Baleias Francas invadem o litoral

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Texto e fotos: Laís Souza ( lai.csouza@gmail.com ) 

Quem passou pelo Morro das Pedras, em Florianópolis, nos últimos dias viu uma cena que se repete todos os anos na capital catarinense,  dezenas de pessoas com máquinas na mão a espera das baleias francas. A grande maioria tem tido sucesso, elas têm aparecido sempre e cada vez em maior número.

Em um sobrevoo realizado pelo Projeto Baleia Franca no final do mês de julho, no litoral catarinense, foram avistados 103 indivíduos da especie. No mesmo período em outros anos, não passaram de 61 baleias. O auge da temporada é setembro, mês que já chegaram a ser vistos quase 200 mamíferos. A expectativa para este ano é alta.

O litoral catarinense é o berçario da espécie. Como o filhote nasce com uma camada muito reduzida de gordura, as francas procuram águas mais quente para dar a luz. O período vai desde julho até outubro. Cada baleia dá a luz a apenas um filhote.

As Francas eram caçadas por causa da grossa camada de gordura, usada para extrair o óleo para iluminação. Com a descoberta do querosene e o avanço da energia elétrica, o interesse na caça para essa finalidade passa a diminuir. A carne desse tipo de baleia é muito gordurosa, ao contrário de outras espécies, não sendo muito agradável ao paladar.

A espécie foi caçada no Brasil até quase a extinção. Na década de 1970, era raro avistá-la na costa brasileira. A principal conquista na luta para a proteção dos animais foi a publicação de uma lei em 1987 que proibia a caça de qualquer espécie de baleia na costa brasileira.

Turismo

Com o aumento do número das baleias, nasce uma alternativa econômica sustentável para turismo de inverno em Santa Catarina. Cidades como Imbituba e Garopaba possuem uma infraestrutura hoteleira forte, mas que fica ociosa em épocas mais frias. O Projeto Baleia Franca começou no início da década de 2000 um trabalho para mostrar aos empresários da região o potencial da observação das baleias. A portaria 117 do IBAMA regulamenta esse tipo de turismo. A sede do Projeto recebe muitos visitantes que procuram observar as baleias da praia.

Nem todas as embarcações podem chegar perto das baleias. Dentro da Área de Proteção Ambiental (APA) da Baleia Franca – que vai da Lagoinha do Leste até Balneário de Rincão –  qualquer empresa que queira oferecer esse tipo de serviço tem que se cadastrar junto à APA, que oferece cursos de capacitação para realizar a observação. Também é necessário ter toda documentação regulamentada com a Marinha.

A maior parte de Florianópolis está fora da área da APA, assim qualquer empresa de embarcação pode se aproximar dos gigantes, mas ainda tem que seguir as regras da portaria. Ao chegar uma distância de 100 metros, o barco deve desligar o motor. Se a baleia ficar curiosa, ela vai se aproximar. Só se pode religar o barco a uma distância de 50 metros. A aproximação é paralela, é proibido cortar o caminho das baleias, separar mães e filhotes ou persegui-las. Embarcações muito barulhentas não podem se aproximar.

Para nadar com as baleias, deve-se respeitar as mesmas regras, ou seja, ficar a 50 metros de distância. Mas é preciso ter sempre muito cuidado, se uma baleia adulta, que chega a 18 metros de comprimento e pesa 60 toneladas, resolver fazer algum movimento brusco, pode colocar em risco os nadadores e surfistas. O filhote de baleia, que já nasce mais de quatro metros e pesa cinco toneladas é curioso e pode se interessar pela pessoa que se aproxima.

Uma coisa sempre chama a atenção dos observadores, como elas conseguem chegar tão perto e não encalhar. A  diretora do Projeto Baleia Franca, Karina Groch explica: “A grossa camada de gordura ajuda na flutuação, permitindo que elas consigam chegar bem perto da praia e raramente encalharem”. Ano passado, um juvenil, de apenas 9 metros, encalhou num banco de areia da praia do Pântano do Sul, mas foi resgatado e devolvido ao mar, foi o segundo registro em 20 anos.

Veja na galeria abaixo, fotos tiradas na praia do Morro das Pedras: