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Municípios pequenos concentram maiores taxas de estupro em Santa Catarina

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Levantamento do Cotidiano UFSC mostra que em 2017 as cidades com maiores índices tinham menos de 100 mil habitantes

Matheus de Moura (matheusjorvieira@gmail.com)

Foto: Marcello Casal Jr./ Agência Brasil

Todas as 20 cidades que em 2017 tiveram as maiores taxas de estupro de Santa Catarina tem população menor que 30 mil residentes. A cidade que lidera esse terrível ranking é Balneário Rincão, que, com apenas 2560 residentes, registrou 18 ocorrências em 2017; ou seja: sete casos para cada mil habitantes (se isso parecer pouco, imagine que se a cidade tivesse 100 mil habitantes, esse número estaria na casa dos 700). Todavia, em números absolutos, o município que teve mais ocorrências foi Chapecó, que tem 183.530 habitantes e registrou 116 estupros; mas justamente pela população ser maior, sua taxa acaba sendo de 0,632 ocorrências a cada mil habitantes — número que embora não seja o maior do estado, ainda é considerado alto. 

Os dados têm como base as estatísticas do portal de Secretaria de Segurança Pública de SC. O Cotidiano UFSC fez um levantamento inédito de como essas ocorrências se dividem pelos municípios e quais lideram o ranking em números absolutos e na divisão por habitante. Optamos por analisar os registros para cada mil habitantes ao invés de 100 mil — que é mais comum no universo estatístico — pois dos 295 municípios, apenas 12 chegam na centena de milhares. 

Vale lembrar que o estado por si só tem 57 estupros a cada 100 mil habitantes, alçando-se ao indesejável patamar de segundo lugar em 2017, ficando atrás somente de Mato Grosso do Sul, com 66. Os números estão disponíveis no último Anuário Brasileiro de Segurança Pública e, segundo a série histórica, a última vez que SC ocupou essa posição foi em 2009; desde então, transitava entre o quarto e o sexto lugar — posições ainda altas. Os dados mostram que uma perniciosa realidade de falta de segurança para as mulheres catarinense se esconde atrás da imagem de estado livre de violência, que vira e mexe se mescla a de um imaginário de Europa brasileira. Não à toa, o primeiro semestre de 2019 de Santa Catarina foi malogrado pelas notícias do estupro da blogueira Mariana Ferrer no Café de La Musique, com o agravante da vítima ter sido dopada; e das mais de duzentas denúncias de assédio e abuso sexual contra o fotógrafo César Acosta, que conquistara mais de cem mil de seguidores no Instagram com seus cliques de nu feminino. 

É um problema gravíssimo e os dados aqui apresentados podem ajudar a compreendê-los. Afinal, trata-se de um crime em que, segundo o 8º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, apenas 35% das vítimas denunciam às autoridades, e portanto, quanto mais detalhadas forem as informações disponibilizadas, mais precisão se pode ter num debate já defasado pela subnotificação.

ESTUPRO EM SANTA CATARINA

 

Colaboração Eduarda Hillebrandt