Bairros do continente recebem mutirão contra a dengue

Texto: Natália Duane (nataliaduanedesouza@gmail.com)

Vídeo: Ayla Nardelli (aylaap@gmail.com) e Natália Duane (nataliaduanedesouza@gmail.com)

Florianópolis luta para manter o título de única capital do país que ainda não teve caso de dengue adquirido na própria cidade. A primeira etapa do Programa Municipal de Prevenção, lançado no dia de nacional de combate à doença (24), foi concluída essa semana, mas os trabalhos seguem até  junho. A ação foi motivada pelo aumento de mais de 50% do número de focos do mosquito na região continental em relação ao mesmo período do ano passado, segundo relatório divulgado pela Diretoria de Vigilância Epidemiológica de SC. Agentes comunitários, sanitários e de combate à epidemias trabalham juntos para limpar locais problemáticos em que o inseto possa se proliferar.

Cada bairro será visitado durante três dias, nos quais  funcionários da Secretaria do Continente e da Saúde, com o auxílio da Comcap, vão retirar lixo de ruas e casas, além de notificar o comércio irregular. No último dia, as equipes pretendem informar moradores sobre o descarte correto de lixo pesado e como evitar a proliferação do mosquito. Os agentes vão retornar após 15 dias para verificar se a campanha gerou resultados, pintar calçadas e cultivar plantas para tornar o bairro um local mais agradável.

Segundo o diretor do centro de controle de Zoonoses, “se o Continente fosse um município, estaria infestado”. Dos 34 locais onde foi encontrado o mosquito, 33 estão nessa região. Os bairros Capoeiras e Monte Cristo são os locais mais críticos, com 15 e 9 focos respectivamente. Ambos vão ser prioridade do programa. A primeiro mutirão foi organizado na última semana, no bairro Monte Cristo, e é encerrado hoje, com a distribuição de panfletos para moradores.

Confira vídeo abaixo:

LIXO

Segundo o Ministério da Saúde, 50% dos criadouros do mosquito transmissor da dengue no Sul tem origem em lixo. Esse é também uma das razões para a concentração do vetor no continente, onde há um grande número de acumuladores. Segundo o agente de combate às epidemias, Cléber do Livramento, as pessoas recolhem resíduos para sobreviver, mas não conseguem vender tudo. “Por isso é complicado trabalharmos sozinhos, precisamos da ajuda da Secretaria de Assistência Social para podermos auxiliar essas pessoas”.

Mas há também quem não se dê conta do perigo que a doença representa. Para Amanda Almeida Pereira, também agente de combate à dengue, apesar das visitas regulares aos habitantes da região, há certo ceticismo pois  “ninguém nunca ouviu falar que alguém morreu de dengue por aqui”.  De acordo com a gerente de vigilância de zoonoses e entomologia da Diretoria de Vigilância Epidemiológica Estadual (DIVE), as pessoas conhecem o mosquito e em quais situações ele se prolifera, mas esse conhecimento não é suficiente para mudar o comportamento. O proprietário não fecham a caixa de água, não coloca areia em pratos de vasos de flores e assim por diante. “No meu ver, a legislação poderia mudar esse quadro: pagamento de multas, mais fiscalização e cobranças. As secretarias municipais devem fomentar essas ideias.”

EPIDEMIA

Enquanto Florianópolis ainda mantém o título de capital sem vírus, Santa Catarina perdeu o posto de único estado livre de dengue. Em 2012, foram registrados  três casos em Itapema, um em Chapecó e outro em Maravilha. De acordo com a gerente de vigilância de zoonoses e entomologia da Diretoria de Vigilância Epidemiológica Estadual (DIVE), há uma eminência de transmissão da dengue nos municípios do oeste. A única forma de prevenção é eliminando o mosquito, já que não se pode controlar a chegada da dengue. “Mas para isso precisamos do auxílio da população, é impossível o poder público controlar o mosquito sozinho”.

DENGUE

A dengue é uma doença infecciosa transmitida pela fêmea do mosquito Aedes Aegypt que já tenha picado alguém contaminado. É contra esse mosquito pequeno, de coloração marrom e com faixas brancas horizontais, que são feitos os mutirões. Ambientes com água parada, como pneus sem uso, latas, garrafas, pratos com vasos, caixas d’água descobertas, piscinas sem uso e calhas são ideais para a proliferação do inseto. Os sintomas da dengue são: febre, dor de cabeça, dor no corpo e dor por trás dos olhos,podendo apresentar dor nas juntas e manchas vermelhas na pele.

Há trinta anos, dengue era como um “gripezinha”, mas não é mais assim.É um prejuízo enorme para a saúde coletiva. Onde há dengue, a cidade pára, pois há mosquitos para causar uma epidemia. As pessoas param de trabalhar, inclusive os funcionários da área da saúde que também estão suscetíveis à doença.Não existe um medicamento específico para combater o vírus, e o único cuidado é com a hidratação. Nos municípios que tem epidemia, a tratamento das pessoas é feito na fila do posto de saúde. A alteração que a dengue causa no organismo desidrata muito rapidamente. Eventualmente serão utilizados medicamentos para diminuir a dor.

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