nos bairros Córrego Grande, Agronômica, Monte Serrat, Serrinha e outras comunidades no Continente. Tudo começou em 1998, quando a advogada confeccionou pipas e doou bonecas para as crianças do Córrego Grande. Desde então, seu trabalho cresceu. Durante a pandemia, criou uma campanha de arrecadação de alimentos, materiais de higiene, máscaras, roupas, sapatos e brinquedos. Qualquer um pode contribuir com doações.

Telefone para contato: (48) 99971-0848


PROJETO SURF SOCIAL

O projeto Surf Social atua na comunidade do Morro do 25 desde 2014. O que iniciou com aulas gratuitas de jiu jitsu na casa de um dos fundadores, Rodrigo Marston Moreno, hoje atende 30 crianças, que recebem também aulas de funcional, yoga, skate e surf. Durante a pandemia, as aulas foram suspensas e o projeto começou a atuar com arrecadação de alimentos para as famílias da comunidade. É possível contribuir com doações em dinheiro, alimentos, materiais para as aulas e para as crianças e, ainda, realizar trabalho voluntário.

Informações para contato: Projeto Surf Social


PROJETO VIVENDO À ARTE

O Vivendo à Arte atua com as crianças do Morro do 25, Morro do Horácio e Morro do Céu, oferecendo aulas gratuitas de jiu jitsu desde 2014. O projeto acredita que o esporte pode ser uma maneira de fortalecer e emancipar as crianças e adolescentes dos locais em que atua. As aulas foram suspensas durante a pandemia e o Vivendo à Arte iniciou uma campanha de arrecadação de cestas básicas e produtos de higiene. Foram doadas 600 cestas com o apoio dos padrinhos, rede de amigos e a Somar Floripa. É possível contribuir com o projeto por meio do apadrinhamento de uma criança, doações em dinheiro ou de materiais para as aulas, como kimonos. É possível ainda realizar atividades voluntárias como, por exemplo, passeios e oficinas. Em relação à pandemia, o projeto mantém sempre aberta a sua campanha de arrecadação de cestas básicas e produtos de higiene.

Informações para contato: Projeto Social Vivendo à Arte


PASTORAL DOS MIGRANTES 

A Pastoral dos Migrantes atua em Florianópolis atendendo e reinserindo migrantes na sociedade por meio de uma acolhida digna. Na pastoral de Florianópolis, as pessoas são recebidas em uma moradia coletiva e provisória. Elas recebem apoio e acompanhamento na busca por empregos, regulamentação de documentos e moradia. Os migrantes também realizam aulas gratuitas de português. É possível contribuir com doações de roupas, alimentos e sapatos em bom estado, cestas básicas e produtos de higiene.

Telefone para contato: (48) 3225-7043


ASSOCIAÇÃO DE MORADORES DA COMUNIDADE FREI DAMIÃO

A comunidade Frei Damião, em Palhoça, é considerada a de maior risco social de Santa Catarina. Vladimir Borges Ribeiro, é presidente da Associação de Moradores e conta que foram doadas 6.700 cestas básicas entre os meses de março e dezembro de 2020. Para continuar com o trabalho na comunidade, a Associação de Moradores da comunidade está arrecadando cestas básicas, fraldas, leites, roupas e materiais de construção.

Telefone para contato: (48) 99169-9790

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