Ser escoteiro não é coisa de criança

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Reportagem: Merlim Malacoski ( merlimiriane@gmail.com )

O movimento escoteiro é dividido em alguns ramos, pela faixa etária dos participantes: Ramo Lobo (7 a 10 anos), Ramo Escoteiro (10 a 15 anos), Ramo Sênior (15 a 18 anos) e Ramo Pioneiro (18 a 21 anos). Mas essa história não acaba aos 21. Mesmo depois de completar essa idade, muitos continuam no movimento e passam a ser escotistas, adultos que trabalham voluntariamente na chefia de tropas ou na diretoria de grupos escoteiros.  Muitos deles enfrentam dificuldades para conciliar a profissão  e os estudos com o trabalho no escotismo, pois  precisam arranjar tempo para a capacitação e para o planejamento das atividades de seus grupos. Mesmo assim, acreditam que o esforço vale a pena.

No Dia do Escoteiro, o Cotidiano traz histórias de jovens e adultos que repassam aos novos escoteiros os ensinamentos que um dia receberam.

Clique aqui e conheça a história de Luiz Salgado Klaes, um escoteiro de 69 anos.

pedro Filho de mãe bandeirante, Pedro Kawase Falk nasceu numa família com tradição no escotismo, por isso entrou para o movimento com a idade mínima, 6 anos. Agora, 17 anos depois, Pedro é chefe de uma tropa sênior no Grupo Escoteiro do Ar Ilhas Guará, de Coqueiros. Trabalhando com jovens de 15 a 18 anos, Pedro conta que um dos principais desafios é se adequar a época de vestibular, quando muitos escoteiros se afastam do movimento. “Pela proximidade na idade eu os enxergo como irmãos mais novos, eu os incentivo ao estudo, mas eu também cobro presença nas atividades, é uma responsabilidade deles conosco e com o vestibular”

O chefe escoteiro se dedica a cursos de formação para encontrar atividades que sejam atraentes para essa faixa etária, uma tarefa difícil de conciliar com seu trabalho. Pedro  tem um escritório de engenharia, e trabalha tanto na área técnica quanto administrativa da empresa. O desenvolvimento de projetos sustentáveis na empresa é reflexo da experiência escoteira de Pedro, além disso o jovem conta que o escotismo estimulou a pró-atividade e o trabalho em equipe, fundamentais em sua vida profissional.

Ouça um pouco da experiência de Pedro aqui

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beatrizBeatriz Belem Buendgens tem a flor-de-lis, símbolo do escotismo, tatuado no pulso esquerdo. A jovem de 26 anos é escoteira há 14, e atualmente é chefe de tropa no Grupo Escoteiro Desterro, onde trabalha com crianças com idade entre 10 e 15 anos.

Beatriz entrou no movimento escoteiro através de uma vizinha que tinha sido escoteira “fui junto com a filha dela; ela ficou um ano, eu continuei até hoje”. Desde então  a jovem se afastou do movimento apenas no ano em que passou no vestibular, mesmo assim o escotismo foi fundamental nessa etapa de sua vida, já que Beatriz decidiu fazer enfermagem por causa das noções de primeiros-socorros que teve no grupo escoteiro. Hoje, além de enfermeira, Beatriz também é professora na universidade Estácio de Sá, profissão que segundo ela também é influenciada pela experiência no escotismo, pois ajudou a trabalhar com pessoas e em grupo.

Ouça um pouco da experiência de Beatriz aqui

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giovaniGiovani Mombelli Mussio  entrou no escotismo “por causa do desenho dos sobrinhos do tio patinhas que eram escoteiros”. Aos 24 anos de idade e 15 de escotismo o jovem continua no mesmo grupo em que foi lobinho, Grupo Escoteiro do Ar Hercílio Luz, onde é chefe de uma tropa sênior e participa de uma  ação de ajuda ao asilo Lar Anjo Querido, de Biguaçu. “O movimento me trouxe experiências que não teria em outro local ou outra ONG, não seria quem sou hoje se não tivesse participado do movimento escoteiro”, afirma o jovem.

Giovani conta que sempre foi uma criança muito fechada e envergonhada, mas que o movimento escoteiro o ensinou a trabalhar em equipe, a saber ser liderado e saber liderar, e sair de situações complicadas, lições que o jovem, analista de qualidade de produtos de uma empresa de soluções de tecnologia, considera fundamentais  na vida pessoal e profissional.

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gabriellGabriel tem 23 anos e é professor de educação física na Fundação Catarinense de Educação Especial e participa de  projetos voluntários relacionados ao  esporte adaptado. No escotismo  há 15 anos, Gabriel foi lobinho, escoteiro, sênior e pioneiro, agora como escotista é assistente de chefia no Grupo Escoteiro Continente. O jovem lembra que o escotismo é bastante forte em Santa Catarina, e que o trabalho dos adultos é mais voltado ao voluntariado e ao compartilhamento de experiências profissionais, “o membro adulto não tem aquele objetivo de conquistar distintivos, especialidades; tem a sua formação pessoal, que são os cursos de formação dentro de sua linha, seja ela chefia ou diretoria”.

Para Gabriel, uma das melhores experiências dentro do escotismo é a de fazer amigos em todos os lugares, o jovem lembra que a relação entre quem é escoteiro é de confiança: “se chegar alguém do Himalaia, e me dizer que é escoteiro vai chegar e vai dormir na minha casa sem problemas, vou confiar nele mais do que confiaria em outra pessoa”.

Ouça um pouco da experiência de Gabriel aqui

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sandraO casal Sandra Kapucinski e Aroldo Batista são chefes de tropa no Grupo Escoteiro Jayme Janeiro Rodrigues. Os dois se conheceram no movimento escoteiro “fui um escoteiro teimoso…” brinca Aroldo, mas ambos deixam bem claro que a relação marido e mulher não pode ser levada  para o grupo, “temos que servir de exemplo”, lembra Sandra.

Sandra esta no escotismo há 31 anos, começou como bandeirante aos 9 anos de idade– em uma época que não havia escoteiras. Depois de se  afastar do grupo por problemas de saúde na família, voltou há 12 anos e  fez questão de criar os três filhos dentro do movimento escoteiro. Aroldo começou mais cedo ainda, aos quatro anos de idade ele já acompanhava a mãe nas atividades do escotismo. “Eu ia agarrado na perna dela, eu queria minha mãe, não o movimento…” mas Aroldo acabou ficando, há 38 anos.

Os dois são chefes do ramo sênior, e também do pioneiro, e lembram que e falta de voluntários para a chefia é um dos principais problemas do grupo.  Apesar das dificuldades, o casal mantem viva sua paixão pelo escotismo, Sandra lembra que “numa escola comum as pessoas passam e vão. No escotismo não, as pessoas passam, mas elas nunca vão; uma vez escoteiro, sempre escoteiro, não importa se você está ativo ou não”.

Ouça um pouco da experiência de Sandra e Aroldo aqui