À espera de um almoço

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Texto: Mariana Moreira (rmoreira.mariana@gmail.com)
Fotos: Merlim Malacoski (merlimiriane@gmail.com)

Na Universidade Federal de Santa Catarina,  os estudantes são liberados das aulas da manhã às 11h50. Mas, essa rotina está sendo transformada aos poucos, já que hoje alguns dos alunos deixam de assistir as aulas até o final para poderem entrar na fila do Restaurante Universitário  mais cedo. A espera por um prato de arroz, feijão e a carne do dia pode ser longa. A repórter Pâmela Carbonari entrou na fila às 12h, veja abaixo quanto tempo ela levou para chegar ao restaurante:

O Restaurante Universitário abre as portas para o almoço das 11h às 13h30, período em que atende entre 7.800 e 8.000 estudantes, servidores e a comunidade do entorno da UFSC.  Nos últimos quatro anos a demanda vem crescendo, explica a diretora do RU Beatriz Martinelli. Para os que esperam a hora do jantar, também é preciso ter paciência.  Até o final de 2012, eram servidas cerca de 1.500 refeições no horário das 17h às 19h. Só no começo deste semestre, o número aumentou para 2.400.

Estender meia hora no horário de funcionamento poderia ser uma solução. O principal impedimento é o trabalho dos funcionários terceirizados, que correspondem à maioria. O funcionário iniciaria o trabalho às 8h e só seria liberado às 14h, quando fechasse o restaurante, para retornar às 15h, depois de uma hora de descanso. Para começar a servir o jantar, a cozinha e o salão precisam estar limpos, o que passaria a ser feito em apenas duas horas.  “Tem que ver os dois lados. Tem o lado de quem fica na fila e tem todo o lado da produção”, explica a diretora.

Hoje estão contratadas duas empresas particulares: uma fornece 12 cozinheiros e 35 auxiliares de cozinha, responsáveis pelo almoço; e a outra disponibiliza 17 funcionários, que cozinham o jantar de segunda a sexta e trabalham aos sábados, domingos, feriados e pontos facultativos.

Catracas eletrônicas

Há quase dois anos, as catracas eletrônicas na entrada do restaurante não estão funcionando, pois a manutenção não estava prevista no processo de licitação. A diretora do RU conta que um novo processo está em andamento e deverá ser encaminhado à Superintendência de Governança Eletrônica e Tecnologia da Informação e Comunicação (Setic/UFSC). A previsão é de que o equipamento volte a funcionar no segundo semestre possibilitando controle mais rígido e organizado. Com as catracas desligadas, os porteiros não conferem de quem são as carteirinhas. “Não vou dizer que é um número muito expressivo, mas existem pessoas que comem aí e não estão ligadas à Universidade”, diz a diretora.

Outra mudança planejada para aumentar o controle de acesso ao restaurante é o retorno do passe eletrônico ao invés do de papel. Os estudantes – isentos ou não – e servidores passarão a recarregar  suas cateirinhas com os valores do passe correspondente: R$1,50 para os alunos,  R$2,50 para os funcionários  e R$6,10 para as pessoas de fora da Universidade.

Com o uso do cartão, ficará mais difícil repassar a carteirinha para outro estudante ou continuar frequentando e pagando o RU, mesmo quando já não estiver vinculado à UFSC. No momento em que passar na catraca, será automaticamente descontado o valor de um passe e bloqueada a matrícula até o horário da próxima refeição, assim a carteirinha não poderá ser utilizada duas vezes.

Reabertura do antigo espaço

O Diretório Central dos Estudantes da UFSC (DCE) reivindicou a reabertura imediata do antigo espaço destinado ao Restaurante Universitário, a ala “A”. Como resposta, a Reitoria informou que o antigo RU será reaberto até o final deste ano. O Pró-Reitor de Assuntos Estudantis, Lauro Mattei, disse que  estão sendo feitos estudos sobre o aproveitamento das duas antigas caldeiras e para adequar o local às normas da vigilância sanitária.

Beatriz Martinelli acredita que abrir mais um salão não resolverá o problema. “A fila do RU nunca vai diminuir. A partir do momento em que você abre outro prédio, o número de refeições também aumenta.” A ala “A” e a tenda, que estavam em funcionamento até o ano passado, comportavam em torno de 740 pessoas. Com a abertura do atual prédio do RU, o número de cadeiras mais do que dobrou – hoje há lugar para 1.500 pessoas –, mas a fila não deixou de aumentar.