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Luiz Cancellier, reitor da UFSC, é detido em operação policial junto a outras onze pessoas

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Reportagem: Pedro Bermond Valls

O reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Luiz Carlos Cancellier de Olivo, foi preso na manhã desta quinta-feira (14), em uma ação da operação batizada de Ouvidos Moucos, da Polícia Federal. A operação policial visa investigar supostos desvios de verbas destinadas aos cursos de Educação a Distância (EaD), que operam dentro do programa Universidade Aberta do Brasil (UAB). Funcionando desde 2006, o programa já obteve R$ 81 milhões em recursos, 20 milhões desse total destinados a bolsas estudantis.

Cancellier permaneceu detido junto a onze pessoas, entre as quais seis  presas temporariamente: os docentes Marcio Santos, Marcos Dalmau, Rogério Nunes, Gilberto Moritz, Eduardo Lobo, o funcionário celetista Robero Moritz da Nova e o próprio reitor. Outros cinco foram conduzidos coercitivamente, são eles: os docentes Renê Balduío, Erves Ducati, Sonia Correa e os empresários Murilo da Costa Silva e Aurélio Justino Cordeiro.

Embora todos tenham sido detidos, a delegada Erika Marena, da Polícia Federal, reforça que a ação não implica culpa ou envolvimento de nenhum deles e que a investigação necessita de acesso a informações e relatos que justifiquem as prisões e conduções. 

A reitoria da UFSC foi assumida interinamente pelo pró-reitor de Extensão, Rogério Cid Bastos, uma vez que a vice-reitora, Alacoque Erdmann, está em viagem oficial ao México. Ao longo da tarde, Bastos afirmou que Cancellier estava “tranquilamente prestando esclarecimentos”. Segundo ele, “a gestão não tem absolutamente nada a esconder”, pois a reitoria e a universidade estão em completo acordo com a lei e, inclusive, dão suporte às investigações.

A operação Ouvidos Moucos nasceu de uma iniciativa de fiscalização e cobrança em órgãos da UFSC, que começou a observar indícios de trâmites burocráticos irregulares em 2009. Tentativas de diligência interna foram realizadas por setores reguladores da própria universidade, e eventualmente ocorreu o acionamento da Controladoria-Geral da União (CGG). Os valores desviados teriam sido resultado do superfaturamento de processos administrativos e da concessão irregular de bolsas, indica a Polícia Federal.

 

editado

Entrevista coletiva na manha de hoje na sede da Polícia Federal, em Florianópolis. Foto: Pedro Valls.