Teatro da UFSC: Oficinas aumentam a qualidade de vida

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Texto e fotos por: Jéssica Cescon Antunes (ajcescon@gmail.com)

Movimentos de aquecimento e descontração fazem parte das aulas.

Movimentos de aquecimento e descontração fazem parte das aulas.

Socializar-se, desenvolver a linguagem corporal ou apenas praticar um hobby são alguns motivos que pessoas aqui da cidade de Florianópolis procuram a Oficina Permanente de Teatro da UFSC. Mais do que desenvolver técnicas para atuar no palco, a OPT exercita a capacidade do ser humano em trabalhar coletivamente e de se colocar como sujeito de importância nas situações, não só aperfeiçoando a comunicação do indivíduo, como também preparando-o para enfrentar as reações do público e os olhares das pessoas.

É através de jogos teatrais e exercícios que desde a primeira aula o teatro começa a fazer diferença na vida dos alunos. Realizando algumas tarefas no palco, os alunos começam a trabalhar maneiras de enfrentar as dificuldades que podem surgir em cena, de modo que possam ser aplicadas no cotidiano. “É uma jornada de autoconhecimento do corpo, de como o seu corpo e a sua voz podem solucionar problemas, e isso já te coloca num estado de autopercepção de como resolvê-los na vida”, descreve a professora Mestre Mhirley Lopes, que neste semestre ministra aulas da Oficina com a técnica Pantomima. Essa técnica é um aperfeiçoamento da mímica, desenvolvida na França em meados do século XX.

A aula começa com exercícios que envolvem o controle da respiração, do equilíbrio e alguns alongamentos. No fechar sereno dos olhos na expiração ou no olhar fixado num ponto do anfiteatro enquanto o corpo busca equilibrar-se num pé só, é possível perceber a sintonia dos alunos e a concentração completa em que depositam seus corpos e mentes a fim de relaxar e produzir da melhor maneira o que seus sentidos são capazes de realizar. “Eles travam uma luta contra a timidez, querem ter uma capacidade de olhar para as pessoas sem se sentirem intimidados”, conta a professora.

Ter uma compreensão de como o próprio corpo funciona e reage às situações do dia-a-dia é a busca da maioria que faz parte das aulas de teatro. Assim é para a caloura de Jornalismo Maria Eduarda Dalponte “o teatro deixa a gente mais confiante, me sinto mais segura para falar, e até com meu corpo”. É possível entender que aprender uma técnica que desenvolve os sentidos do corpo é uma alternativa que muitas pessoas estão aderindo para estarem preparadas para os desafios do cotidiano.

Mas a oficina de teatro não é só para quem busca conhecer técnicas para um melhoramento nas relações pessoais. A OPT também serve como hobby, como para a aposentada Neusa Borges, que há 5 anos participa da oficina e não pensa em parar: “me sinto muito leve após as aulas, faz bem para a cabeça… é como uma terapia que só me faz bem”.

A Oficina Permanente de Teatro acontece todas às terças-feiras, a partir das 19:30, no Teatro da UFSC. Para participar das aulas, basta o pagamento único da taxa de inscrição que custa R$ 250,00 para adolescentes e R$ 400,00 para adultos. Para ter mais informações sobre a OPT é só acessar o site www.dac.ufsc.br.

 

Um pouco mais sobre a OPT

Em 1977 já eram ministrados cursos para atores que viriam a compor o Grupo Pesquisa de Teatro Novo. Foi em 1980 que a Oficina Permanente de Teatro teve início, com o intuito de selecionar os alunos mais aplicados para comporem o Grupo Pesquisa. Até hoje mais de 4000 alunos já passaram pela Oficina. No entanto, como atualmente ela é paga, muitas pessoas que têm interesse em aprender teatro acabam não podendo participar por causa do custo.

A ideia é que isso mude. A Coordenadora da OPT Carmen Fossari explicou que o intuito é que a Oficina seja financiada pela Universidade através de algum programa, de modo que seja possível trazer os melhores professores e, ao mesmo tempo, que seja gratuito para os alunos. Ela acredita que o número de inscritos vai crescer ainda mais se não houver mais a cobrança da taxa de inscrição.

 

Um pouco mais sobre a técnica Pantomima

Pantomima ou “a arte do silêncio” é uma técnica teatral que utiliza mais os gestos do que a fala para a comunicação. É uma técnica não-verbal, onde o ator usa a emoção para construir sua linguagem corporal. Os primeiros indícios da comunicação através da mímica foram encontrados ainda na Grécia Antiga, mas a Pantomima foi aperfeiçoada na França por diversos mímicos. Um dos principais nomes a adicionar novas tendências à técnica no século XX foi Marcel Marceau, que é até hoje o mímico mais popular do período pós-guerra.

Pela representação no palco ser estritamente dependente da expressão corporal do ator, a Pantomima exige exercícios de alongamento e relaxamento, como aquelas que a professora Mhirley Lopes realiza no início das aulas ministradas na OPT, as quais você pode observar na galeria de fotos ao final da matéria. O relaxamento do corpo e da mente e os exercícios que desenvolvem o equilíbrio e a controle motor são imprescindíveis para realizar essa técnica, porque dão ao ator a agilidade mental necessária para realizar os movimentos que determinarão as características do personagem.

Por ser uma técnica que pouco utiliza a fala, cada gesto do ator no palco, o modo como ele caminha, a sua postura ou sua expressão facial são responsáveis por expressar ao público a personalidade e as emoções que o personagem carrega.

A manifestação das emoções na Pantomima é exagerada e a postura do peito é determinante para demonstrar ao público as sensações do personagem. Por isso, os exercícios de respiração também são importantes, não somente para o relaxamento da mente, pois as diferentes posturas do ator dependem de como eles são feitos.

É possível notar que todos os exercícios realizados através dessa técnica servem para que o ator, ou o aluno da OPT, conecte a mente, o corpo, os músculos e a concentração para narrar com o corpo uma história. Mas além disso, como todas essas coisas resultam num auto-conhecimento dos sentidos, a evolução que os alunos têm na comunicação acaba surtindo efeitos, inclusive, nas relações pessoais do dia-a-dia.