VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA ANTECIPA CAMPANHA DE VACINAÇÃO CONTRA GRIPE A EM SC

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Texto: Malena Wilbert (malenawilbert@gmail.com)
Arte: Miriam Amorim (amorim.miriam@gmail.com)

A vacinação contra a  gripe vai começar mais cedo esse ano. A Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina decidiu antecipar o inicio da campanha de 30 de abril  para o dia 25 de abril e  vai distribuir as doses que protegem contra os vírus influenza A (H1N1 e H3N2) e influenza B. A decisão, aprovada pela Comissão Intergestora Bipartite (CIP)  foi baseada no surto de gripe A que chegou mais cedo do que o esperado no estado.

Embora se especule que o surto antecipado seja em decorrência ao contato com turistas contaminados,segundo a coordenadora de imunização da vigilância epidemiológica Vanessa Silva não há uma causa especifica para o vírus começar a circular mais cedo esse ano. Até o dia 31 de março a vigilância epidemiológica do estado de Santa Catarina já havia registrado 4 óbitos  por influenza H1N1 e investigava um em Joinville.

A vacina estará disponível gratuitamente nos postos de saúde de Santa Catarina para os grupos de risco: indivíduos com 60 anos ou mais de idade,  crianças na faixa etária de seis meses a menores de cinco anos de idade (quatro anos, 11 meses e 29 dias), as gestantes, as puérperas (até 45 dias após o parto), os trabalhadores de saúde, os povos indígenas ( que tem menos exposição a vírus, e acabam não tendo as mesmas defesas imunológicas),  portadores de doenças crônicas e os funcionários do sistema prisional. Na rede privada já é possível tomar a  mesma vacina  por cerca de R$ 120,00, ou a quadrivalente ( que protege contra mais um tipo de gripe) por cerca de R$200,00.

A eficacia da vacina depende do estado clinico do paciente ( infecções e doenças do sistema imune) e varia de 90% a 60%. Mas,  pessoas vacinadas mesmo que contraiam o vírus irão apresentar sintomas mais brandos e com quadros menos graves. A vacina é segura e não apresenta efeitos colaterais além de dor no local da aplicação e leve mal estar, porém quem já teve reações alérgicas aplicações anteriores ou  teve a síndrome de Guillain-Barré deve ter cautela. Se você tem alergia a ovo, também é necessário consultar um médico, pois a vacina contém traços da proteína do alimento.

Embora as cepas do vírus não tenham mudado ( o vírus não sofreu mutação e é o mesmo do ano passado) mesmo quem já tomou a vacina deve receber a segunda dose,pois sua eficácia  dura de seis a oito meses ( o período de tempo que o vírus geralmente circula),o mesmo se aplica a quem já teve a doença. Após a aplicação, o corpo demora até quatro semanas para dar resposta imunológica a vacina.

Além da vacina,também são necessários cuidados básicos de higiene para evitar a infecção: lavar muito bem as mãos várias vezes ao dia, manter os ambientes arejados e fazer o uso ter cuidados ao tossir, ou seja, cobrir a boca ao tossir ou espirrar, ou usar o antebraço.

O VÍRUS H1N1

O Vírus causador da gripe A circula desde 2009 quando foi identificado pela primeira vez no México,  onde se dissipou rapidamente causando a pandemia de gripe suína. Ele é resultado de uma mutação que combinou a genética  do vírus da gripe humano, suino e aviario. Seus sintomas são parecidos com a gripe comum porém mais intensos. As principais diferenças são a febre ( enquanto o paciente com gripe comum dificilmente ultrapassa os 38º, na gripe A o inicio é súbito e ultrapassa os 39°)  e a presença de muco ( catarro) que raramente é presente nos casos de H1N1.Sua principal complicação é  a SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave), especialmente em pessoas de grupo de risco,o que  causa de 90% dos casos de óbito no Brasil por gripe.

A indicação da Vigilância Epidemiológica é procurar uma unidade de saúde nos primeiros sintomas para que se possa iniciar o tratamento. Diferente da gripe comum, que é apenas sintomático, o tratamento da gripe A requer o uso de um antiviral, o Tamiflux, que estudos indicam que sua eficacia é maior se administrado nas primeiras 48h a partir do inicio dos sintomas.

GRIPE A